Home » Entretenimento » Bohemian Rhapsody, Green Book, Netflix, The Americans: confira os grandes vencedores dos Golden Globes 2019

Bohemian Rhapsody, Green Book, Netflix, The Americans: confira os grandes vencedores dos Golden Globes 2019

Confira os grandes vencedores do Golden Globes 2019: Bohemian Rhapsody, Green Book e a Netflix, com Roma e O Método Kominsky

07/01/2019 às 17:52

Ontem tivemos a 76a edição da premiação Golden Globe Awards, em uma noite que ficou marcada pelo discurso da apresentadora Sandra Oh sobre diversidade. O grande vencedor da noite foi Bohemian Rhapsody, filme que mostra a trajetória da banda Queen e seu eterno vocalista Freddie Mercury, que provavelmente ficaria muito orgulhoso do feito, que poucos julgavam ser possível, ainda mais pelas dificuldades que a produção teve que enfrentar.

Bohemian Rhapsody foi o grande vencedor dos Golden Globes 2019

Apesar de ter levado só dois prêmios pra casa, o filme abocanhou não só o Globo de Ouro de filme de drama mais importante do ano, mas também o cobiçado prêmio de melhor ator para Rami Malek por sua interpretação marcante como Freddie, o que não deve ter sido fácil, já que ele foi um dos maiores showmans que o mundo já conheceu.

Vale lembrar que o diretor Bryan Singer foi despedido antes de terminar o filme, por supostamente ter tido uma briga com seu ator principal e ter faltado as filmagens alguns dias. O final de Bohemian Rhapsody, incluindo a cena do Live Aid, foi dirigido por Dexter Fletcher, que acabou creditado no filme apenas como produtor executivo.

Pretendo publicar mais tarde uma resenha falando tudo que penso sobre Bohemian Rhapsody, mas só pra adiantar, tenho alguns sentimentos contraditórios sobre ele. Como filme, ele consegue atingir seu objetivo, que é emocionar e divertir os fãs do Queen, desde que o espectador não fique pensando nos detalhes e na cronologia da vida de Freddie Mercury e a história da banda, pois aí, nada vai fazer muito sentido.

É um filme que dá mais importância ao sentimento por trás do Queen do que aos fatos em si. Eu realmente não sei se Bohemian Rhapsody merecia vencer o prêmio principal da noite, mas admito que os meus filmes favoritos do ano nem sequer foram indicados, mas a verdade é que ele funciona muito bem na tela, e se os fatos não foram bem assim, como dizia Nelson Rodrigues, pior para os fatos.

Muitos estranharam ver o filme concorrendo (e vencendo) como drama e não como musical, afinal boa parte do drama do filme é totalmente inventado, incluindo um rompimento (entre o cantor e o resto da banda), e as cenas com músicas são as mais empolgantes de todas.

Pois bem, sobre isso é válido lembrar que estamos falando dos Golden Globes, uma premiação na qual Perdido em Marte inacreditavelmente levou o prêmio de melhor comédia, como bem me lembrou o Cardoso hoje quando estava falando sobre o assunto.

O motivo para a suposta falta de critério dos Golden Globes é que eles são organizados pela Hollywood Foreign Press Association (Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood), mas vou deixar pra falar sobre isso mais pro fim deste post, depois que falarmos mais dos outros vencedores.

Green Book, um dos maiores vencedores dos Golden Globes 2019

Outra surpresa na noite de ontem foi Green Book, que ganhou melhor musical ou comédia do ano, assim como os Golden Globes de melhor roteiro e o de melhor ator coadjuvante (em musical ou comédia) para Mahershala Ali como o pianista Don Shirley. 

Os prêmios chegam no momento em que o filme enfrenta problemas com a família de Shirley, que ficou chateada com a forma como o músico é retratado na tela, além de garantirem que a bela amizade entre ele e Tony “Lip” Vallelonga, seu segurança/motorista no filme na verdade não passava de uma relação profissional, e que o filme seria “feito de mentiras”.

O papel é interpretado por Viggo Mortensen, que ficou chateado e respondeu a família em público, dizendo que as críticas eram injustas com Nick Vallelonga, que é filho de Tony, e levou pra casa o Golden Globe de melhor roteiro ao lado de Brian Currie e Peter Farrelly pelo filme.

Farrelly, que também é diretor de Green Book, defendeu o filme, dizendo que a história é sobre dois meses na vida de duas pessoas, além de explicar que não sabia da existência da família até ter terminado o projeto, quando os convidou para uma exibição.

