Microsoft Hololens dando a cegos os poderes do Demolidor

Se alguém falasse sem contexto que está desenvolvendo uma aplicação Hololens para cegos a maioria das pessoas não vai entender, mas faz todo o sentido biológico, e é uma tendência que surgiu com o Kinect, o maravilhoso fracasso gamer da Microsoft que se revelou uma ferramenta científica maravilhosa.

O Hololens é ordens de magnitude mais avançado que o Kinect, e abriu um monte de portas para a área de pesquisa, uma bem interessante rendeu o paper Augmented Reality Powers a Cognitive Prosthesis for the Blind. Sim, eu sei, próteses são eugenia, mas a pesquisa dos virtualmente hitlers Yang Liu, Noelle R. B. Stiles e Markus Meister1 é por demais interessante.

Eles programaram um Hololens para servir de guia virtual para cegos. O conceito é de objetos virtuais, o Hololens faz o reconhecimento do ambiente e objetos de interesse são identificados por voz. Se existir uma escada nas imediações, ele dirá “escada adiante”, mas com um “plus a mais”: O sistema usa o recurso de áudio 3D do Hololens para gerar o som como se estivesse vindo da direção e distância relativa da escada.

Obstáculos e paredes emitem um chiado específico, para que o cego mantenha-se longe deles.

Em um dos testes os pacientes (cobaia é feio) foram instruídos a selecionar através de um controle manual o objeto “caixa”, e então depois que o objeto se anunciasse, virassem a cabeça na direção dele. Todos acertaram com precisão entre 3 e 12 graus, as variações maiores foram por causa de deficiências auditivas de alguns pacientes.

A criação dos “objetos virtuais” torna a memorização muito mais fácil, conforme confirmado no teste onde cinco objetos foram posicionados, identificados pelo Hololens e depois com o sistema desligado os pacientes tiveram que apontar onde eles estavam. Todos se saíram muito bem.

Outro recurso que estão testando é o guia virtual, onde o paciente seleciona um destino em um ambiente previamente escaneado pelo Hololens, um guia surge 1m adiante do usuário e o, bem… guia através dos corredores, indicando até os corrimãos – corrimões?- da escada.

Aqui o vídeo de um dos testes. Curiosamente censuraram a cara do paciente cego, acho que é para que ninguém o reconheça e conte pra ele que ele é gordo.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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