Blender Foundation acusa YouTube de bloquear vídeos para forçar a monetização

O YouTube se envolveu em mais uma confusão: recentemente a plataforma bloqueou globalmente os vídeos dos canais do MIT e da Blender Foundation, aparentemente por um erro de seus sistemas automatizados; no entanto, novas informações acusam o serviço de forçar os produtores de conteúdo a monetizarem seus vídeos.

O primeiro a ser afetado foi o canal do OpenCourseWare do MIT, que oferece aulas e palestras gratuitas sobre diversos assuntos. A mensagem original diz que o próprio Instituto havia feito um pedido de bloqueio por violação de direitos autorais, o que caracterizaria um erro dos algoritmos ou, menos provável alguém mal intencionado se passando pelo MIT buscando a derrubada dos vídeos.

O mesmo aconteceu com o canal da Blender Foundation, ligada ao software de modelagem 3D: todos os vídeos e palestras foram bloqueados globalmente, com a mesma solicitação de direitos autorais feita pela própria instituição. Os canais oficiais do time de futebol checo Sparta Praha, da seleção inglesa de rúgbi e do Bureau de Imprensa e Informação da Índia também foram igualmente afetados.

Só que uma investigação mais profunda, realizada pelo diretor da Blender Foundation Ton Roosendaal revelou que nada é como parece ser. Através de uma checagem nas configurações de seu canal, ele constatou que o YouTube ativou unilateralmente a monetização de seus vídeos, mesmo com a opção permanecendo desligada manualmente. O executivo afirma que sempre foi desejo da fundação compartilhar os cursos e palestras livremente, e nunca buscou fazer dinheiro com anúncios.

Ao que tudo indica o YouTube não mais estaria interessado em permitir que canais grandes, com muitos inscritos e obviamente muitas visualizações hospedem vídeos com a monetização desativada. Após uma série de mensagens trocadas entre Roosendaal e a plataforma, em que o problema não foi resolvido (cada hora uma desculpa diferente foi dada) e com o conseguinte bloqueio, a impressão é que a partir de agora ou os anúncios deverão estar ativos, ou o canal terá as operações interrompidas. Como plano B, os vídeos da Blender Foundation foram hospedados em um serviço próprio que está em fase de testes.

É bom deixar claro que não há santos nessa história: por um lado o YouTube age de forma mesquinha, alterando os acordos quando acha conveniente e forçando a monetização para aumentar seus ganhos, principalmente com seus serviços de assinatura chegando a mais países (ambos foram lançados nesta semana no Canadá, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Rússia, França, Espanha, Finlândia, Suécia, Noruega, Itália e Áustria), mas por outro é direito da plataforma utilizar os anúncios como uma compensação, já que a Blender Foundation e outros canais não pagam nada para hospedar seus vídeos.

De qualquer forma o caso se soma às várias presepadas recentes do YouTube, que não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Com informações: Blender Foundation.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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