UE exige que todos os artigos científicos se tornem de acesso aberto até 2020

paywall

Recentemente discutimos aqui sobre a briga da Elsevier com o Sci-Hub, o repositório público que agrega e disponibiliza artigos científicos normalmente protegidos por paywall para quem quiser ler, sem a necessidade de carteirada ou de abrir a carteira. A questão principal é: a quem pertence o conhecimento, o pesquisador, à população ou ao periódico que cobra pelo acesso?

A União Europeia entendeu que ele deve ser colocado ao alcance de todos, sem exceção, e por conta disso bateu o martelo e determinou que TODAS as publicações científicas produzidas no bloco, sem exceções sejam colocadas em acesso aberto até 2020.

Como funciona hoje? O pesquisador se mata de trabalhar e estudar para produzir sua pesquisa, e trabalho realizado, é preciso publicá-lo. Entram aí os periódicos de grande nome como a Nature e a Science Magazine, que se não cobram diretamente do pesquisador submetem o artigo a critérios de avaliação malucos, que consideram inclusive o valor de buzz que a pesquisa poderá gerar, o que intensifica a procura, gera mais pageviews e consequentemente mais dinheiro para o periódico.

Caso seja aprovado o trabalho do cientista é indexado e publicado, só que fica protegido atrás de um paywall que cobra pelo acesso (algo que também não é muito simplificado para leigos em alguns casos). A Elsevier, o maior repositório do mundo é ainda mais inescrupulosa, pois cobra quantias do pesquisador que podem chegar a até US$ 1.000,00 para este ter seu trabalho indexado. Ou seja, ela lucra duas vezes.

Ah sim, desnecessário dizer que os periódicos não retornam um tostão ao pesquisador.

Aí você pergunta: por que o pesquisador se sujeita a isso? Por causa do Fator de Impacto: publicar numa Nature ou numa Science causa muito mais impacto na comunidade científica que na PLOS One, que embora libere o acesso também já publicou muito lixo, já que funciona no esquema “pagou, publicou”. Assim temos o bizarro cenário em que o conhecimento é eletivo, só ao alcance de quem pode pagar. Alternativas como o Sci-Hub, que tentam democratizar o acesso são muito bem-vindas mas este é um território nebuloso, já que estamos falando de uma prática ilegal.

E é por causa disso tudo que a União Europeia resolveu por um basta nessa farra. No último dia 27 o Conselho de Competitividade da UE determinou que todos os artigos acadêmicos produzidos por instituições públicas ou privadas do bloco econômico deverão ser disponibilizados em caráter de Acesso Aberto até o ano de 2020. A decisão ainda não tem força de lei mas isso é questão de tempo, 28 países assinaram a resolução (cuidado, PDF) e não tem volta, é aceitar de cabeça baixa ou sofrer as consequências.

Obviamente que os defensores do formato de paywall não estão nada contentes, e para a surpresa de ninguém a Elsevier está liderando o bloco dos reclamões, seguido de perto pelo conglomerado Springer-Nature (responsável pela Nature, obviamente). Ambos defendem o formato de seus negócios mas sinceramente, terão de aceitar resignados que vão perder rios de dinheiro na Europa.

Claro que é um pequeno passo para vermos o cenário ideal de conhecimento livre em todo o globo, mas é um começo. Eu defendo que o conhecimento científico deve sim ser colocado ao alcance de todos e não concordo com a cobrança dos periódicos, que gozam de renome para comercializar bens de coisa pública, que não pertencem a ninguém.

Fonte: Science.


Leia mais:

Ouça também:

  • o SciCast 104 sobre Acesso Aberto, paywall e todo o inferno que pesquisadores passam para indexar seus artigos.

E não deixe de assistir:

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Emílio B. Pedrollo

    Ótima noticia!

  • Alessandro Galvão

    Além disso muitas pesquisas são financiadas pela própria UE, com o intuito de incentivar o desenvolvimento científico, logo a Comissão Europeia tem toda a legitimidade de determinar a divulgação gratuita dessas pesquisas.

    • Alvaro Carneiro

      Exato. Alias a UE devia era montar um sistema proprio e publicar a bagaça toda e aniquilar os sites que cobram.

      Isso é de interesse publico e a publicação não deve ficar nas mãos de empresas privadas.

