Rodrigo Ghedin 16 anos atrás
Desde a popularização do Napster/MP3, a indústria fonográfica tenta encontrar uma forma de conter a pirataria e lucrar em ambiente digital. A concorrência com a pirataria, no campo musical, é ferrenha, e mesmo com iTunes Store, 7digital e outras lojas fazendo bonito na comercialização de canções, o índice de pirataria ainda é gigantesco.
Rob Dickins, ex-chefão da Warner Bros. do Reino Unido e da BPI, equivalente inglês da americana RIAA, diz ter a solução: álbuns sendo vendidos a £ 1,00. O valor, que hoje dá para comprar uma música, segundo Dickins, é a solução para o problema, pois torna a compra de músicas um ato impulsivo, "descerebrado", segundo ele.
Hoje, com álbuns sendo comercializados por ~£ 7,00 (algo em torno de R$ 18,00), as pessoas ficam com um pé atrás, pensam muito antes de fazerem uma aquisição, e se ficarem entre dois álbuns, geralmente levam apenas um. Com valores baixíssimos, esse mesmo consumidor compraria os dois álbuns sem pensar, afinal, o baixo custo incentiva o consumo. É a velha fórmula de lucro na quantidade.
A declaração de Dickins foi rechaçada por músicos e executivos de gravadoras. Disse um músico não identificado pelo Ars Technica (fonte da nota):
"Hoje, se você compra uma garrafa de água, ela custa £ 1,00. Uma música é uma forma de arte valiosa. Se você quer que a pessoa a respeite e a valorize, ela precisa custar não um valor exorbitante, mas um valor significativo".
Paul Quirk, à frente da Entertainment Retailers Association, acusa Dickins de ter essas ideias hereges por já ter lucrado muito no passado, quando CDs eram vendidos a £ 14,00, e hoje não precisar mais dessa fonte de renda.
Respondendo às críticas, Dickins levantou outra sugestão bacana: apostar, no meio físico, em diferenciais para os fãs de carteirinha. Em vez de vender as músicas num CD, e só, acrescentar extras, como a banda Nine Inch Nails faz com o álbum Ghosts I-IV.