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Fundador da TSMC diz que esforço dos EUA em fabricar chips é inútil

Para Morris Chang, fundador da TSMC, empreitada da Intel e dos EUA é um desperdício, por falta de profissionais e custos elevados

15 semanas atrás

A taiwanesa TSMC é uma das principais fabricantes de semicondutores, a pivô do fim da parceria entre a Apple e a Intel em Macs, graças a seus chips M1, e imprime chips para diversos clientes, desde os fabless como a maçã, AMD, Nvidia e outros, como também responde por parte da produção de outras companhias, inclusive da Intel.

O domínio da TSMC e outras manufaturas chinesas no setor tomou um belo baque com a pandemia da COVID-19, que desestabilizou a produção e causou escassez de chips, que vem sendo contra-atacada com empreitadas locais, inclusive pelo governo dos Estados Unidos, se agarrando, claro, à Intel. Mas para o fundador e ex-CEO e presidente da TSMC Morris Chang, esse é um esforço inútil.

Logo da TSMC na sede da empresa em Hsinchu, Taiwan (Crédito: Ann Wang/Reuters)

Logo da TSMC na sede da empresa em Hsinchu, Taiwan (Crédito: Ann Wang/Reuters)

Em julho de 2021, o presidente dos EUA Joe Biden anunciou um investimento de US$ 52 bilhões para fortalecer a produção local de semicondutores, independente se as empresas são internas, como Intel, Qualcomm e Broadcom, ou externas, como TSMC e Samsung, que também produz chips ARM. A companhia de Taiwan projeta entregar os primeiros componentes "Made in USA" em 2024.

A Intel, por outro lado, abraçou o incentivo recebido pelo governo com força. Nos últimos meses, a empresa expandiu operações no país, ao anunciar uma nova fábrica no estado de Ohio e duas adicionais no Arizona, parte da "estratégia IDM 2.0", que está alinhada com o claro objetivo da Casa Branca: retomar a hegemonia norte-americana na fabricação de semicondutores, passando à frente de Taiwan.

Há motivos para que a Intel se mostre extremamente agressiva agora, visto que se enbananou no processo de transição dos 14 para os 10 nanômetros, tendo passado anos requentando o mesmo design enquanto não conseguia fazer o pulo adiante. Esses problemas levaram à Apple abandonar o x86 em prol do ARM, e hoje, o design de chips RISC é visto como viável para computadores, especialmente laptops.

Nesse cenário a TSMC nada de braçada, fornecendo componentes para Apple, AMD e Nvidia, entre diversos outros fabricantes, e embora a Intel tenha planos para usar mais de uma arquitetura em um único chip, tudo permanece no campo das ideias, com a fabricante falhando no básico, mostrar resultados. Isso levou à injeção bilionária do governo dos EUA para fortalecer a produção local, e por tabela, colocar a Intel de volta na briga contra as gigantes da Ásia.

Morris Chang não acredita nem um pouco que o esforço dos EUA e da Intel em superar a TSMC, e o oriente na totalidade, vá dar certo, e o classifica como "um exercício de futilidade inútil e custoso". A declaração foi dada na última terça-feira (19) durante entrevista ao Brookings Institution (tem no YouTube, apenas áudio), e essa nem foi a primeira vez em que o executivo criticou os americanos por perseguirem tal meta.

Morris Chang, fundador e ex-CEO e presidente da TSMC, não mede palavras ao criticar a Intel e os EUA (Crédito: Central News Agency - CNA)

Morris Chang, fundador e ex-CEO e presidente da TSMC, não mede palavras ao criticar a Intel e os EUA (Crédito: Central News Agency - CNA)

Em outubro de 2021, Chang declarou que o objetivo dos EUA em criar uma cadeia de produção de semicondutores no país, autossuficiente e forte o bastante para concorrer com a TSMC e outras gigantes do setor, era uma tarefa impossível, "mesmo que sejam injetados centenas de bilhões de dólares" no projeto. O motivo apresentado na ocasião, bem como na declaração mais recente, seria o custo.

Na entrevista mais recente, Chang deu como exemplo a época em que a TSMC produziu chips de 200 nm nos EUA por 25 anos, em sua fábrica no Oregon, um período que, segundo o executivo, a companhia foi muito ingênua ao acreditar que os custos de produzir em solo americano seriam equiparáveis aos praticados em Taiwan, mesmo considerando importação e outras taxas.

Chang diz que sua opinião é baseada em dados desse período, que mostram como os custos para uma empresa dos EUA são absolutamente proibitivos, em torno de 50% mais caros do que os praticados em solo taiwanês.

Porém, Morris Chang apresentou um segundo fator crítico aos esforços da Intel e dos EUA: o treinamento de mão-de-obra para a manufatura de componentes. Enquanto que o país possui talentos suficientes para o design de chips, algo que falta na China e é inexistente em Taiwan, há poucos trabalhadores americanos qualificados para fabricar os processadores em massa, sendo que esses não só abundam nos dois países asiáticos, como a hora-homem é muito mais barata.

Chang, que não mais tem conexões com a TSMC, reconhece que o aporte financeiro dos EUA para fortalecer a produção local também interessa à companhia que fundou, tanto que ela anunciou que até 2024, irá imprimir em solo americano processadores de 3 nm, tanto na fábrica de Washington quanto em uma nova, que será construída no Arizona, que deverá entrar em operação até 2024 e custar US$ 12 bilhões.

Claro, há diferenças de filosofia entre as empresas do leste, que dependem de trabalho conjunto entre vários fornecedores para manter a produção, e as do oeste, que desejam resolver tudo sem depender de empresas estrangeiras, mesmo as que se instalaram no país. De qualquer forma, o custo da mão-de-obra do americano médio é, em geral, bem mais alto do que em Taiwan ou na China, logo, é compreensível que Chang, entre outros, duvidem que os EUA consigam estabelecer uma cadeia de suprimentos independente. De qualquer forma, o timpo dirá.

Fonte: The Register

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