Ronaldo Gogoni 1 ano atrás
A internet é para pr0n, disso todo mundo sabe. O que também é consenso, todo e qualquer movimento de barrar ou dificultar o acesso a conteúdo adulto é inútil. A sacanagem é a mola-mestra da humanidade, e o usuário VAI dar um jeito.
Alguns estados dos Estados Unidos, da porção sul do país, passaram ao longo dos últimos anos leis para exigir que sites adultos identifiquem todos os usuários, e coletem e armazenem dados sensíveis dos mesmos. O Aylo, dono do Pornhub e vários outros sites XXX populares, decidiu que não se submeterá a nenhuma delas, e passou a bloquear seus domínios nesses estados; o mais recente a entrar na lista foi a Flórida.

Quase todos os estados do sul dos EUA implementaram leis de identificação de usuários de sites pr0n (Crédito: Freepix)
O Aylo, antes conhecido como MindGeek, é uma companhia canadense que opera diversos sites pr0n de formato freemium, com conteúdo amador livre e produções originais pagas, como Pornhub, YouPorn, RedTube e outros, e redes premium (de acesso restrito a assinantes) como Brazzers, Mofos, e Digital Playground.
A empresa vem comprando uma briga com legisladores dos estados mais ao sul dos EUA, quando estes começaram a aprovar leis de identificação de usuários em sites adultos. Resumindo a história, assim como o Reino Unido fez, o acesso só deverá ser liberado mediante apresentação de um documento de identificação válido, no intuito de impedir menores de idade de verem o que não devem (mas eles veem mesmo assim).
O que políticos não entendem, ou ignoram, é que o pr0n, assim como a vida, sempre encontra um jeito. No caso do Reino Unido, o filtro ativo foi tão mal implementado, que saiu bloqueando sites de notícias como o Ars Technica, de ONGs como a EFF, e até educativos (nos dois sentidos) e domínios do próprio governo. Sem contar que os próprios legisladores britânicos foram pegos acessando pr0n.
A ideia britânica, que continua em vigor, é trabalhar com o constrangimento dos usuários, barrar menores E forçar adultos a pararem de consumir pr0n, já que o cidadão é obrigado a solicitar o desbloqueio junto à sua operadora. Claro, ignoraram completamente as VPNs, que os políticos também não curtem.
As leis dos sulistas americanos não chegam a tanto, mas teriam sido implementadas também de qualquer jeito, diz o Aylo. Os representantes que aprovaram as regras vigentes nos estados de Arkansas, Idaho, Indiana, Kansas, Kentucky, Mississippi, Montana, Nebraska, Carolina do Norte, Oklahoma, Texas, Utah, Virgínia, e agora Flórida, exigem que operadoras e sites armazenem dados de identificação desses usuários, por padrão ultrassensíveis, expondo-os a brechas de segurança caso os web masters não façam seu trabalho.
Ao mesmo tempo, o Aylo afirma que as leis não protegem menores, pois estes sabem usar VPNs, ao invés disso, restringem a liberdade de acesso dos adultos, o que inclusive rendeu uma ação junto à Suprema Corte, atualmente em curso e contra o estado do Texas, por violação da Primeira Emenda.
Como esses estados aprovaram e implementaram suas leis sem consultar os sites, o Aylo e outras empresas fizeram o que acharam melhor, e bloquearam seus domínios neles todos. Os cidadãos da Flórida são os mais recentes a tentarem acessar o Pornhub, e darem com o nariz na porta.
Em nota, o Aylo diz que apoiou por anos legislações que implementem sistemas de identificação em sites adultos, mas da maneira correta, voltados a bloquear menores, ao invés de cercear adultos, pagantes ou não, muitos menos para expor dados sensíveis, como número social e dados de cartões de crédito, armazenando-os em bancos de dados que sabe lá se são seguros (dependendo do site, provavelmente não).
Sem contar que, como dito no início do artigo, quem quer vai dar o seu jeito: um relatório recente da vpnMonitor, uma companhia de análise, pesquisa de dados e cibersegurança, revelou que o uso de VPNs no estado da Flórida, desde que a lei entrou em vigor às 00:00 do dia 1.º de janeiro de 2025 (22:00 de 31/12/2024, horário de Brasília), aumentou 1.150%. É o maior índice por estado, superando o recorde que era de Utah, que anotou um aumento de 967%, na virada de 2023.
O interessante dessa história é que, em todos os estados em que acesso livre ao pr0n foi barrado, o uso de VPNs disparou; assim como aconteceu no Brasil, toda vez que um app de mensagens, ou uma rede social foi bloqueada por ordem judicial, os usuários médios mais do que rápido aprenderam a usar toda e qualquer ferramenta para contornar as barreiras, por se recusarem a ficarem sem o Zap Zap, o Tuinter, ou (principalmente) o pr0n.
O processo do Aylo contra o Texas não tem data para ser julgado; legisladores do estado alegam que sites pron têm como verificar a idade de usuários, da mesma forma que o fazem com criadores de conteúdo amadores em suas redes, enquanto o outro lado alega que tal medida entra em conflito com liberdades individuais, que os americanos defendem com unhas e dentes, às vezes levando a desenvolvimentos... estranhos.
Fonte: 404 Media