  • Eu acho que se alguém deveria ganhar algo com o trabalho cientifico, deveria ser apenas o pesquisador, afinal ele trabalhou pra isso. Mas como eles não costumam ganhar nada, melhor que a população se beneficiei da maior riqueza do mundo, o conhecimento.

    • Nilton Pedrett Neto

      não é que a gente não ganhe, até ganha. Mas a ciência só funciona pq é um empreendimento open source.

      • Mas ganha de forma indireta, certo? Pelo menos no opensouce funciona assim, o cara distribui conhecimento, faz a fama, e com isso ganha notoriedade pra conseguir um emprego melhor, ou bons contratos.

        • HomeroGamer-BanidodoMB

          Na verdade 90% do opensource ganha dinheiro dando suporte ao opensource que eles produzem.

        • Nilton Pedrett Neto

          muitas vezes um edital para conseguir recursos depende de um número X de publicações de nível Y…

  • Murilo Cardoso

    Cara, o mais absurdo é 1 artigo, nem é o periódico todo, apenas UM artigo, as vezes ser cobrar 30, 40 dólares. Mais caro que se o autor fosse escrever um livro inteiro sobre tal pesquisa e é tudo DIGITAL. Tem que acabar mesmo com essa farra abusiva.

  • Flávio Pedroza

    Mas de quem é a propriedade do artigo? Do periódico ou do cientista? Algo impede o autor de publicar na nature E também fornecer acesso gratuito ao artigo na página da faculdade ou do centro de pesquisa?

    • Bruno

      Sim, o contrato com a Nature proíbe isso.

      • Theuer

        Já tive foto na “National Geographic” nesses termos também.
        A foto virou deles com meu crédito e trolha no meu tóbas… É isso ou nada.

    • Nilton Pedrett Neto

      O artigo é o cientista, mas todos os periódicos que conheço só aceitam trabalhos originais.

    • A maioria dos periódicos permite que o autor disponibilize o acesso gratuito no seu site, mas não pode ser a versão final que eles editaram, tem que ser a versão que o autor submeteu.

  • Samuel

    Aaron Swartz morreu por isso

    • Arnoud Arnoud Rodrigues

      Excelente lembrança!

    • A Lhama Fantasma

      Correção, ele se suicidou.

      • Paulo Bernardi

        Não entendi a correção: se ele se suicidou ele não morreu?

  • Tartaruga Mutante

    Como ficam os filtros quanto a qualidade dos artigos? Não que essas publicações garantiam isso mas acho q vale a pergunta.

    • Henrique

      você sabe como são feitas as avaliações dos artigos né? Essas grandes editoras não pagam ninguém pra isto não, apenas enviam os artigos para professores e doutores avaliarem, “de graça” (na verdade funciona como uma troca, para os professores e PhDs é teoricamente vantajoso colocar no currículo que é revisor de um periódico de renome).

    • Theuer

      Simplesmente como é hoje, alguns professores leem e avaliam. A diferença é que agora a avaliação poderá ser colaborativa e se isso tem o lado ruim de existir votos de “opinião” mas também poderá ser ótimo com algo como “votos homologados” feitos por professores, pesquisadores e outras pessoas qualificadas e cadastradas.

  • Bom, o periódico que não concordar com as novas regras pode simplesmente optar por não publicar mais nada da UE, certo? É uma briga para ver que tem mais fôlego. É esperar pra ver.

    • Acho difícil alguém recusar-se a publicar as coisas da Alemanha. Vão perder mais que ganhar.

      • K9s10

        Fico pensando no motor atômico dos Roscosmos. Quem não ia querer publicar algo deles.

  • Rick

    Acho que isso difícil isso acontecer, já que as editoras ainda precisam pagar os servidores onde esses papers estarão alojados e também o serviço de indexação, editoração e manutenção da revista. Tenho medo de que as revistas se tornem todas open access e que tenhamos que pagar para publicar.

    • Henrique

      mas já temos que pagar pra publicar! não entendi seu ponto!

      • Não temos. As revistas que não são open access não cobram para publicar.

        • Rick

          exato!

  • Jefferson Viana

    As vezes os velhinhos da UE acertam, agora basta que façam um processo de avaliações das pesquisas por outras universidades na UE

  • Theuer

    Isso é ótimo mesmo! Quantos as publicações…
    Elas que se virem para continuarem como “referência” em artigos TOP.
    Quem está acostumado com as seleções das publicações continuarão as consumindo.