O ator Mahershala Ali, no entanto, optou por outro caminho, e resolveu pedir desculpas aos familiares de Don Shirley, dizendo que que respeitava a família e o músico que interpretou, mas não sabia da existência deles quando estava se preparando para o papel, caso contrário certamente teria procurado para tentar entender o ponto de vista e ajudar na composição do personagem.

Netflix venceu o Golden Globe de melhor comédia ou musical com O Método Kominsky

A Netflix foi outra que deve ter comemorado e muito resultados dos Golden Globes, afinal por mais que Roma não tenha sido indicado para melhor filme, acabou levando o Globo de melhor filme estrangeiro e também o de melhor diretor para Alfonso Cuarón. Pra completar a alegria, a série O Método Kominsky também foi premiada como melhor série de comédia, para tristeza dos fãs de The Good Place.

Entre os outros prêmios, a atriz Glenn Close levou o prêmio de melhor atriz em filme de drama por A Esposa, superando as favoritas Nicole Kidman e Lady Gaga, enquanto a inglesa Olivia Colman ganhou por seu papel como a Rainha Anne em A Favorita, deixando na saudade as favoritas Emily Blunt e Charlize Theron.

Jeff Bridges levou o prêmio Cecil B. DeMille pelos feitos da sua carreira, e aproveitou pra homenagear seu personagem The Dude em O Grande Lebowski. A veterana comediante e atriz Carol Burnett também foi homenageada com um prêmio que leva seu nome, e que passará a ser dado anualmente pelas pelas realizações na televisão.

O melhor ator em filme musical ou comédia ficou com Christian Bale, que no seu discurso agradeceu a Satã pela inspiração para interpretar o papel do ex-vice-presidente Dick Cheney em Vice, deixando bem chateados vários admiradores do político, mas ganhando o agradecimento da Church of Satan.

Rachel Brosnahan venceu o prêmio de atriz de comédia ou musical por Maravilhosa Sra. Maisel, superando Kristen Bell, Alison Brie e Candice Bergen, e Michael Douglas, o de ator por O Método Kominsky, o que foi uma surpresa se levarmos em conta que Donald Glover, Jim Carrey e Sacha Baron Cohen estavam entre os indicados.

A atriz coadjuvante em comédia e musical foi Regina King de Se a Rua Beale Pudesse Falar. Na categoria de animação, Homem-Aranha no Aranhaverso venceu concorrentes muito fortes como Ilha dos Cachorros (de Wes Anderson), os Incríveis 2 e WiFi Ralph – Quebrando a Internet.

O Primeiro Homem (First Man), que pra mim foi um dos melhores filmes do ano, ficou com um único prêmio, o de trilha sonora original, mas esse foi muito justo, diga-se de passagem. A música Shallow de Nasce Uma Estrela deu o prêmio a Lady Gaga, que deve ter ficado feliz da vida, por mais que não tenha vencido como atriz.

Em seu ano de despedida das telas, a incrível série The Americans superou Homecoming e Bodyguard como a melhor série de drama do ano, outro prêmio que considero muito merecido se consideramos os indicados, com todo o respeito aos concorrentes.

A vencedora como minissérie do ano foi American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace, que também deu ao ator Darren Criss o prêmio de melhor desempenho de ator em minisséries. Patricia Arquette ganhou o mesmo prêmio como atriz por Escape at Dannemora.

A melhor atriz coadjuvante da noite foi Patricia Clarkson, como a impressionante mãe de Sharp Objects, enquanto o melhor ator coadjuvante foi Ben Whishaw por A Very English Scandal.

A melhor atriz em série de drama foi Sandra Oh de Killing Eve, superando a favoritíssima Elisabeth Moss de The Handmaid's Tale. O melhor ator em série de drama foi pra Richard Madden por Bodyguard, algo meio inexplicável, mas de novo, precisamos lembrar que os Golden Globes não são uma premiação comum.

Entre os indicados a melhor filme que eu assisti, minha maior torcida era por Infiltrado na Klan de Spike Lee, mas eu já aprendi faz tempo que geralmente os meus favoritos não são os vencedores das premiações, ainda mais se estamos falando dos Golden Globes. De qualquer forma, fico feliz pela vitória de Bohemian Rhapsody, que valeu só pela expressão de incredulidade nos rostos de Brian May e Roger Taylor quando o resultado final foi anunciado.

Muitos podem não concordar com os critérios dos Golden Globes, inclusive eu eventualmente, mas é preciso levar em conta que a HFPA é formada por apenas 90 pessoas, entre jornalistas e fotógrafos, então o universo aqui é bem menor que os quase 8000 votantes da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, responsáveis por escolher quem vence os Oscars do ano.

Confira todos os vencedores no site dos Golden Globe Awards.

relacionados


Comentários