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Assassin's Creed III Remastered - Review

Apesar de contar com algumas melhorias, o Assassin's Creed III Remastered infelizmente não consegue corrigir muitos dos problemas do original.

15/04/2019 às 10:15

A minha relação com a franquia Assassin's Creed pode ser classificada como… estranha. Apesar de sempre ter adorado o conceito dela nos levar a diferentes momentos históricos interessantes, eu nunca consegui acompanhá-la da maneira que gostaria. O primeiro jogo por exemplo eu só fui dar uma chance muitos anos após o seu lançamento e quando fiz isso, chegar ao seu final foi uma tarefa bastante traumatizante.

Com uma mecânica engessada e missões muito repetitivas, o título me fez criar uma certa resistência inconsciente à série e quando resolvi jogar o segundo, outras obrigações me fizeram largá-lo pela metade. Depois foi a vez de me interessar pelo Assassin's Creed III, que chamou a minha atenção por se passar durante a Revolução Americana e quando decidi experimentá-lo, quanta decepção.

Contando com um novo protagonista que era meio inglês, meio mohawk, o que poderia ser um personagem fascinante acabou se mostrando muito menos carismático do que o tão adorado Ezio Auditore. No início a sua história até consegue nos prender, com o jogador querendo saber os detalhes do passado do sujeito, mas logo percebemos que ela nunca chega a ser corretamente explorada.

Porém, o que acabou me afastando do jogo foram as diversas decisões de design que considero equivocadas. A principal delas é a tentativa de tornar o título o mais cinematográfico possível, limitando assim as ações que podemos tomar durante as missões. Jogar o Assassin's Creed III era um constante exercício de tentativa e erro, com o jogo nos colocando para refazer muitas das suas missões simplesmente por não termos realizado aquilo o que seus criadores idealziaram.

Para um título de mundo aberto e com foco em termos que passar despercebido a maior parte do tempo, essa limitação acabava se mostrando extremamente irritante, nos fazendo achar que no fundo não passamos de uma marionete controlada pelos desenvolvedores.

Uma nova oportunidade

Os anos se passaram, a franquia Assassin's Creed sofreu muitas modificações e embora o jogo estrelado por Connor Kenway tenha ficado marcado como um dos pontos mais baixo da série, eu sempre tive o sentimento de que um dia precisaria lhe dar uma nova oportunidade. Para a minha alegria, recentemente uma remasterização do Assassin's Creed III acabou sendo anunciada, mas o que acabei descobrindo com ela é que certas coisas é melhor que fiquem no passado.

Trazendo todos os DLCs lançados para o original, assim como o Liberation, jogo este que havia sido lançado para o PlayStation Vita e se passa em New Orleans, com o Assassin's Creed III Remastered a empresa francesa aproveitou para corrigir alguns dos principais problemas do título lançado em 2012 e podemos dizer que isso foi alcançado. Em partes.

Por exemplo, agora é possível chamar a atenção dos inimigos quando estivermos escondidos, algo que pode nos ajudar muito em diversas situações. Outra boa adição foi a possibilidade de matarmos dois inimigos ao mesmo tempo e se somarmos essas duas novidades ao fato das missões serem (um pouco) menos punitivas, é inegável que o progresso na remasterização se tornou menos frustrante. mas não se iluda, ter que refazê-las várias vezes ainda será necessário.

Uma maquiagem imperceptível

Outra promessa feita para o Assassin's Creed III Remastered era de que ele seria consideravelmente mais bonito, mas novamente as melhorias não chegam a impressionar. Para aqueles que jogaram o original no PC, conseguir notar alguma diferença nos gráficos será uma tarefa quase impossível.

Já para aqueles que conheceram o jogo no PlayStation 3 ou Xbox 360, o salto de qualidade é grande, mas ainda assim passando a sensação de se tratar de algo da geração passada. Tudo bem, algumas sombras estão mais bonitas, a luz pode parecer mais natural, mas no frigir dos ovos, não vá esperando texturas muito detalhadas ou um algo tão bonito quanto o que nos foi entregue com o Assassin's Creed Odyssey. Na verdade, perto do capítulo passado na Grécia este parece até pertencer a outra série, tamanha a diferença.

Eu até poderia criticar a animação facial dos personagens nesta remasterização ou mesmo durante os combates, fazendo com que eles pareçam duros e artificiais, mas o que realmente me incomodou na parte gráfica foi a limitada distância em que os cenários são gerados. Explorar a Nova Inglaterra no jogo é viver com uma irritante névoa que não nos permite ver o que está mais longe e depois de ficar deslumbrado com os vastíssimos cenários do Odyssey, foi muito desanimador subir num enorme edifício aqui e só conseguir ver algumas poucas quadras.

Poderia ter sido um remake

A diferença entre trabalhar em uma remasterização ou refazer um jogo do zero é evidente, com os estúdios precisando investir muito mais tempo e dinheiro no segundo caso. Por isso é compreensível que a Ubisoft tenha optado por relançar o Assassin's Creed III com apenas algumas melhorias e assim permitir que um novo público tenha acesso ao jogo.

Porém, ao fazer isso a empresa sabia que muitos dos problemas seriam mantidos e por mais que eles tenham se esforçado para corrigir alguns deles, a maneira como o Assassin's Creed III foi estruturada não permite grandes mudanças sem um remake. Ou seja, se você jogou o original e não gostou dele, dificilmente essa remasterização conseguirá lhe fazer mudar de opinião. Já no caso de tê-lo curtido, este relançamento deve ser encarado apenas como uma tentativa de reviver os bons momentos, já que não existe muitas novidades que justifiquem experimentá-lo.

Conclusão

Disponível gratuitamente para quem possui o passe de temporada do Assassin's Creed Odyssey, o Assassin's Creed III Remastered pode servir como um bom registro histórico, até por ser uma espécie de elo de transição entre os primeiros capítulos da franquia e aqueles mais modernos.

Para mim, a maneira como a série passou a funcionar a partir do Assassin's Creed Origin é muito melhor e depois de jogar essa remasterização passei a achar que, se não fosse pelos erros cometidos na aventura de Connor Kenway, talvez as mudanças nunca tivessem acontecido.

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