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Hitman 2 – Review

O Agente 47 encara, em Hitman 2, uma verdadeira caçada ao Shadow Client. Só não esqueça de ser furtivo para não se dar mal

06/12/2018 às 14:08

Hitman 2, desenvolvido pela IO Interactive e publicado pela Warner Bros., entrega ao jogador uma experiência interessante de ser explorada, mesmo não chegando perto da qualidade de gameplay e arte dos grandes lançamentos do ano. Separar cada missão do Agente 47 em capítulos, com objetivos definidos, mas diferentes formas de abordagem, tornou este sandbox uma boa opção para jogar “em doses homeopáticas”.

A mais nova caçada do marrento agente carequinha badass chegou no dia 13 de novembro para PS4, Xbox One e PC. Você confere a análise do Meio Bit logo abaixo.

HITMAN-2 / divulgação

O mestre dos disfarces é um bom anfitrião para novatos

Resolvi começar por esse tópico para destacar dois pontos: este é o primeiro título da série Hitman que jogo e a experiência até que foi melhor do que imaginei, mesmo com alguns problemas. Segundo, não tive dificuldade alguma em me adaptar aos controles e estilo de jogo.

Hitman 2 trabalha com um tipo de tutorial já imerso no gameplay, o que é o melhor a se fazer, em minha opinião. Você aprende a mecânica do jogo já inserido em uma missão principal, ou seja, sem “quebrar o clima”. Não é preciso ser arrancado do jogo principal e atirado numa câmara de testes, de onde você só sai se provar que merece, ao estilo do primeiro Assassin’s Creed, por exemplo. Ainda bem que a Ubisoft parou com aquilo!

Mas voltando… Também para os novatos na série, há a opção de assistir uma cutscene com os últimos acontecimentos da conturbada vida do “Meu Carequinha Favorito”, vulgo, Agente 47: assassino, homão das sombras, com um charme não compreendido, sérios problemas motores quando mais precisa ser ágil (falaremos disso mais adiante) e com um gosto peculiar para roupas (o traje de flamingo rosa que ele usa, em uma das missões, é puro luxo!).

hitman 2 - flamingo / divulgação

Iti Malia, que coisinha mais fofa e marrenta!

Voltando do surto repentino de hormônios, a história deste thriller de espionagem te coloca na pele do mestre dos disfarces ao caçar o Shadow Client e, por fim, desmantelar de uma vez por todas a sua milícia. No entanto, a descoberta da real identidade do Agente 47, e do seu passado, pode mudar toda essa caçada. Por motivos de spoilers, vou parar por aqui.

Durante sua caçada, 47 viajará para várias localidades ao redor do mundo, em regiões cheia de oportunidades… De matar, digo, de completar sua missão de maneira furtiva e, por que não, criativa. Os cenários variam desde a ensolarada Miami, durante um evento automobilístico, a florestas tropicais perigosas e esconderijos de narcotraficantes. Cada um desses ambientes oferece maneiras únicas de interação e caminhos para completar seu objetivo.

Seja furtivo ou seja morto, na maioria das vezes

Bom, vamos falar um pouco sobre o que notei ser um grande estresse em Hitman 2. Talvez não tanto um problema se você jogar “pelas regras” do game: seja furtivo, sempre (sempre!) que possível. Eu sei que pode ser redundante afirmar isso, num jogo em que você controla um assassino que precisa ser discreto, mas é verdade. Explicarei o porquê.

Hitman 2, definitivamente, não é um título para ser jogado em modo berserker. E o jogo vai te lembrar desse fato, te atropelando feito trator, toda vez que você esquecer disso. Como sempre gostei do estilo “stealth” de gameplay e joguei muito Deus Ex e um pouco de Metal Gear, ter paciência e esperar o melhor momento para atacar não é um problema para mim.

Agora, se você é cria de Call of Duty e Battlefield, e nunca jogou algo do tipo, acredito que terá alguns problemas para se adaptar ao ritmo mais calculista, não abertamente imposto aqui. Digo isso porque o Agente 47 pode ser o melhor “silent assassin” dos games (desculpe Ezio Auditore), mas ele é o ser mais lento para atacar e se defender de ataques diretos que já testei. E isso mesmo com os “quick time events”, para tentar fazer a defesa e contra-ataque perfeitos.

hitman 2 / divulgação

Bolinho com recheio de veneno de rato: crocante até a última mordida (da sua vida)

É desesperador vê-lo, lentamente, saindo de esconderijos, esquivando e correndo, como se estivesse passeando na Disney, enquanto uma tempestade de balas cai sobre seu lombo.

Por isso, o conselho é: faça o que fizer, mas não seja descoberto. Há algumas maneiras, já conhecidas na série, para baixar as suspeitas sobre você, como causar uma distração (arremessando algum objeto para longe de onde está escondido), ou trocando seu disfarce atual. Pelo cenário, é possível encontrar alguns armários e contêineres para se esconder também.

Ah, ao neutralizar ou matar alguém, não esqueça de sumir com o corpo (joga no mar ou em algum latão de lixo, por exemplo) para não levantar suspeitas. Atenção redobrada para as câmeras de vigilância. Elas podem alertar seguranças da sua movimentação. Seja também discreto com os equipamentos e armas que for levar com você. Esses gadgets podem ser selecionados no início de cada missão. Armas maiores, por exemplo, precisam ser levadas numa maleta para disfarçar.