  • Yskar

    Me surpreende que o próprio estado não tenha um concentrador de artigos científicos.

  • Nilton Pedrett Neto

    Rapaz… eu, enquanto pesquisador, sempre achei um absurdo. O Estado gasta pra caramba pra fomentar a pesquisa, a gente se fode pra fazer as pesquisas e os periódicos ficam com a grana? pára, né?

  • Luís Eduardo

    Sinceramente, não entendo essa discussão sobre os “jornals”. A Science e a Nature são revistas multidisciplinares com muito pouco espaço para áreas que já possuem larga base de publicações próprias. Dão status e visibilidade, mas muito relacionado ao fato de serem conhecidas pelo público leigo e serem “gourmet”. Para ter fator de impacto, um pesquisador pode utilizar a gama de revistas indexadas de sua área. Na AL, no caso da área médica, por exemplo, a indexação pode ser feita pelo antigo Index Medicus, atual Medline e o Lilacs e SciELO, que possui acesso gratuito. Não precisa ser publicado em consagradas revistas gerais para um artigo ter relevância, desde que o journal, além de indexado, seja acompanhado por um mecanismo de controle de qualidade.

  • O “trabalho” sobre o “Banheirão” de Salvador já foi publicado na PLOS One ou em alguma dessas revistas famosas? xD

  • Pelo que vejo, não vai impactar muito nas publicações consagradas, uma vez que todos os artigos estejam disponíveis, os ruins também estarão. Vai acontecer o mesmo que acontece com a citada PLOS one. A nature ainda vai cobrar pra dar acesso a algumas, seu renome vai continuar atraindo pesquisadores e leitores em busca de curadoria.

  • Jorge Dondeo

    Mais uma vez o governo se metendo na livre iniciativa e escolha, e como sempre vai dar merda.

    • Andre

      Em geral concordo, mas quando é preciso quebrar monopólios, não tem outro jeito 🙁

      • Rodrigo Valdez

        Se há monopólio em uma área de livre concorrência é porque alguém está sendo competente demais. E isso não é ruim.

        • Gesonel o Mestre dos Disfarces

          É sim, para quem precisa do produto/serviço.

          • Rodrigo Valdez

            Oi Pedra!

            Dê uma olhada na resposta que dei ao andré e me diga o que acha.

            Obrigado!

          • Gesonel o Mestre dos Disfarces

            Cara, quando você fala que “o monopólio só se forma se o consumidor for beneficiado, e qualquer intervenção estatal neste caso iria prejudicar somente o consumidor”, só me lembra de outro defensor do livre mercado com quem discuti, que alegou que “produtos cancerígenos não vendem”(oi? cigarro?)
            Monopólios se formam quando é conveniente para empresas (assegurar lucro e minimizar custos). Empresas não pensam no bem do consumidor, pensam em vender para ele.

          • Rodrigo Valdez

            Então porque não há mais monopólios?

          • Gesonel o Mestre dos Disfarces

            Vou ali conferir o andamento da fusão da monsanto com a bayer e já te respondo, tudo bem?
            Mas veio uma dúvida: Se monopólios só se formassem caso o consumidor fosse beneficiado, então na sua opinião a formação do estado Juche da coréia do norte foi algo bom?

          • Rodrigo Valdez

            Claro que não, aquilo é o oposto do livre mercado. Há monopólio estatal em tudo.

        • Andre

          Monopólio não é ruim?

          • Rodrigo Valdez

            Oi André.

            Depende.

            Quando o monopólio é induzido pelo estado, como no caso da Petrobrás, é muito ruim sim, pois impossibilita a entrada de concorrentes que ofereceriam produtos mais baratos e/ou de maior qualidade. Os consumidores pagam a conta, pois não podem escolher o produto que mais os agrada, sendo obrigados a comprar daquele único fornecedor.

            Mas quando o monopólio acontece em um ambiente de livre concorrência (o que dificilmente acontece, pois na livre concorrência sempre haverá alguém disposto a ofertar), os consumidores já fizeram a escolha. Dentre todos os fornecedores eles escolherem aquele que se estabeleceu no mercado. A competência deste foi tanta, que não sobrou margem para os concorrentes. Neste cenário os clientes e o fornecedor ganham.

          • Andre

            No mundo capitalista não é bem assim que funciona. Empresas maiores compram menores antes que se tornem uma ameaça as suas práticas e assim continuam ditando as regras. Mercados com monopólios ou cartéis não possuem competição, portanto a qualidade dos serviços/produtos nunca melhora e os preços nunca diminuem.

