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USB-C como porta universal é agora obrigatória na UE

UE define USB-C como porta padrão para carregamento em gadgets; USB-PD e venda de dispositivos sem carregadores fazem parte de diretiva

1 ano e meio atrás

Em novembro de 2022, a União Europeia (UE) aprovou uma diretiva, que entrará em vigor neste sábado (28), obrigando os fabricantes de inúmeros gadgets, incluindo smartphones e tablets, a adotarem o USB-C como porta de carregamento universal. As novas regras também incluem o uso do USB-PD, e o fim da venda de carregadores com dispositivos novos, para reduzir a geração de lixo eletrônico.

A Apple, que se recusava a abrir mão de sua porta proprietária Lightning, por esta lhe render muito dinheiro com comissões de produtos compatíveis certificados, não conseguiu, mais uma vez, vencer a Comissão Europeia, como todo mundo sabia que aconteceria.

Cabo USB-C (Crédito: denvit/Pixabay)

Cabo USB-C (Crédito: denvit/Pixabay)

UE define USB-C como porta universal

Os primeiros movimentos da UE para padronizar as portas de carregamento de dispositivos eletrônicos começaram em 2018, sem muita surpresa, através dos então comissários Margrethe Vestager (Inovação, também VP executiva da CE), e Thierry Breton (Mercado Interno), dois dos maiores desafetos das big techs. A proposta de uma nova diretiva (cuidado, PDF) foi apresentada em 2021, e desde o início, a Apple se posicionou contra.

Tal proposta era simples e direta, todos os dispositivos móveis vendidos na UE, que atinjam até 100 W de potência durante o processo de carregamento com fio, passariam a ser obrigados a usar a porta USB-C como o único padrão aceito no continente, e a gambiarra de incluir adaptadores, que a maçã usou no passado, não mais seria aceita.

A recusa de Cupertino em migrar para o USB-C era simples: sendo a porta Lightning proprietária, fabricantes de acessórios, cabos e carregadores alternativos precisavam homologar seus produtos junto à Apple, que os certificava e recolhia comissões sobre as vendas; ao adotar o padrão aberto, controlado pelo consórcio USB-IF, a grana pararia de entrar.

Apple defendia que a porta Lightning "estimulava a inovação", e que a troca levaria a uma busca por novos cabos e carregadores para serem usados com o iPhone, mas não teve conversa. A proposta foi aprovada, agora está entrando em vigor, e a maçã, muito a contragosto, foi forçada a matar o conector e os cabos dedicados, pois era isso ou deixar de vender seus produtos na Europa.

A diretiva 2022/2380, popularmente conhecida como "Solução para Carregamento Universal", afeta smartphones, tablets, controles de videogame, e-readers, consoles portáteis, caixas de som Bluetooth, câmeras digitais, fones de ouvido e headsets (de arco ou interauriculares, carregados em cases via cabo), teclados, mice, sistemas de navegação portáteis (GPS veiculares, por exemplo), monitores portáteis, etc.

As regras exigem a inclusão de uma porta USB-C para carregamento em todos, e a única exceção por enquanto são laptops, mas estes também deverão adotar a porta universal posteriormente, a partir de 28 de abril de 2026. Deste sábado em diante, os fabricantes não mais poderão enviar novos produtos com portas proprietárias, ou com a famigerada microUSB, para as lojas.

Bye bye, porta Lightning (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Bye bye, porta Lightning (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A rede varejista será permitida vender o estoque que já possui de dispositivos com as portas não padronizadas, até o fim dos estoques, mas o mais esperado de acontecer é que os lojistas encerrem a oferta dos mesmos, e negociem devoluções com os fabricantes, ou entubem o prejuízo, para não arriscar uma violação da diretiva, ou mal-entendidos junto aos consumidores.

"Sem carregador para você!"

A diretiva também estabelece regras para a comercialização dos carregadores, e como os dispositivos são carregados. O protocolo USB-PD (de Power Delivery) passa a ser o padrão em todo o bloco, e a Qualcomm é forçada a implementar compatibilidade total com seu Quick Charge proprietário, em sentido de mão dupla, o que passou a ser feito na versão 4.0.

Gadgets deverão trazer, estampada na caixa, informações sobre os valores mínimos e máximos, em Watts, de energia que são capazes de receber para que o processo de carregamento seja iniciado; os fabricantes também deverão informar se seu produto é compatível com o USB-PD.

Ao mesmo tempo, novos gadgets não serão obrigados a incluir novos carregadores na embalagem, algo que várias empresas, como Apple, Samsung e outras, já fazem; não se trata de uma proibição total, mas de um "incentivo" aos fabricantes para minimizarem a produção de e-waste, de modo a educar os usuários a usarem os carregadores que já possuem. As embalagens de novos dispositivos também deverão trazer informações sobre se o carregador está incluído, ou não.

Por fim, a nova diretiva também estabelece total interoperabilidade entre dispositivos e carregadores, para que todo gadget reconheça qualquer cabo, ou carregador ao qual for conectado, e não pode depreciar o processo em prol de suas próprias soluções, como a Apple adora fazer. Os produtos que não se adequarem terão suas vendas proibidas em todos os países-membros da UE.

Quem não tiver um carregador compatível em casa terá que adquirir um à parte, ou observar bem as caixas dos novos gadgets (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Quem não tiver um carregador compatível em casa terá que adquirir um à parte, ou observar bem as caixas dos novos gadgets (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A diretiva tem algumas brechas, por exemplo, não define em que categoria os drones se encaixam, e por consequência, eles estão até o momento isentos de seguir as novas regras; o carregamento wireless também não foi incluso e por consequência, não obedece às determinações, embora as bases de carregamento sejam obrigadas a usarem o USB-C como conector.

Por enquanto, a Comissão Europeia diz que promoverá a "harmonização" dos padrões, para "evitar a fragmentação" do mercado interno, e impactos negativos no Meio Ambiente; tais deliberações podem tomar qualquer rumo, onde especialistas acreditam que levará a uma expansão da regulação, de modo a padronizar padrões e frequências de carregamento sem fio, para os gadgets compatíveis conversarem com todos os carregadores do mercado.

A meta da UE é educar o cidadão, e forçar os fabricantes a se adequarem, para que os consumidores adotem a ideia de "um só carregador para todos os gadgets", e os países-membros serão encarregados de aplicar as regras em seus territórios, o que inclui multas e punições da maneira que acharem melhor, como forçar a retirada de produtos infratores das lojas. Agora, como o mercado e os consumidores responderão às novas regras, o tempo dirá.

Fonte: The Verge

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