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Momodora: Moonlit Farewell — um adeus aconchegante

Momodora: Moonlit Farewell, 5.º e último capítulo da série criada pelo brasileiro rdein, é um Metroidvania que sai pouco da zona de conforto

29/01/2024 às 11:10

Momodora: Moonlit Farewell é o quinto e último capítulo da série de games criada pelo desenvolvedor goiano Guilherme "rdein" Martins. Esta aventura traz novos personagens e inimigos, ainda na temática de sacerdotisas mágicas que protegem seu mundo das forças do mal.

Moonlit Farewell, assim como seus antecessores, faz uso de diversas convenções do gênero Metroidvania, mas sem ousar ou inovar muito, a fim de ser um jogo mais fácil e acessível, para atrair quem não jogou os demais títulos da franquia.

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Divulgação/Bombservice/PLAYISM)

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Divulgação/Bombservice/PLAYISM)

Por quem os sinos dobram

A história de Moonlit Farewell se passa 5 anos após os eventos de Momodora III. Momo Reinol, uma das sacerdotisas da vila de Koho, protagonista do segundo game da série e selecionável no terceiro, recebe a missão de repelir uma invasão de demônios que ameaça o mundo inteiro, e para isso, ela precisa recuperar o sino usado para invocá-los.

Momo é a única personagem controlável, mas ela conta coma ajuda de Cereza, que é capaz de incrementar suas habilidades; o game também traz de volta Isadora "Dora" Doralina, a heroína do primeiro Momodora, e também selecionável em Momodora III, mas aqui ela é apenas um NPC.

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Em comparação à prequel Momodora: Reverie Under the Moonlight, lançada em 2016 e o quarto game da franquia, Moonlit Farewell é menos punitivo, tendo sido desenvolvido para agradar quem está chegando agora; da mesma forma, o enredo foi amarrado para que novatos curtam a narrativa sem problemas, ainda que o jogo faça referência aos anteriores aqui e ali.

Não aprendi dizer adeus

A Bombservice, desenvolvedora de rdein que conta com profissionais espalhados pelo mundo, é a responsável pelos três games mais recentes do dev brasileiro, que programou e publicou Momodora I, II e III sozinho (você pode baixar os dois primeiros no itch.io, de graça); além deste e de Reverie Under the Moonlight, o estúdio lançou em 2019 o spin-off Minoria.

Em comparação a Reverie, Moonlit Farewell é um jogo mais simples, com uma dificuldade menor, mas com foco grande na exploração e combate. Momo pode usar ataques com folhas, disparar flechas e se esquivar as investidas inimigas, e os comandos são ágeis e simples de executar. As batalhas contra os chefes, que continuam sendo o ponto alto do desafio, são desafiadoras, mas não enervantes, e com prática, é possível superar os desafios.

Os visuais das fases, dos chefes e dos personagens continuam belíssimos, em uma arte pixelada que se tornou a marca registrada da série, que é bem próxima do clássico Cave Story, que rdein nunca escondeu ser uma de suas maiores inspirações, ao lado das séries Zelda e, obviamente, Castlevania.

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Momo tem um set de habilidades razoavelmente básico, ela pode pular, atacar a curta e longa distância, e esquivar. Você pode, entretanto, incrementar seus atributos com sinetes, cartas que podem ser encontrados pelo mapa, ou comprados com Cereza. Você deve vasculhar todos os cantos e derrotar o máximo de inimigos possível para juntar dinheiro, a fim de adquirir todos eles.

Os sinetes oferecem efeitos como aumentar o dano e o alcance dos seus ataques, habilitar um pulo maior, e várias outras características que, como em todo Metroidvania, são necessárias para chegar a lugares inicialmente inalcançáveis do mapa, e completar itens e habilidades melhores.

No entanto, o rol de técnicas de Momo não abre muito, o que vai na contramão de outros games do gênero; da mesma forma, apesar das locações serem variadas, os mapas de Momodora: Moonlit Farewell são muito parecidos entre si, além de serem um tanto simples.

A impressão é de que a Bombservice preferiu optar por uma rota segura, a fim de não deixar o último game da série complexo demais, mas, por outro lado, isso fez dele uma aventura que ousa e inova muito pouco.

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

A meu ver, rdein e os demais devs optaram por fazer de Moonlit Farewell um comfort game, uma experiência desenhada para relaxar e fazer o jogador ter um bom momento enquanto joga, e não se estressar enquanto tenta abrir caminho no mapa, ou encarar os inúmeros desafios.

A combinação entre mapas simples, combate simplificado (mas eficiente) e dificuldade reduzida, casam com os belos gráficos, uma história interessante e uma trilha sonora muito bem executada, para fazer da aventura final de Momo e cia. não um passeio no parque, mas uma última viagem relaxante e aconchegante, pelo belo mundo místico que nos foi apresentado em 2010, com o primeiro Momodora.

Conclusão

Por 14 anos, a série Momodora foi uma das mais consistentes da leva de games que vieram na esteira de Cave Story (que completa 20 anos em 2024), tanto por serem primariamente desenvolvidos por uma só pessoa, quanto pela ambientação e identidade visual.

A obra de rdein, ao focar em um mundo mágico repleto de criaturas e desafios, se destacou pela originalidade dos temas e personagens.

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Momodora: Moonlit Farewell (Crédito: Reprodução/Bombservice/PLAYISM)

Moonlit Farewell é talvez o mais belo e tecnicamente avançado dos 5 games principais, mas carece de maior variedade de mapas, e o leque de habilidades de Momo é um tanto restrito para os padrões dos Metroidvanias de hoje, mas esses são empecilhos menores, que em nada comprometem a aventura.

Momodora: Moonlit Farewell pode não ser a epítome do gênero, mas ainda é um digno send-off para a mais sólida série de games desenvolvida por um estúdio indie brasileiro, reconhecida e amada pelos fãs por mérito próprio, graças a uma bela direção artística, músicas envolventes, desafio e exploração satisfatórios, e personagens e enredos cativantes.

Resta torcer para que o próximo game original de rdein seja tão bom quanto, ou melhor, do que os cinco Momodora foram.

Momodora: Moonlit Farewell — Ficha Técnica

  • Plataforma — Windows (analisado com cópia cedida pela PR Nordic);
  • Desenvolvedora — Bombservice;
  • Distribuidora — PLAYISM;
  • Classificação Indicativa — 10 anos.

Pontos fortes:

  • Personagens, enredo, gráficos e trilha sonora envolventes;
  • Bom equilíbrio entre exploração e combate;
  • Batalhas contra chefes interessantes e variados.

Pontos fracos:

  • Para um Metroidvania, mapas são um tanto simples;
  • Poucas habilidades disponíveis, ainda que sejam eficientes.

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