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BeiDou, sistema chinês rival do GPS, está pronto

Com o lançamento do último de seus 35 satélites, sistema de geolocalização chinês BeiDou (também conhecido como BDS) passa a oferecer cobertura global

24/06/2020 às 10:30

O BeiDou, também conhecido como BDS, está enfim pronto. O sistema de posicionamento global e geolocalização da China, uma alternativa ao americano GPS e o russo GLONASS (e posteriormente ao europeu GALILEO, que veio depois) conta agora com todos os 35 satélites do projeto em órbita, com o último lançado nesta terça-feira (23).

Com isso, o sistema chinês passa a ser o quarto a oferecer cobertura global.

CFP / modelo do sistema BeiDou

Os planos para o lançamento de um sistema próprio de geolocalização por parte da China começaram ainda nos anos 1990, e foram uma óbvia reação à então dependência do GPS, o sistema lançado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 1978, originalmente para uso exclusivamente militar. Seu uso civil só foi liberado em 1983, através de uma ordem executiva do então presidente Ronald Reagan.

O motivo? A tragédia do voo 007 da Korean Air Lines, quando um Boeing 747 com 269 pessoas a bordo foi derrubado por um Sukhoi Su-15, após invadir o espaço aéreo soviético por um erro de navegação, algo que poderia ter sido evitado.

Falando nos camaradas, o lançamento do GPS estimulou uma reação de Moscou, que implementou o GLONASS já em 1982, igualmente desenvolvido pelos militares. O BeiDou nasceu da mesma forma, e tanto o sistema chinês quanto o russo foram estabelecidos como alternativas à solução norte-americana, na remota porém existente possibilidade do sistema ser fechado outra vez para civis.

O único que vai na contramão é o GALILEO, lançado em 2005 e desde o início projetado para uso exclusivamente civil e comercial, livre e com cobertura global, caso todos os outros voltem a ser de uso apenas militar. Essa decisão não foi muito bem digerida pelos EUA, que levantou a possibilidade de derrubar os satélites europeus em um cenário de guerra, para evitar que sejam hackeados por inimigos.

Getty Images / lançamento de foguete Longa Marcha chinês com satélite do sistema BeiDou

Foguete Longa Marcha é lançado com mais um satélite do sistema BeiDou (créditos: Getty Images)

Mas voltemos ao BeiDou. O projeto da constelação de satélites (o nome significa "Ursa Maior" em mandarim) previa 35 unidades, que foram lançadas em três fases. O primeiro foi lançado em 2000 e a primeira fase foi concluída em 2007, com 4 satélites, sendo 1 de backup, para cobertura local. A segunda fase, concluída em 2012 incluiu mais 16 satélites, com 14 operacionais, habilitando cobertura em boa parte da Ásia.

A fase 3, finalizada agora fechou o sistema com os 15 últimos satélites projetados e se tornou completamente operacional a partir do dia 23 de junho de 2020, passando a ser o quarto sistema de geolocalização com cobertura global. Índia e Japão possuem projetos próprios de cobertura local, respectivamente NAVIC e QZSS.

O primeiro foi planejado para também oferecer cobertura global no futuro, enquanto o segundo opera como um acessório ao GPS para a região da Ásia e Oceania, com foco no Japão.

Órbitas dos satélites BeiDou-3

Órbitas dos satélites BeiDou-3. Não te lembra algo?

Hoje, países como Paquistão, Tailândia, Laos e o estado de Brunei usam o BeiDou como seu sistema oficial de geolocalização, que pode ser empregado em sistemas automotivos, indústria, comércio, agricultura, transporte público e obviamente sistema estratégico.

Com as crescentes rusgas entre os governos da China e dos Estados Unidos, a cobertura global do BeiDou é conveniente não só para diminuir a dependência externa (embora tenham colaborado com o GALILEO no passado), como também para oferecer sua solução de geolocalização a mais mercados.

Com informações: BBC, CNBC.

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