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AMD versus Intel: Bobcat tentará colocar fim na “era Atom”

PCI-SIG libera as especificações finais do PCI Express 3.0 e a AMD, uma das integrantes desse seleto clube, mostra o motivo pelo qual está a desenvolver drivers open-source para as GPUs Radeon HD: as primeiras APUs Fusion estarão nos net e notebooks até o final do mês!

9 anos atrás

Coisa chata é ficar preso no carro durante um congestionamento de trânsito: você tem pressa para chegar a um lugar, que normalmente está a 10, 15 minutos de distância, só que o engarrafamento próximo do destino te deixa parado por mais de meia hora.

Laguna_PCIExpress3_23nov2010

O órgão público responsável pelo trânsito na cidade, a prefeitura, até alarga a avenida o máximo que pode, mas a situação só parece melhorar com a construção de uma via expressa, onde até o limite máximo de velocidade foi sensivelmente aumentado.

Algum empresário aproveita tal via expressa para promover um enorme centro comercial numa via arterial próxima. Não demora muito para que o aumento no número de veículos faça com que o antigo congestionamento volte…

O PCI-SIG, uma “prefeitura” responsável pelo “trânsito” nos microcomputadores, atrasou as obras da nova via PCI Express em um ano: a terceira versão deveria ter sido finalizada em 2009, mas só agora o foi.

O PCI Express 3.0 tenta antecipar possíveis congestionamentos nos microcomputadores, causados pelo aumento da demanda por algumas das novas interfaces de hardware, como:

  • USB 3.0 (5 Gb/s teóricos, 400 MiB/s na prática);
  • SATA-600 (6 Gb/s, aproximadamente 600 MB/s ou 572 MiB/s);
  • Light Peak (10 Gb/s, quase um gigabyte por segundo na fibra óptica!);
  • Ethernet 10GBASE-T (também 10 gigabits por segundo, só que no cabo cat. 6A e conectores RJ45).

Cada pista da estrada PCIe 3.0 consegue transferir dados à taxa de 8 Gb/s, o que sob a codificação 128b/130b nos dá 940 MiB/s. Para efeitos comerciais, digamos que isso é um gigabyte por segundo: supondo que uma futura placa de vídeo utilize uma completa estrada PCI Express 3.0, com todas as 16 pistas a que tem direito, teríamos 16 GB/s teóricos (são 14,5 GiB/s na prática)!

Só lembro que o PCIe 3.0 é retrocompatível, ou seja, quaisquer dispositivos veteranos PCIe 1.0 ou 2.0 podem ser reutilizados no novo padrão, embora não se aproveitem da maior velocidade.

Laguna_AMDZaFutureF_21abr2010

Por falar em compatibilidade, a AMD (uma das integrantes do PCI-SIG) simplesmente acabou com uma “lenda” que rondava a ATi no ambiente GNU/Linux:

Nas distribuições Linux mais recentes, as Radeon HD (a partir da série 2000) possuem drivers tão competentes quanto os anteriormente disponibilizados pela nVidia para os seus processadores gráficos GeForce.

E isso tem um bom motivo: o Fusion.

Laguna_AMD_GameEvo_30nov2010

Os drivers open-source do Ontario serão inclusos logo na versão 2.6.38 do kernel, que será lançada ainda antes do início de 2011.

Aliás, pegaria muito mal se a empresa de Sunnyvale lançasse um primeiro produto oriundo do Fusion (plataforma Brazos, destinada a portáteis) e ele tivesse um péssimo suporte no GNU/Linux.

Por falar nisso, o tio Laguna lembra a alguns desinformados fãs da nVidia que a querida camaleão verde de Santa Clara está num processo inverso ao da AMD, ao fechar o suporte open-source das GeForce para supostamente proteger sua propriedade intelectual: processadores gráficos baseados no Fermi (e futuros!) terão suporte GNU/Linux apenas nos drivers proprietários.

Voltando ao assunto do presente post, Ontario é o codinome da barata APU Fusion para netbooks: serão uma ou duas CPUs Bobcat a no máximo 1,2 GHz e uma bela GPU DirectX 11 (Radeon HD 6250, um Stream Cluster) a 280 MHz, esta capaz de rodar vídeos em 1080p devido ao UVD 3 incluso. Todas essas novidades (o suporte ao PCIe 1.0 não é bem uma…) da AMD+ATi estão num único chip com 75 mm² de área, litografado a 40 nm pela TSMC e possuindo TDP de meros 9 watts.

Além de netbooks, a AMD planeja outros usos para suas futuras APUs (Krishna e Wichita, 28 nm, previstos para 2012): tablets, PCs ultraportáteis e (por que não?) smartphones. Para facilitar o futuro suporte, a empresa verde de Sunnyvale aliou-se à rival Intel no MeeGo, aquele sistema operativo open-source para portáteis com a participação ativa da japonesa finlandesa Nokia.

O detalhe interessante é saber que os chips da plataforma Brazos, Ontario (AMD C-50 e AMD C-30) e Zacate (AMD E-350 e AMD E-240), já foram enviados aos fabricantes de netbooks e laptops: o mundo terá outras boas opções da AMD para os portáteis ainda a tempo para o Natal!

Laguna_ZacateSpec_29nov2010

Zacate é o codinome da APU Fusion para notebooks: ele é a versão completa e funcional (PCIe 2.0, CPUs a 1,6 GHz e GPU Radeon HD 6310 a 500 MHz) do chip, possuindo o dobro do TDP previsto no Ontario, 18 W.

Ao colocar o Zacate em ação (a versão de duplo núcleo, AMD E-350), o Anandtech obteve um desempenho bem melhor que o Atom D510: a APU da AMD consegue 90 % do desempenho típico de um Athlon 64 (K8) para desktops, embora perca tanto para o Nano da VIA quanto para o Pentium Dual Core, um modelo de baixo custo da Intel baseado no lendário Core 2.

Óbvio que tanto o Ontario quanto o Zacate não foram feitos para jogar, mas o Tech Report não prestou atenção a esse detalhe e colocou diversos títulos atuais para testar o AMD E-350: Call of Duty 4 Modern Warfare, Far Cry 2, Colin McRae DiRT 2, Left 4 Dead 2, Just Cause 2 e Alien Swarm. Opto por não citar os números da Intel, em respeito aos fãs das GMAs, mas a surra na plataforma inteiramente Intel foi pornográfica, de tão violenta: com o Zacate E-350 ao menos dá para saber como são os jogos, obtendo um desempenho entre 7 a 36 fotogramas por segundo neles.

Quem conseguiu jogar alguma coisa no AMD E-350 foi o Legit Reviews, que colocou os Terrans de Starcraft II Wings of Liberty em ação: conseguiram mais de 50 fps, em resoluções acima de 720p, embora tenham sacrificado a qualidade das texturas e iluminação para isso.

O tio Laguna só consegue concluir o seguinte: a AMD parece ter feito bom trabalho no segmento portátil, mas quero ver como o Bulldozer se comportará diante das CPUs do Sandy Bridge, o futuro processador central desktop da Intel, que já terá a GPU na mesma pastilha de silício em TODOS os modelos.

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