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Golias — a arma mais fofa criada pelos nazistas

Conheça o Golias, uma discreta mina terrestre de esteiras controlada por cabo. Para os alemães fazia sentido investir nessa arma durante a Segunda Guerra, mas na prática…

2 anos atrás

Guerras sempre promovem avanços tecnológicos rápidos, vide a melhoria nas técnicas de efeitos especiais depois do Guerra nas Estrelas, mas um lado que pouco se fala é como o desespero faz com que muitas idéias idiotas sejam pensadas e implementadas, às vezes chegando até o campo de batalha, prejudicando e colocando em risco as vidas dos soldados.

golias

Em tempos de paz idéias como a Bomba Gay não passam da fase de memorandos, já em guerra a idéia de usar morcegos incendiários custou milhões de dólares aos EUA, até perceberem que era uma idéia extremamente idiota. Azar dos pobres morcegos que morreram durante os testes. RIP Bruce.

Um dos planos do Japão, obra daquele monte de caras legais da Unidade 731 era enviar balões para os EUA, carregando pulgas portadoras da peste bubônica, para criar epidemias em cidades americanas. Por falta de tempo hábil acabaram mandando mais de 3 mil balões com explosivos convencionais, a maioria se perdeu e no final as únicas vítimas foram uma família fazendo um piquenique.

Talvez o maior problema das armas secretas durante as guerras seja a falta de pé no chão: cientistas fechados em laboratórios apresentam projetos para generais nascidos e criados em gabinetes, e ninguém se lembra de consultar o sujeito que está todo dia na lama. Um bom exemplo foram as técnicas para defender comboios navais.

A idéia era que um bombardeiro inimigo passaria rasante sobre o navio para jogar suas bombas. Nessa hora um lança-chamas gigante projetaria uma coluna de fogo de mais de 20 metros, acertando em cheio o avião e o destruiria. Protótipos foram criados, pilotos de prova testaram e ficou claro o que qualquer um poderia ter avisado: um avião voando a 600 km/h leva 0,0034 pentelhonésimos de segundo para atravessar uma coluna de fogo, é como passar a mão rápido na chama de uma velha.

Isso não impediu que os ingleses tivessem todo um Departamento de Guerra criado para investigar o uso de gasolina em armas e técnicas de combate, o Petroleum Warfare Department. Eles se prepararam a sério para repelir uma invasão nazista, incluindo barragens de fogo instaladas no litoral:

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Lembrando que gasolina era um bem precioso e escasso em tempos de guerra, a única justificativa para os ingleses planejarem jogar milhões de litros no mar para queimar as lanchas de desembarque de Hitler era o desespero.

Do lado alemão havia um monte de idéias de super-armas. Todos os tanques e super-armas que o Capitão América destruiu no filme eram versões idênticas ou muito aproximadas de armas projetadas pelos engenheiros nazistas.

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Outras não eram tão grandiosas, mas se mostraram igualmente ineficientes, e talvez a menor e mais fofinha tenha sido o Golias, este brinquedo aqui:

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Chamada de Leichter Ladungsträger Goliath, a Golias era uma mina terrestre de esteiras. Foram feitas duas versões: uma elétrica e outra com motor à gasolina, que num campo de batalha nem faz muita diferença ser barulhento.

Em teoria um soldado com um joystick comandaria um mini-tanque, controlado por um cabo de 650 metros de comprimento. O mini-tanque (ou mina-tanque) atravessaria o campo de batalha até alcançar os tanques inimigos, ou grupos de infantaria. Então o operador detonaria os 60 kg de explosivos, mandando todos pelos ares.

Baseado em uma versão francesa desenvolvida durante a 1ª Grande Guerra, a Crocodile Schneider Torpille Terrestre, a Golias fazia sentido no papel, o bastante para que os alemães construíssem 7.564 unidades, mas como ela não mudou o destino da Guerra?

Simples: assim como o filme da Liga da Justiça, o comunismo e o cronograma do seu projeto, ela só funcionava no papel.

goliath-interior

Na prática a Golias era tudo menos prática. Com 1,5 m de comprimento e 420 kg de peso, não era exatamente portátil. Sua velocidade máxima era de 9,7 km/h, só conseguiria alcançar os primeiros tanques da Primeira Guerra Mundial, que dirá os da Segunda. Seu operador precisava ficar razoavelmente exposto para ver onde a mina estava passando. O cabo tinha a tendência a se prender em obstáculos durante o trajeto e, pra piorar, a mina só tinha 11,5 cm de espaço entre o fundo e o chão, terreno muito acidentado era inviável pra ela.

Ah sim, como não era blindada, um tiro bem dado com um M1 Garand bastaria pra detonar os explosivos ou danificar o motor, imobilizando a Golias.


OMGWiki — Goliath Tracked Mine

Versões aprimoradas tentaram usar controle por rádio, mas no final o sucesso da Golias foi muito limitado: ela só funcionava quando os alemães achavam as condições ideais de uso, e em guerra isso raramente acontece.

Um monte delas foram capturadas pelos aliados, que desmontaram, estudaram, fuçaram, perceberam que era uma idéia idiota, cujo único uso prático real era servir de carrinho pra divertir os soldados.


LoneSentryCom — Goliath Demolition Tank

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