Emanuel Laguna 8 anos atrás
E o povo da PC Master Race continua procurando pelo em ovo. Desta vez encontraram cabelos. Ou os perderam de vista.
O povo lá no Reddit começou a notar que as corridas de Project CARS tinham desempenho melhor quando o computador estava equipado com placas de vídeo GeForce, mesmo quando tinham um AMD (Radeon) mais potente. O culpado seria a engine do jogo, trabalhada em cima de uma versão do PhysX que não roda bem em GPUs AMD.
A desenvolvedora Slightly Mad esclareceu que o Project CARS não foi patrocinado pela nVidia e que o jogo de corrida não é um produto que utilize a tecnologia GameWorks. Pois bem, agora outro game recente parece ter tido problemas gráficos apenas com hardware AMD.
Os cabelos do Geralt têm gerado polêmica (crédito: Ars Technica)
The Witcher 3: Wild Hunt, embora tenha sido lançado para os consoles de 8ª geração (que possuem somente hardware AMD), é um jogo que usa várias das tecnologias proprietárias do nVidia GameWorks, mais especificamente o HBAO+ e o HairWorks.
Marcin Momot, um desenvolvedor da CD Projekt Red, disse em entrevista que:
“Um desempenho insatisfatório pode acabar acontecendo, pois o código não foi otimizado para os produtos AMD. Usuários das GPUs Radeon devem desabilitar o nVidia HairWorks caso a performance do The Witcher 3 esteja abaixo das expectativas.”
Ou seja: se você tiver uma placa de vídeo Radeon, já esteja avisado que os cabelos dos personagens e pelos dos monstros vão ficar feios, menos foto-realistas que nas máquinas com GeForce. Sabe o que é irônico?
Em 2013, o então recente Tomb Raider usava o TressFX, uma tecnologia da AMD para melhorar o visual dos cabelos da protagonista Lara Croft. Aqui uma demonstração:
http://www.youtube.com/watch?v=HvHq4JIcneYGameKiller — Tomb Raider TressFX Hair: ON & OFF Comparison (HD 1080P)
Para um leigo, parece bastante semelhante ao HairWorks da nVidia. Olha só:
nVidia GameWorks — nVidia HairWorks
Só tem um porém nessa história toda do Project CARS e The Witcher 3: além de o HairWorks não funcionar tão bem assim no próprio hardware nVidia, a AMD reconheceu que seus drivers têm tido bugs gráficos com tais jogos recentes e promete consertar isso na versão final do Catalyst 15.5.
De quem é a culpa, então?
Exatamente um ano atrás, a polêmica era com o Watch Dogs, onde a Ubisoft teria dado preferência às tecnologias da nVidia. É triste ver que as editoras aceitam esse tipo de acordo, onde os desenvolvedores de jogos são estimulados a otimizarem os games para esta ou aquela placa de vídeo, minando o poder de escolha do consumidor no PC. Dinheiro é dinheiro. Se fosse a AMD a empresa dominante, provavelmente faria o mesmo.
O mercado de processadores gráficos dedicados (do inglês “discrete GPU”) infelizmente se resume à AMD e nVidia. Mesmo a riquíssima Intel evita entrar em tal mercado e prefere no máximo se focar em GPUs low-end integradas aos seus processadores centrais. Engraçado que a AMD diz que vai se focar em CPUs de alto desempenho, mas nas GPUs ainda vemos uma luta pelo menor custo: a empresa não tem produtos super topo de linha que sirvam de vitrine.
Comparação de preços entre GPUs high-end (1º trimestre de 2015) | ||
AMD | preço | nVidia |
— | US$ 2.999 | GeForce GTX Titan Z |
— | US$ 999 | GeForce GTX Titan X |
Radeon R9 295X2 | US$ 699 | — |
— | US$ 550 | GeForce GTX 980 |
Radeon R9 290X | US$ 350 | — |
— | US$ 330 | GeForce GTX 970 |
Radeon R9 290 | US$ 270 | — |
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São poucos os malucos que compram uma GeForce Titan X ou mesmo a Titan Z, três vezes mais cara, mas tais placas de vídeo extremas servem como vitrine das aceleradoras mid-end, com preços mais em conta. É para isso que essas parrudas realmente servem. E também para deixar os cabelos mais bonitos.