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Resenha: O Rei Leão ganha nova versão que é tecnicamente perfeita, mas com muita emoção

A Disney acertou na versão live-action de O Rei Leão ao juntar o espírito do filme original com uma qualidade técnica incrível. Leia nossa resenha.

16/07/2019 às 16:11

Assisti hoje na cabine de imprensa a versão live-action de O Rei Leão, clássico de animação da Disney que está de roupagem nova, uma versão live action que pra mim pelo menos funcionou muito bem, pois conseguiu unir uma animação fotorrealista impressionante com o enorme espírito e coração do filme original.

Como o filme (que estreia na quinta-feira dia 18) não tem embargo, minha resenha vai sair agora, mas aviso que ela tem alguns spoilers de O Rei Leão, assim quem não tiver assistido a animação original e não quiser estragar sua experiência, recomendo que pare de ler esse post (pode voltar depois que assistir pra comentar).

Em primeiro lugar, o belíssimo prólogo. É impossível não ser impactado pelo começo de O Rei Leão, e eu me lembrei na hora da emoção que senti ao assistir essa cena no cinema no filme original. Por mais que eu já tenha visto ela algumas vezes no primeiro trailer do filme que postei aqui, o impacto ainda foi grande, assim como a emoção. A animação dos animais prestando tributo ao novo herdeiro da Pedra do Rei não é só tecnicamente perfeita, ela é repleta de emoção em cada quadro, dá pra ver o carinho dos animadores com cada um.

O filme original funciona maravilhosamente bem pois tem um estilo de animação incrível e muito detalhado, temperado com as ótimas músicas de Elton John e Tim Rice e a trilha sonora impecável e emocionante de Hans Zimmer (que até hoje figura entre as melhores desse fantástico compositor), mais excelentes atores em seus papéis. Com esses ingredientes, a Disney criou um grande clássico, que resiste muito bem até hoje.

Apesar de ter sido lançado como a primeira animação totalmente original da Disney em 1994, O Rei Leão foi inegavelmente inspirado em Kimba, O Leão Branco, um mangá do mestre imortal Osamu Tezuka que foi lançado nos anos 50, e depois transformado em anime e longa-metragem na década seguinte. A obra de Tezuka influenciou e muito o filme Rei Leão original, tanto na trama quanto no estilo visual de vários personagens, passando pelo nome do personagem principal Simba.

Outra grande influência de O Rei Leão é Hamlet de William Shakespeare, que também inspirou Tezuka, é claro. O mestre Osamu Tezuka não escondia que uma das inspirações de Kimba teria sido Bambi, longa da Disney de 1942, então temos aí um grande ciclo de influências, para citar o circle of life (ou ciclo sem fim) da letra de Tim Rice.

Para o novo filme, o desafio era recriar de forma digital todas as nuances e preciosidades da animação, sem que o resultado ficasse bizarro ou estranho, afinal temos personagens que se movem como se estivessem em um documentário, mas contam com certos trejeitos antropomórficos, principalmente quando falam ou cantam. Com algumas poucas ressalvas, eu gostei do resultado. É claro que não tenho a pretensão de ser dono da verdade, então respeito a opinião de críticos e também dos leitores do MB, por mais que a recíproca nem sempre seja verdadeira.

É preciso lembrar que esse filme não foi feito para os fãs da animação original, mas sim de olho em um novo público, que em sua maioria nunca assistiu ao original dos anos 90, e que se assim o fizer, terão mais uma boa experiência. Entendo quem não está empolgado com os live actions da Disney, assim como entendo a motivação deles para fazê-los.

Nessa resenha estou falando sobre a versão legendada, e minhas impressões são sobre o desempenho dos atores em inglês, já que ainda não assisti a versão dublada em português. Liderando o elenco, James Earl Jones dá um show como Mufasa, e dá pra dizer que sem a voz dele, esse filme não faria o menor sentido. É impossível não se abalar com a cena da sua morte, assim como era impossível passar incólume por ela na versão original.

Alfre Woodard está ótima como a Rainha Sarabi, que depois precisa comer o pão que o diabo amassou com Scar no comando. JD McCrary faz o jovem Simba, e Shahadi Wright Joseph a jovem Nala, e ambos estão ótimos e bem convincentes, assim como John Kani como Rafiki.