            Raramente é escolha dos clientes.

          • Rodrigo Valdez

            André, com todo respeito, o que você diz não faz sentido. O mercado da livre concorrência é dinâmico. A toda hora surgem e desaparecem players. Veja o caso das montadoras por exemplo, há pouco tempo as americanas dominavam, hoje já perdem para as japonesas, que estão perdendo mercado para as outras asiáticas.
            A competição não é somente com os concorrentes, mas também com os possíveis entrantes. Se o acesso a novos entrantes é livre, os cartéis e monopólios são toda hora ameaçado por estes.

            No caso de, como você disse, empresas maiores comprando menores, que mal há nisso? Usemos por exemplo o setor das farmácias, que ultimamente têm visto a entrada de grandes players. Se o “joão da farmácia” pode oferecer produtos mais baratos que este grande concorrente, o que o impede de continuar operando? Mesmo que este fosse comprado pelas grandes, o que o impede de abrir uma outra farmácia?

            Mesmo no caso dos cartéis, eles não se sustentam por muito tempo. A atratividade para novos entrantes acaba ficando muito grande e o cartel tende a se implodir.

            O monopólio acaba se tornando praticamente impossível. Você conhece algum monopólio em um mercado de livre concorrência?

          • Andre

            Sim, o mercado é dinâmico porém cada área possui uma dinâmica diferente e o surgimento de novos players não necessariamente representam ameaça para os grandes.

            Um exemplo de Monopólio é a Intel, que devido a sua força chantageava economicante fabricantes de computadores a não usarem processadores AMD.

            Outro exemplo é a Coca-Cola no Brasil que domina amplamente o mercado de refrigerantes, e agora o de bebidas não alcóolicas em geral pois já comprou praticamente todas as fabricantes de sucos e água aromatizada, tendo poder de sobra para cobrar o quanto quiser pelos seus produtos. E isso já faz tanto tempo que achamos normal pagar R$6,00 por uma garrafa de água com açucar.

            Monopólio absoluto obviamente só existe quando temos empresas estatais ou quando um mercado novo é criado, mas quando uma empresa passa a deter a grande maioria de um mercado, passa a ter o poder de ditar as regras e manter sua posição comprando as empresas que surgirem.

          • Rodrigo Valdez

            Mas se a Coca-Cola domina tanto assim, porque ela não cobra R$ 12,00 pela garrafa? E porque os consumidores não escolhem Pepsi, Guaraná ou qualquer outro “refrigereco”? Mesma coisa os processadores.

            Mas o que mais tenho curiosidade é a sua opinião para resolver a situação da Coca-Cola. Você acha que deve haver alguma intervenção estatal no caso da Coca-Cola? E no caso dos processadores?
            Como poderiam ser resolvidos estes casos que você chama de monopólio? Essa solução traria benefícios aos consumidores?

          • Andre

            Tem que ter um equilíbrio e isso incluí estudo do mercado pra saber o quanto o mesmo está disposto e pode pagar. Por exemplo, no Brasil a Coca-Cola (a bebida) é mais cara que os concorrentes e mais cara que água mineral, isso por que o mercado brasileiro permite e aceita, já nos EUA, onde a Coca domina mas tem concorrência forte da Pepsi e Dr. Pepper, os preços são iguais da concorrência e mais baratos que água.

            O motivo da escolha é muito influenciado por Marketing e disponibilidade por contratos. Tenho amigos que são fanáticos por Coca e juram de pé junto que a Coca do Brasil tem o mesmo gosto da dos EUA (não tem, a composição é modificada para cada mercado, como a quantidade de açucar por exemplo), mas estão condicionados a tomar sempre Coca. Quanto à disponibilidade existe um contrato de exclusividade da Coca onde estabelecimentos (restaurantes) que vendem Coca não podem vender Pepsi. É difícil experimentar algo novo quando não existe a opção.

            A resolução do problema… boa pergunta, porém é um caso mais sobre quais mercados precisam ser regulamentados. Acho que não tem muita gente preocupada com monopólio na indústria de refrigerantes, já na indústria do conhecimento (tópico da matéria), a história fica diferente pois é interesse do governo (não do Brasil) difundir conhecimento. O governo, em geral, só vai interferir diretamente quando monopólios afetarem setores estratégicos, para os outros casos existem as leis anti-truste a para os que ela não cobre daí tem que contar com concorrentes fortes o suficiente para processar as companhias maiores.

