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Dica para nazistinhas: Quando forem nazistar, desliguem o celular

11/07/2019 às 16:39

Houve um tempo em que ao contrário de travesti, a Internet era bagunça. Uma terra de ninguém, sem ordem e sem lei, quase Westworld, mas com gráficos de Custer's Revenge. Infelizmente para um nazistinha chamado Seth Taylor e seus amigos, isso não é mais verdade.

Tecnicamente a Tila Tequila não tem relação direta com a história mas como ela diz ter sido Hitler numa vida passada, tem culpa no cartório.

Costumamos achar que a Justiçaé bem lentinha em se adequar aos avanços da sociedade, mas isso não é tão simples. Nos EUA por exemplo o casamento inter-racial se tornou legal em 1967, mas só foi aprovado pela maioria da população em 1995. A questão do aborto, polêmica até hoje foi decidida em favor do grupo pro-choice em 1973, no clássico caso da Suprema Corte Roe vs Wade.

Mesmo no Brasil que não é essa groselha toda em termos de progressismo, a Justiça liberou o Divórcio sob protestos da ala conservadora dizendo que ele iria destruir a família brasileira, como a Xuxa, a pílula anticoncepcional e o sushi de mulher do Faustão.

A grande dificuldade da Justiça é entender avanços tecnológicos. Por isso boa parte da Internet é regida por Leis criadas para lidar com conteúdo impresso, no máximo são "regras de radiodifusão". Daí o Efeito Cicarelli, quando um Juiz não entende a Internet e a trata como um veículo de mídia.

É o equivalente a um advogado de voz fina receber trotes, dar queixa a um Juiz e o digníssimo magistrado emitir uma Ordem para fecha r a Companhia Telefônica. Milhões de usuários são afetados por decisões de tirar redes sociais inteiras do ar por causa de usuários. Do outro lado regras de sigilo telefônico tornam complicado para que os sites ajudem a polícia em casos de sequestros, por exemplo.

A polícia é outra que por muito tempo ficou pra trás, era basicamente impossível chegar em uma delegacia, dizer que está sendo ameaçado no ICQ e conseguir algo além de um papel. O único lugar onde a polícia técnica tinha conhecimentos para criar uma GUI em Visual Basic para rastrear um IP era em CSI, e foi com essa confiança que Seth Taylor e seus amigos decidiram vandalizar a escola.

Estou falando desses quatro imbecis aqui, Seth Taylor, Tyler Curtiss, Matthew Lipp e Joshua Shaffer.

Eles estudavam em Glenelg High, no Condado de Howard em Maryland, um daqueles Mini-Estados americanos. A região é próspera, pacífica, etnicamente diversa e harmônica, tão diversa que a escola de Glenelg era a única de maioria branca, mas isso não era problema para os estudantes nem para David Burton, o Diretor:

Por isso ele se assustou dia 24 de Maio de 2018 quando estava indo para a escola e recebeu telefonemas desesperados dos funcionários. Era para ser um dia alegre e tranquilo, cerimônia de formatura, seguida de um piquenique com pais e alunos, mas a escola amanheceu coberta de pichações.

Por toda parte, incluindo portas, carros, paredes, latas de lixo havia suásticas, "judeus", "KKK" e "Burton is a Nigger". Era um claro crime de ódio, alguém com muita raiva reprimida resolveu expressar o que sentia, mas quem?

As pichações foram cobertas da forma que deu, e Burton fez seu discurso de formatura sabendo que provavelmente estava falando para os autores do crime, e ficaria só nisso? Estariam planejando a próxima Columbine?

As câmeras do circuito interno de segurança da escola filmaram os quatro retardados vandalizando, mas eles estavam com os rostos cobertos. Espertos, né?

Seria esse um beco sem saída? Quem poderia identificar esses idiotas?

Enquanto o Diretor fazia seu discurso, a Polícia tentava identificar os idiotas. Seth nessa hora estava apavorado, ao perceber como o caso já estava sendo falado nas Interwebs. Afundado na cadeira ele mal percebeu quando um professor de educação física bateu em seu ombro "venha comigo".

Levado para uma sala reservada, Seth viu dois policiais e uma TV passando o vídeo do vandalismo. A casa havia caído de forma Sergionayesca para ele.

"Você sabe porquê está aqui?"

"Sei"

"Você tem o direito de permanecer calado..."

Seth foi comandado a tirar sua beca de formatura e seu chapéu, e foi algemado. Quando viu que iria passar pela cafeteria e pelo salão principal e seria visto por todos, ele pediu para que o cobrissem com uma camisa para que ninguém o filmasse.

"Não" - Respondeu o policial. "Você merece isso"

Mais tarde Seth abriu o bico, entregou os outros comparsas, mas não entendeu como a polícia o achou tão rápido. Mas como você querido leitor do MB é muito mais inteligente que aquela anta racista, entenderá, é simples:

A Polícia, que não era NADA boba, cobriu todas as possibilidades, e partiu de um princípio bem lógico, de que jovens não são exatamente inteligentes, e como haviam pichado "Classe de 2018", havia razoável probabilidade de serem estudantes locais, e como estudantes locais eles acessavam normalmente... o WIFI da escola.

Nenhum deles era a faca mais afiada da gaveta, e jamais pensariam nesse detalhe, então quando chegaram no meio da madrugada na escola, seus celulares se conectaram automaticamente à rede, usando seus logins individuais.

Eles literalmente assinaram o ponto no local do vandalismo.

Obviamente depois de pegos no flagra os quatro juraram que não eram racistas nem preconceituosos, que era tudo zoeira, e não tinham a intenção de intimidar os menos de 20 estudantes negros da escola. E piora: Eles choraram, disseram que não tinham idéia do que estavam fazendo, e que não conheciam a implicância história de suásticas, nazismos e da Ku Klux Klan.

A promotoria, que não era nada burra, levou o currículo da escola, mostrando que Segunda Guerra Mundial, Holocausto, Racismo nos EUA e a história da Klan eram ensinados em detalhes.

A melhor desculpa foi de dois dos advogados de defesa, que tentaram alegar que seus clientes podiam ser processados por vandalismo, mas como a escola era pública, questionar o conteúdo das pichações seria violar a 1a Emenda da Constituição.

Não colou.

As famílias passaram o tempo todo explicando que seus pimpolhos são bons meninos, e enquanto o julgamento não acontecia eles faziam encontros com rabinos, visitavam museu do Holocausto, pacote completo.

Seth acabou pegando 3 anos em liberdade condicional, 250 horas de serviço comunitário e nove finais de semana na cadeia. Os outros pegaram penas semelhantes, com finais de semana na cadeia que variavam entre cinco e dezoito.

Ah sim, vão ter que fazer cursos sobre racismo e minorias, pagar as custas judiciais e indenizar a escola.

Os quatro agora abandonaram os sonhos de fazer até mesmo faculdade comunitária, estão trabalhando com jardinagem, marcenaria e remoção de amianto, e enquanto houver Google vão ser lembrados como os nazistinhas de Glenelg High que descobriram da pior maneira que a única coisa que vence o ódio é a inteligência.

Fonte: Baltimore Sun

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