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Agent: o provável sucesso, que nunca existiu

Podendo ter se transformado em mais um arrasa-quarteirões da Rockstar, Agent foi um projeto que criou expectativa, mas nunca chegou a ser concluído

12 semanas atrás

Quando se trata da qualidade de seus jogos, a Rockstar Games é uma daquelas empresas para qual muitas das outras devem olhar. Empilhando sucessos ao longo dos anos, qualquer projeto em que eles se envolvem chega ao mercado cercado de expectativa e mesmo quando um deles não sai do papel, os fãs ficam sedentos por mais informações. Esse é o caso do Agent.

Agent - Inteligência Artificial

A IA imaginando o Agent (Crédito: Reprodução/Stable Diffusion/Dori Prata)

A primeira vez que ouvimos falar sobre o título foi durante a E3 de 2007, quando a Sony se limitou a dizer que a Rockstar estava trabalhando em uma nova franquia para o PlayStation 3. Logo depois, o diretor de relações com terceiros, Michael Shorrock, foi ao blog da marca para revelar que o jogo, ainda sem o seu nome divulgado, seria exclusivo do console da empresa.

“A Rockstar queria fazer um jogo que realmente só pudesse ser feito no PS3, aproveitando o poder do [chip] CELL e o disco Blu-ray, e esse acordo os permite fazer isso,” contou o executivo.

ao site Eurogamer, em 2009 o então presidente da Take-Two Interatcive, de quem a Rockstar é subsidiária, tratou de colocar mais água na fervura. “O jogo, assim como qualquer coisa vinda da Rockstar North, será muito, muito legal,” disse Ben Feder. “Ele irá além, vai definir um gênero e será uma nova forma de experimentar videogames, de uma maneira que nunca vimos.” A expectativa já estava criada.

Então, poucas semanas depois e novamente na E3, a conferência da Sony traria o anúncio oficial do jogo que se chamaria Agent. Ambientado durante a Guerra Fria na década de 70, ele seria um jogo de ação com elementos stealths e segundo um dos fundadores da Rockstar, Sam Houser, se tratava de um projeto que a empresa estava aguardando há muito tempo para ser feito.

Crédito: Reprodução/Stable Diffusion/Dori Prata

Contudo, a ideia inicial de lançar o Agent ainda em 2010 não se concretizou e conforme o tempo passava, ficou claro que aquele desenvolvimento estava com problemas. Em maio de 2011 a Take-Two Interactive se limitou a dizer que o projeto seguia em pleno desenvolvimento, mas trechos do jogo continuavam sem ser apresentados ao público.

O primeiro sinal mais concreto de que o Agent poderia nem chegar a ser lançado foi dado logo depois, na E3. Durante a feira, Jack Tretton jogou dúvida sobre a exclusividade do jogo para a sua plataforma, afirmando que aquela tinha sido uma decisão da Rockstar. Um ano mais tarde, durante uma apresentação para acionistas, ao ser questionado sobre o título, o CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, disse apenas que nunca haviam anunciado nada sobre ele.

Já no ano seguinte, quando o PlayStation 4 foi anunciado e nada se falou sobre o Agent migrar para a nova plataforma, a esperança já havia quase desparecido. Curiosamente, o registro da patente da marca foi renovado em 2013, o que se repetiu em 2016, mas três anos depois, o escritório responsável por isso nos Estados Unidos declarou que a marca tinha sido abandonada. Já em 2021 foi a vez do site relacionado ao jogo passar a redirecionar para o da Rockstar, com o título deixando de aparecer na lista de produções do estúdio.

Agent - Inteligência Artificial

Crédito: Reprodução/Stable Diffusion/Dori Prata

Com isso, era de se imaginar que os executivos da Rockstar não dessem mais a mínima para aquele projeto, mas não foi exatamente o que aconteceu nos últimos dias. O que voltou a despertar o interesse das pessoas pelo Agent foi uma publicação feita por Obbe Vermeij, um diretor técnico que trabalhou na desenvolvedora entre 1995 e 2009.

Nela o ex-funcionário começava falando que o conceito para o jogo nasceu após a conclusão do Grand Theft Auto San Andreas. Na época, eles queriam criar algo que não fosse um GTA e por isso a Rockstar San Diego passou a desenvolver algo parecido com um jogo do 007. Usando o San Andreas, eles desenvolveram uma demo que impressionou o alto escalão da editora e assim a equipe da Rocsktar North foi dividida em duas partes: uma dedicada ao Grand Theft Auto IV e outra ao Agent.

Inicialmente conhecido internamente como Jimmy, que é a versão escocesa de James Bond, o jogo teria uma progressão mais linear que a dos GTAs, com a aventura se passando em locais como uma cidade francesa, um resort na Suíça, no Cairo e culminando no espaço, quando colocaria os jogadores em um tiroteio com lasers. Porém...

Agent - Inteligência Artificial

Crédito: Reprodução/Stable Diffusion/Dori Prata

“O jogo não estava progredindo tão bem quanto esperávamos,” admitiu Vermeij. “Era inevitável que eventualmente toda a companhia passasse a apoiar o GTA4. Tentamos reduzir o jogo na tentativa de produzir a maior parte dele antes que chegasse a inevitável ligação de Nova York. Cortamos a fase inteira (acho que o Cairo) e talvez até a estação espacial.”

Segundo o game designer, ficou claro que o Jimmy, ou Agent, estava se tornando uma distração para a empresa e por isso o desenvolvimento acabou sendo abandonado. Ele até imagina que a produção chegou a ser dada para outra companhia, mas como sabemos, ela nunca chegou a ser concluída.

O detalhe é que alguém lá da desenvolvedora não gostou muito das declarações de Obbe Vermeij, pois elas estariam “arruinando a mística da Rockstar ou algo assim” e alegando que o blog não é tão importante que justifique incomodar ex-companheiros de Edimburgo, ele preferiu apagar a publicação (que ainda pode ser lida aqui).

O Z poderia ter sido nesse estilo (Crédito: Reprodução/Stable Diffusion/Dori Prata)

Na mesma publicação, Vermeij ainda falou sobre outro projeto que nunca foi avançou muito, mas que começou após a conclusão do Grand Theft Auto Vice City. Com a equipe buscando coisas diferentes, eles propuseram um jogo de sobrevivência com zumbis e assim a ideia foi debatida por um tempo, com ela chegando a ser chamada de Z (eles pronunciavam Zed e não Zee).

Tendo o Vice City como base, a aventura se passaria numa ilha escocesa enevoada e varrida pelo vento, com o jogador sendo constantemente atacado pelos mortos-vivos e precisando usar veículos cujo combustível acabaria. Essa busca por combustível seria parte fundamental da jogabilidade.

Com a equipe tendo se dedicado por cerca de um mês ao projeto, o conceito começou a parecer muito deprimente e logo perdeu força. O interessante é que após ele ser abandonado, as pessoas envolvidas começaram a trabalhar em um jogo que faria um enorme sucesso, o GTA San Andreas.

Para Vermeij, seria ótimo se “a Rockstar se abrisse sobre o desenvolvimento da trilogia [GTA]”, opinião com a qual concordo plenamente, mas como ele mesmo concluiu, “não parece que isso acontecerá tão cedo.”

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