          • Henrique Crivelli

            Quanto à disponibilidade existe um contrato de exclusividade da Coca onde estabelecimentos (restaurantes) que vendem Coca não podem vender Pepsi

            Esse contrato existe quando no estabelecimento comercial existe uma geladeira da coca-cola. É mais ou menos assim, a coca-cola disponibiliza gratuitamente uma geladeira comercial pra você, e ainda fornece manutenção dela. Muitas vezes, ela também cede a fachada e os móveis do local (mesas e cadeiras), mas em troca, vc deve trabalhar apenas com os produtos que ela fornece. Se você não tiver esse acordo com a coca cola, apenas comprar de um distribuidor e vender sem vínculo, não existe nenhuma limitação.

            A propósito, essa pratica não é apenas da coca cola, mas também da AMBEV, Kibom, Nestlé, e muitas outras (nós te cedemos a geladeira/freezer, damos a manutenção dele, pagamos o luminoso da sua fachada, damos as cadeiras e mesas, mas em troca você só pode vencer os produtos nossos).

            Não existe absolutamente NADA de prejudicial nessa pratica, já que o comerciante tem mais benefícios do que prejuízos.

          • Andre

            Essa não é uma discussão sobre a Coca-Cola, ela foi o exemplo usado.

            Sobre a prática ela é prejudicial pra concorrência. Você acha que a Coca-Cola propõe esse acordo porque ela é uma empresa bacana?

          • OverlordBR

            Sobre a prática ela é prejudicial pra concorrência.

            Exato… mas opa!
            Não era um mercado de livre concorrência? 😉

          • Andre

            Yeap. Livre concorrência desleal 😀

          • Henrique Crivelli

            Mas a concorrência continua sendo livre por parte das empresas, não vai chegar um executivo de uma empresa batendo na sua porta pra te impedir de abrir o seu negócio, no máximo vai aparecer um fiscal do governo fazendo isso pra proteger os monopólios que ele criou (por exemplo correios, cartel de operadoras de telefonia e outros amigos do rei)

          • OverlordBR

            Não existe absolutamente NADA de prejudicial nessa pratica, já que o comerciante tem mais benefícios do que prejuízos.

            Depende.
            Tu, como comerciante, é obrigado a fornecer apenas uma marca em detrimento de outras!
            Claro, pode recusar a oferta mas… opa, mas não era mesmo um mercado de livre concorrência?

          • Henrique Crivelli

            Demorei (um pouco demais) pra ver a resposta, mas de certa forma, se o comerciante não quiser a exclusividade de venda da coca cola (ou de qualquer outra), é simples: ele compra uma geladeira dele mesmo e se vira com manutenção, reposição de estoque e etc. A obrigatoriedade é apenas um contratempo perto das vantagens que ela oferece (por exemplo, se algum defeito na geladeira causar a perda do estoque, a empresa te repõe sem custo. Se tratando por exemplo de um freezer da kibom, que esteja completamente carregado, imagine o custo de reposição do comerciante caso ele não tenha essa garantia da empresa)

          • OverlordBR

            Outro exemplo é a Coca-Cola no Brasil que domina amplamente o mercado de
            refrigerantes, e agora o de bebidas não alcóolicas em geral pois já
            comprou praticamente todas as fabricantes de sucos e água aromatizada,
            tendo poder de sobra para cobrar o quanto quiser pelos seus produtos.

            Exemplo perfeito!

            Ou seja: com o dinheiro que a Coca Cola conseguiu em um mercado, ela criou monopólios próprios em vários outros.
            E, ao contrário da visão idílica do Rodrigo Valdez, não foram os consumidores que escolheram os produtos da Coca Cola nestes outros mercados. 😉

          • OverlordBR

            Dentre todos os fornecedores eles escolherem aquele que se estabeleceu no mercado

            Não.
            Monopólios podem ser criados via fusões também. 😉
            Logo, não foi escolha do “consumidor”.

          • Rodrigo Valdez

            OK, empresas podem se fundir. Mas com que objetivo? Reduzir custos para cobrar menos? Isso é ruim?

            E se o objetivo for criar um monopólio para poder aumentar artificialmente as margens de lucro, isso só aumentaria a atratividade para novos entrantes. Logo surgiriam novos concorrentes dispostos a cobrar menos pelo mesmo produto.

