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ASSISTA AGORA: Trailer de Top Gun: Maverick!

19 semanas atrás

Top Gun não deveria ser tão bom e racionalmente, não é. Só que ninguém vê filmes racionalmente, exceto críticos de cinema que deram nota seis pro filme, fazendo com que a bilheteria de estreia fosse mais ou menos, mas o boca-a-boca foi imenso. Como resultado o filme que custou US$ 31 milhões, faturou mais de US$ 815 milhões e entrou para o imaginário popular.

 

Do ponto de vista técnico Top Gun é um desastre. Os procedimentos estão errados, os aviões estão errados, os caças inimigos são F-5 e não faz o menor sentido buscarem pilotos literalmente recém-formados, levar pro outro lado do mundo pra lidarem com uma situação em andamento, sendo que um porta-aviões tem esquadrões de pilotos altamente treinados no auge de suas capacidades.

Daria pra fazer um artigo de 20 mil palavras sobre todas as falhas de Top Gun, sem nem precisar ser negativo e apelar como aqueles canais everything wrong with... mas, quer saber? NÃO IMPORTA.

Top Gun tem um milhão de defeitos, mas ele fez tudo certo. Top Gun é uma história simples contada de forma correta com um apelo atemporal, é a boa e velha jornada do herói, Top Gun é basicamente isto:

Essa é uma espada de madeira, um brinquedo achado em Vindolanda, uma fortificação romana no norte da Inglaterra. Dois mil anos atrás uma criança há muito esquecida brincava com seus amigos, reencenando batalhas de antigos imperadores, enfrentando persas em Termópilas, talvez. Esse menino (sorry, Arya) provavelmente dormia com sua espadinha entre as cobertas, lembrando das histórias contadas pelos mais velhos, batalhas gloriosas em terras distantes com heróis que, quanto mais no passado, mais se assemelhavam a mitos.

Top Gun está recheado de arquétipos. Maverick é o rebelde imaturo que passa por uma grande tragédia e se redime, tornando-se um homem completo. Mesmo sua grande vergonha, o pai ter falhado em sua missão se revela mentira, Maverick pode ser um herói pois é filho de um herói.

Os críticos (sempre eles) dizem que Top Gun está cheio de clichês, mas... e daí? A história está cheia de pilotos bons demais para sua própria segurança. Douglas Bauder chutava bundas e era amputado das duas pernas. Jay Zeamer montou um verdadeiro esquadrão suicida, juntando indesejáveis de diversas unidades da Força Aérea. A lista é interminável.

Outro fator interessante: assim como Perdido em Marte, Top Gun não tem um vilão tradicional. Sim, há antagonistas, mas o Iceman não faz nada para prejudicar Maverick e as comidas de rabo que ele leva dos instrutores são duras, porém justas. Ele viola as regras, é punido, nada pessoal.

Maverick enfrenta a si mesmo, suas inseguranças e sua imaturidade. Ele sabe que é bom, sabe que é o melhor, mas precisa aprender a trabalhar com os outros, confiar e ser confiável. Ele também aprende que suas atitudes têm consequências, apesar de inocentado no inquérito ele sabe que sua manobra agressiva criou as condições que resultaram na morte de Goose.

RIP in Peace.

Um filme mais fácil faria Maverick superar a morte do amigo ao descobrir que não teve (tecnicamente) culpa, mas ele leva o trauma o resto do filme, se tornando exageradamente cauteloso. A redenção de Maverick vem quando ele percebe que sim, é responsável pela vida de seu RIO (Radar Intercept Officer) e seu ala, e que para protegê-los ele precisa de sua agressividade natural, mas controlada e direcionada.

Dizem que Top Gun é um amontoado de fantasias adolescentes, mas será mesmo? É um filme que ressoa em todas as plateias, todo mundo reconhece as mensagens e situações da história. Sim, claro que todo adolescente vibrou com Danger Zone e as então inéditas sequências de combates aéreos, e o boom no número de candidatos a pilotos navais prova isso, mas Top Gun é muito mais que uma sequência de cenas de combate.

Top Gun é Um Filme Progressista e Feminista

Essa você não esperava, né?

Na época (e até hoje) uma das reclamações do pessoal que reclama profissionalmente das coisas era que a Kelly McGillis foi escolhida para o papel por ser loura e bonita, e que era muita forçada de barra colocar uma louraça belzebu como instrutora de pilotos.

Os produtores concordavam, inicialmente ao menos. Nas primeiras versões Charlie era uma instrutura de aeróbica, com aquelas meionas e colants típicos dos anos 80. Ela seria puramente adereço de cena, um sanduba de filé para o lanchinho de Tom Cruise, apesar do ator na vida real ser vegan (wink wink).

Tudo mudou quando durante as pesquisas para o filme os produtores conheceram uma tal de Christine Fox, nome de guerra "Pernas". Christine era uma matemática do Centro de Análises Navais, uma empresa terceirizada que prestava serviços Departamento de Defesa, especializada em modelos de Superioridade Marítima.

Christine era tudo que Charlie era, loura de fechar o comércio, mas nas palavras de Harry Hunter, aviador naval que trabalhou com ela...

"Christine é tão profissional que sua aparência não se torna ponto de interesse. Quando ela entra na sala você fala 'uau', mas trinta segundos depois vocês estão falando sobre o trabalho."

Diante daquela prova irrefutável de que mulheres bonitas podiam ser inteligentes (quem diria!) os produtores correram pra reescrever a personagem, Charlie deixou de ser um adereço de cena e veículo para Tom Cruise mostrar que é um grande ator, e se tornou uma PhD em Astrofísica, instrutura com nível de acesso Top Secret e dona do próprio nariz e destino.

Lá, 30 anos antes da lacração salvar o mundo, Charlie tinha agência, ela escolhe se quer o Maverick, tudo acontece segundo a decisão dela, é um raro romance de fundo hollywoodiano nesses termos. Pode-se dizer que Charlie é a anti-manic pixie dream girl.

No novo filme Maverick AINDA é Capitão, sua carreira estagnou. Na vida real Charlie, digo, Christine, continuou trabalhando para o Pentágono, tendo recebido nada menos que três Defense Distinguished Service Medal, uma condecoração dada a civis que tenham contribuído de forma extraordinária para a defesa nacional. Qual a razão dessas medalhas? Charlie pode te contar, mas vai ter que te matar depois.

Ah sim, ela também foi Secretária Adjunta de Defesa de Barack Obama, o mais alto cargo já ocupado por uma mulher no Pentágono.

Top Gun 2 - A Missão

Em um episódio de Profissão Perigo, McGyver faz um monte de mágica pra conseguir resgatar um dissidente da Alemanha Oriental. Uns três meses depois do episódio passar no Brasil, o Muro de Berlim caiu e o episódio se tornou irremediavelmente datado. Top Gun não, os "inimigos" nunca são nomeados, não se sabe aonde eles estão, exceto que em algum lugar do Oceano Índico. Mesmo hoje a cena funciona.

Top Gun é um raro filme dos anos 80 que é atemporal, mexe com fantasia, com desejos de superação, dizer que Top Gun glorifica guerra é uma análise muito rasa, pois o inimigo de Maverick não é um russo, sua guerra é consigo mesmo e é a única que realmente importa.

Ah sim, Top Gun: Maverick vai ser lançado em 2020 e droga toda hora olho meu calendário e ainda é 2019....

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