O curioso é que se alguém te vir com uma shotgun nas costas, por exemplo, a reação é algo do tipo: “nossa!!! Que careca louco! Chamem a segurança!”. No entanto, ninguém vai te parar para perguntar porque você está carregando 5 tijolos, 10 latinhas de refrigerante, 3 caixas de veneno de rato, tesoura, um fêmur, chave de fenda e patos de borracha explosivos nos bolsos do terno. Claro que não. Para que? Super natural isso.

Detalhe: tudo isso listado, no parágrafo anterior, já esteve nos meus bolsos, ao mesmo tempo, numa missão. A série Fallout me fez criar um péssimo hábito de acumular coisas.

Dica de sobrevivência: salve, manualmente, a missão sempre que fizer algo importante. Por vezes, já recarreguei um ponto salvo para refazer uma ação que não havia dado certo, ou mesmo para tentar outra abordagem (que não colocasse toda a horda dos infernos atirando em mim ao mesmo tempo). E mais, sempre que seu personagem morre, você tem a opção de recomeçar a missão toda de novo ou carregar um ponto salvo. Ser um salvador compulsivo de gameplay pode te poupar um precioso tempo nesse quesito.

A grande sacada de Hitman 2 é você aprender com seus erros, e acredite serão muitos. Dependendo da ocasião, e da quantidade de vezes que repetir uma missão, você já terá a planta da região decorada e ficará mais fácil para colocar armadilhas ou melhor se posicionar. Essa parte lembra um pouco Splinter Cell.

Hitman 2 / divulgação

Quando sentir que já dominou uma área, é possível repetir a mesma missão para explorar outras abordagens e desafios. Há também três níveis de dificuldade para cada uma delas. Completar os contratos te garantem pontos de experiência, que servem para desbloquear equipamentos melhores. Como não há a possibilidade de marcar pontos de interesse no mapa, você tem mesmo que explorar e buscar memorizar rotas de fuga, caso precise correr (boa sorte com isso).

Facilitadores para chegar ao seu alvo final estão espalhados pela região e podem ser pessoas em um bar, por exemplo. Se esconda em algum lugar ou finja trabalhar em uma loja para escutar os clientes conversando. Essa pode ser uma forma de conseguir dicas para completar seu objetivo, ou um novo disfarce. A máxima é usar o mundo a seu favor e ser paciente. Novamente, incorporar Michael Douglas, no filme Um Dia de Fúria, não vai resolver os seus problemas aqui.

Modos de jogo inéditos e missões remasterizadas

Uma das novidades de Hitman 2 são as novas formas de aproveitar o modo Sniper Assassin. Fora da campanha principal, você pode optar por participar de missões cooperativas, ou jogar solo, neste recurso inédito para a série. Neste co-op, você trabalhar em conjunto online (ou sozinho) para derrubar alvos. O tempo, neste caso, não está mais a seu favor e é necessário ser efetivo e eficaz para cumprir seu objetivo antes que seu objetivo escape.

No multiplayer, além do modo cooperativo (Sniper Assassin), você também pode se aventurar no modo competitivo (Ghost Mode). Aqui, você compete com outro jogador online para descobrir quem consegue assassinar um alvo de maneira mais rápida e discreta primeiro. Já a campanha principal singleplayer é composta por seis regiões diferentes, que podem ser jogadas de novo quantas vezes quiser.

Se achar que não é o bastante, ainda é possível comprar (como DLC) o Hitman Legacy Pack, que permite jogar as seis regiões remasterizadas e aprimoradas do título anterior.

Conclusão

Dando uma opinião final bem pessoal, Hitman 2 certamente não é o jogo da minha vida (e está longe de ser), mesmo eu gostando do gênero stealth. No entanto, me diverti mais do que eu sinceramente esperava. Visualmente, o game parece um lançamento de início da geração, mas nada que comprometa a experiência.

Tendo em mente que o Agente 47 pode “evoluir”, em questão de segundos, de um assassino furtivo para um tiozinho reumático de 90 anos, se ele for descoberto por inimigos, você consegue passar bons momentos planejando os assassinatos e arquitetando diferentes formas de abordagem de uma mesma situação.

A separação da missão principal em capítulos, ou contratos, foi crucial para o jogo não se tornar mega cansativo e chato, já que se passa muito tempo armando todo um circo para se chegar num alvo. Os modos Sniper Assassin e Ghost Mode também são bem interessantes e o servidor não caiu em nenhuma partida.

O ponto alto de Hitman 2 é mesmo a exploração e planejamento de assassinatos. A história sofrida do Agente 47 acaba se tornando um simples plano de fundo. E por falar do protagonista, não dá para dizer que ele é um personagem cativante, tipo um Geralt de Rivia ou Nathan Drake, até porque bem… Um cubo de gelo é mais simpático que ele, mas o carequinha tem seu charme. Quem sabe depois de algumas bebidas ele não se solte mais… Ok, parei.

Ficha Técnica – Hitman 2

  • Plataformas: PS4, Xbox One e PC
  • Desenvolvedora: IO Interactive
  • Distribuidora: Warner Bros. Interactive Entertainment
  • Preço (em média): R$220 (PS4), R$220 (Xbox One) e R$199,99 (PC – Steam)
  • Pontos Positivos: diferentes maneiras de planejar um assassinato, possibilidade de explorar as mesmas missões em dificuldades diferentes, formas criativas de usar objetos a volta como armas, modos Sniper Assassin e Ghost Mode
  • Pontos Negativos: combate corpo a corpo sofrível, personagem muito lento para correr e esquivar, não deveria nunca entrar em combate aberto, visual do jogo poderia ter sido melhor polido (veja na selfie abaixo)

hitman 2 / reprodução

O Meio Bit analisou Hitman 2 no PS4 com uma cópia digital cedida pela Warner Games Brasil.

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