            A questão é: o monopólio só se forma se o consumidor for beneficiado, e qualquer intervenção estatal neste caso iria prejudicar somente o consumidor.

          • OverlordBR

            OK, empresas podem se fundir. Mas com que objetivo? Reduzir custos para cobrar menos? Isso é ruim?

            Fusões, incorporações praticamente nunca são para beneficiar o consumidor e sim as empresas.

            E se o objetivo for criar um monopólio para poder aumentar
            artificialmente as margens de lucro, isso só aumentaria a atratividade
            para novos entrantes.

            Não, não aumentaria a atratividade para novos entrantes: ao contrário,

            a competição seria mais injusta.
            Competir com concorrentes de mesmo nível e poder econômico é facil… competir com grandes corporações, não.

            Logo surgiriam novos concorrentes dispostos a
            cobrar menos pelo mesmo produto.

            Um novo concorrente no mercado, tendo que competir contra um grande monopólio, cobrar menos?
            “Isto non ecxiste!”

            Para fazer isto, ele tem que ter o mesmo poder econômico, capacidade de produção, custos que a grande corporação controladora do mercado.

            A única forma de um novo concorrente entrar no mercado cobrando menos é… via aquisições de empresas existentes que atuem neste mercado. 😉

            Obs: cobrar menos por um período de curto tempo é uma coisa.
            Manter este valor de cobrança baixo, é outra beeeeeeeeem diferente.

          • Rodrigo Valdez

            Um riponga fedorento nos EUA cria a Apple, empresa que em poucos anos desbanca a maior do mundo, a IBM. Anos mais tarde essa empresa divide o mercado dos telefones celulares, uma vez dominado por Ericson, Motorolla (que inventou os celulares) e Nokia, com a Samsung.

            Soichiro Honda, fundador da Honda, era aprendiz de mecânico. Começou a fornecer peças para Toyota e hoje é uma das maiores montadoras do mundo.

            A Subway hoje está na cola do McDonalds, que nadava de braçadas no mercado de franquias.

            Antônio Luiz Seabra começou com a Natura quando a Avon era a empresa que tinha praticamente o monopólio das vendas diretas (aquela venda por catálogo direto ao consumidor) de cosméticos.

            Samuel Klein, imigrante que chegou no Brasil com uma mão na frente e outra atrás, fundou as Casas Bahia e dominou o mercado que era da Prosdócimo, Móveis Brasília, Mappin, Arapuã entre outras.

            Henry Ford ficou bilionário vendendo carros mais baratos. Hoje a Toyota vende mais que as americanas porque consegue fabricar e vender por um preço menor.

            Rolim Amaro começou como piloto (vendeu uma lambreta para pagar o curso) de uma empresa como taxi aéreo, fundou a TAM. Hoje Varig e VASP estão falidas.

            A Kodak e a Fujifilm praticamente não existem mais, o mercado fotográfico mudou e elas não.

            Blackberry dominava o mercado de smartphones corporativos.

            Yahoo! era uma gigante da internet, dois jovens fundaram a empresa que hoje domina o mercado.

            Facebook desbancou o Orkut, do Google.

            São pouquíssimas as empresas que existiam há 30 anos e ainda estão no mercado.

            Todos os dias milhares de empresário acordam e pensam em como ganhar dinheiro atendendo melhor o mercado, seja com qualidade, seja com preço.

          • OverlordBR

            Todos os dias milhares de empresário acordam e pensam em como ganhar
            dinheiro atendendo melhor o mercado, seja com qualidade, seja com preço.

            Em um mundo idílico como o teu, isto é verdade. 😉

          • Rodrigo Valdez

            Mas e os exemplos que citei? E Henry Ford? E a Toyota? Todos os bens que há cem anos atrás não eram acessíveis à maioria da população e hoje são comuns. Tudo isto é idílico?

          • Rodrigo Valdez

            E os exemplos citados? O que são?

        • OverlordBR

          Se há monopólio em uma área de livre concorrência é porque alguém está sendo competente demais.

          Nem sempre. .

          Talvez, em um mundo idílico, onde todos fossem honestos e não houvesse tanta disputa por poder e lucro,
          tua frase fosse verdade.

        • paulocesar

          Estava acompanhando rapidamente a discussão, antes do horário de almoço acabar, e queria fazer uma pergunta honesta, não se ofenda.