Li algumas críticas que queriam que o filme tivesse deixado de lado as músicas que são cantadas pelos animais selvagens, pela forma humana como as bocas dos personagens se movimentam quando eles falam ou começam a cantar. Pra mim não dá pra imaginar O Rei Leão sem suas músicas, e as da nova versão são todas muito bem executadas, mesmo no caso de Be Prepared, que é mais declamada do que cantada por Chiwetel Ejiofor como o vilão Scar.

Donald Glover acerta no tom humorístico e capricha no vocal em suas músicas, dando vida ao Simba adulto que precisa redescobrir quem ele é. Um ótimo acerto do casting desse filme que serve meio que pra compensar um outro erro, a escolha de Nala. Uma das coisas que não fazem muito sentido pra mim no filme é terem colocado Beyoncé para fazer esse personagem.

Seu personagem é muito importante, pois é ela que desperta em Simba a lembrança de quem ele realmente é, mas sua voz infelizmente só funciona na hora das músicas, como em Can You Feel The Love Tonight, quando ela brilha nos vocais ao lado de Donald Glover (que tem vários ótimos discos lançados com seu nome artístico Childish Gambino).

Grande parte dos diálogos de Nala me parecem meio forçados e engessados, e digo isso com todo o respeito a diva pop, até porque a culpa não é dela, e sim de quem a escalou no papel. De qualquer forma, não acho que seu desempenho chegue a estragar a experiência do filme.

A dupla Timão e Pumba é interpretada por Billy Eichner e Seth Rogen, que estão ótimos, inclusive nas interpretações das músicas tão tradicionais como Hakuna Matata e The Lion Sleeps Tonight. Os dois são parte fundamental de O Rei Leão, e se não dessem certo, isso certamente iria naufragar o filme. A dupla tem boa química, e os dois já tinham trabalhado juntos na comédia Vizinhos 2, em 2016.

Billy Eichner aliás pra mim é a grande surpresa do filme, ao lado de John Oliver. Os dois estão perfeitos em seus papéis de Timão e Zazu, e fazem muito pelas cenas de alívio cômico do filme. Por falar em risadas, as hienas que se aliam a Scar são lideradas por Shenzi (Florence Kasumba), e a dupla Eric André e Keegan-Michael Key está particularmente inspirada em suas cenas bem humoradas.

Quem não me surpreende em nada é o sempre excelente (e já citado) Chiwetel Ejiofor, que não por acaso já venceu o Oscar de melhor ator. Ele está perfeito como Scar, substituindo com honras o excelente Jeremy Irons da versão original, algo que eu achava difícil de acontecer, mas que já tinha percebido que iria rolar pelo último trailer, no qual ele já dá um show como Scar.

A caracterização visual bizarra e a voz sinistra de Chiwetel estão entre as melhores coisas do filme, e são um grande contraste em relação ao seu exército de hienas, que não contam com muitas expressões além da risada tradicional.

Voltando a questão sobre a necessidade desse filme, acho que isso é algo relativo. Só pra deixar claro, acho que qualquer pessoa tem o direito de se opor a ideia da necessidade de refazer filmes, criar reboots e contar novamente histórias que já foram contadas, mas assim como minhas outras resenhas, neste texto quis focar no filme em si, e não nas questões filosóficas a respeito de sua necessidade de existir (ou não).

Eu sinceramente prefiro que a história seja contada com fidelidade e até reverência, com fez Jon Favreau neste filme, do que inventar uma solução bem diferente mantendo o tema básico, como foi feito por Tim Burton com Dumbo, que é um bom filme, mas não chega a empolgar como este (ainda não assisti Aladdin, então vou me abster de opinar sobre ele).

Esse filme foi feito para fazer sucesso nas bilheterias, mas até aí, esse é o mesmo caso de qualquer outro filme. Se ele vai ter sucesso ou não em sua missão, ainda não sabemos, mas a estreia na China foi muito boa.

O filme estreia na quinta no Brasil e na sexta nos Estados Unidos e no resto do mundo, então ainda temos que aguardar para ver a reação do público, mas se eu tivesse que apostar, diria que O Rei Leão vai rugir alto nas bilheterias do mundo e também nas nossas.

Não é fácil mexer com algo tão nostálgico quanto O Rei Leão, um filme que fez parte da infância de muita gente, e por isso mesmo, entendo as reações mais exacerbadas, mas preciso dizer que pelo menos na minha opinião, esse filme merecia sim ter sido feito, até para passar a mensagem do filme original para mais pessoas.

Lembre-se de quem você é, como diz Mufasa ao seu filho e herdeiro Simba.

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