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Segundo CEO da Canon, mercado de câmeras vai encolher 50% até 2021

Para CEO da Canon, smartphones suprem as necessidades de boa parte do público; foco da empresa será voltado para os segmentos industrial e médico

33 semanas atrás

A Canon está jogando a toalha: em entrevista ao jornal Nikkei, o CEO Fujio Mitarai admitiu que hoje todo mundo se vira com smartphones, e o mercado de câmeras digitais dedicadas vai encolher drasticamente nos próximos anos, chegando a metade do que é hoje até 2021.

Canon EOS R Mirrorless

A afirmação do executivo-chefe da Canon não é mais do que atentar para o óbvio ululante: nem todo mundo precisa de uma câmera profissional. O mercado foi artificialmente inflado nos últimos 20 anos, com companhias como Canon, Nikon e Sony vendendo dispositivos e acessórios cada vez mais potentes, e claro, cada vez mais caros. É fato que um fotógrafo profissional precise trocar o corpo da câmera de tempos em tempos, mas é bem verdade que as empresas abusaram do período de bonança por muito tempo.

Quando os smartphones começaram a trazer câmeras traseiras e frontais cada vez mais potentes, o mercado de câmeras básicas e semi-profissionais foi aniquilado, em nome da portabilidade e comodidade: os usuários passaram a carregar no bolso um computador completo, que por acaso é capaz de tirar fotos muito boas. E curiosos que investiam em câmeras profissionais, como as DSLRs, deixaram de fazê-lo.

O resultado foi brutal. Segundo Mitarai, a Canon sofre perdas anuais em torno de 10% no número de vendas, e que a tendência é piorar. O CEO projeta que dentro dos próximos dois anos, o mercado geral de câmeras dedicadas será 50% menor, e que para sobreviver a isso, a companhia mudará o foco para equipamentos médicos e industriais. E é bem provável que tanto a Nikon quanto a Sony acabem tomando decisões semelhantes.

Em verdade, o mercado de câmeras profissionais está aos poucos voltando ao que era no passado, um ramo voltado apenas para iniciados e fotógrafos atuantes, e as fabricantes de câmeras e lentes terão que se adaptar a isso. Já o público geral desencanou de vez de andar com mochilas, bolsas e pochetes com câmeras, lentes, baterias, cartões e etc., etc., etc., quando tudo o que ele deseja é um aparelho que lhe permita tirar um boa foto e nada mais, algo que qualquer smartphone minimamente decente é capaz de fazer.

E o cenário futuro, com celulares trazendo sensores cada vez mais potentes (algo com que a Nokia brincou primeiro, tempos atrás) e com recursos até então exclusivos, como abertura variável de diafragma, as coisas vão ficar bem difíceis para os fabricantes, ao menos os que insistirem que não estão ameaçadas.

Afinal, sempre há espaço para uma nova Kodak, a empresa que inventou a câmera digital e mesmo assim conseguiu perder o bonde da inovação.

Com informações: Nikkei (em japonês), TechSpot.

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