          Como o pessoal liberal arruma tanto tempo para entrar em discussões tão longas e detalhadas? Seu trabalho é bem tranquilo ou essas discussões ideológicas fazem parte do trabalho?

          ps: eu discordo um pouco da sua posição, mas não tenho tempo de entrar em detalhes, só queria lembrar o caso anti-truste da Microsoft. Quando uma empresa é grande o suficiente, a escolha do consumidor as vezes é inexistente, porque seu concorrente é morto antes mesmo de se apresentar como possível escolha, vide a Be Inc.

          • Rodrigo Valdez

            Do mesmo jeito que todos aqui.

      • Jorge Dondeo

        Concordo em partes, como diria Jack o Estripador.

  • “Como funciona hoje? O pesquisador se mata de trabalhar e estudar para
    produzir sua pesquisa, e trabalho realizado, é preciso publicá-lo.”
    Hmmm, não é bem assim. faz tempo que Ciência também virou um negócio e existe muita disputa por Poder. Grupos de pesquisadores, sem muito escrúpulo, publicam qualquer coisa, na maior parte das vezes visando muito mais a polêmica do que a geração de conhecimento científico. Por que vale aqui o fale bem ou mal, mas fale de mim. A ideia a atrair a atenção e, com ela, mais verbas, fama, etc..

    Então, como separar o joio do trigo? Existem esses indexadores, com seus parâmetros que podemos concordar ou não, mas que servem justamente para tentar FILTRAR o que é realmente Ciência do que é pura estratégia de marketing disfarçada de artigo científico.
    Alias, essa conversa toda está me lembrando da Copa do Brasil, não sei porque… Alguma memória vinda do subconsciente, talvez…

    • Uriel Dos Santos Souza

      você sabe como são feitas as avaliações dos artigos né? Essas grandes editoras não pagam ninguém pra isto não, apenas enviam os artigos para professores e doutores avaliarem, “de graça” (na verdade funciona como uma troca, para os professores e PhDs é teoricamente vantajoso colocar no currículo que é revisor de um periódico de renome).

      Basta continuar com isso.
      Mas de forma mais aberta 🙂

      • Não sabia disso, não, e acabaram de me cair os butiás do bolso. 🙂

    • Lui Spin

      Lembrei da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, no seu primeiro parágrafo.

  • Vin Diesel

    No Brasil é só mandar olhar na internet.

  • Gesonel o Mestre dos Disfarces

    Defensores das idéias de Ludwig von Mises tem a OBRIGAÇÃO MORAL de ser contra a UE.
    Estamos de olho.

  • OverlordBR

    Antes tarde do que nunca!

  • Tiago Morais

    Os periódicos sobrevivem às custas do material produzido pelos pesquisadores. Cobrar pela visualização de um artigo é algo válido se considerarmos os custos de disponibilização do material na internet, estou falando de centavos, e o fato do pesquisador não ter retorno financeiro NENHUM é um absurdo completo.

  • Gustavo Di Giovanni Bernardo

    Parabéns ae pelo post. Antigamente esse modelo de negocio era a única maneira de avaliar e divulgar um paper (e assim criar uma panelinha pesquisas). Agora com o Sci-hub e outros é muito mais fácil avaliar diversos papers, pela quantidade de downloads e avaliações de outras pessoas! Realmente ótima iniciativa

  • The Nigga On The Streets

    Até que enfim o óbvio virou consenso na Europa. Viva o conhecimento livre.

  • Anderson Lara

    Os fins não justificam os meios. Quem quer não quer liberar o acesso público, tem o direito de não liberar o acesso público. Ninguém deve ser escravo de ninguém, nem e muito menos do coletivo. Há um problema para pesquisadores e para o público em geral. Mas eles não são obrigados a pagar para publicar, nem são obrigados a publicar onde cobram dos leitores. Publicam por vontade própria.

    São “obrigados” pelas circunstâncias. Ou seja, não há nenhum crime ou imoralidade ai. Apenas uma situação desfavorável. A solução deve respeitar os direitos individuais. Seria muito melhor a comunidade científica encontrar uma alternativa, ou a União Europeia fornecer uma alternativa, ao invés de obrigar as partes a cederem, o que é uma violação de liberdade.

  • Pingback: Artigos científicos serão totalmente liberados na União Européia até 2020 | Rafael Reinehr | Escrever por Escrever()

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