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Sindicato dos metalúrgicos alerta que carros elétricos vão gerar desemprego

Enquanto o mundo todo olha com atenção a chegada dos carros elétricos há alguns grupos jogando contra. Desta vez são os metalúrgicos da Alemanha, com medo da inevitável queda no número de empregos com o fim das linhas de montagem de veículos de combustão interna.

27 semanas atrás

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A campanha da mídia para destruir Elon Musk continua firme e forte, mas agora acharam um novo e previsível aliado que combate a indústria de carros elétricos como um todo: os metalúrgicos. O conceito é bem antigo e remonta ao tempo dos luditas. Como diz o Lito, senta que lá vem história, a não ser que você esteja na sauna, fique de pé, é mais seguro.

O Ludismo (não confundir com Lulismo, é outra coisa) foi batizado em referência a Ned Ludd, que em 1779 teria destruído dois teares mecânicos, para proteger os empregos dos tecelões tradicionais. Eu disse teria pois Ludd nunca existiu, era uma figura fictícia criada para fins de propaganda, e funcionou.

No começo do século XIX com a Revolução Industrial muitos trabalhos passaram a ser mecanizados, incluindo funções que demandavam anos de treino como aprendiz. Isso começou a gerar desemprego, pois uma desmarofadora de curcuma mecanizada faz o mesmo trabalho que 10 desmarofadores usando apenas as mãos. A resposta foram atos de sabotagem, que não incluíam jogar tamancos de madeira — sabots — nas máquinas. O termo sabotagem originalmente em francês significava fazer algo de forma ruim deliberadamente, só depois evoluiu para o significado atual, e a coisa dos sapatos nas máquinas era uma metáfora, mas estou divagando…

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Entre 1811 e 1816, em Nottingham, Inglaterra a indústria têxtil explodiu de forma figurada e quase de forma literal, quando bandos de trabalhadores emboscavam carroças transportando teares, ameaçavam donos de indústrias, botavam fogo em fábricas, organizavam greves…

Quando três luditas emboscaram e assassinaram um industrial de nome William Horsfall a Coroa resolveu intervir, o exército britânico botou ordem na casa, passando fogo nos rebeldes. Mais tarde mais de 60 foram julgados, e 30 condenados com penas que variavam entre execução e degredo. Estava findo o movimento ludita.

Eles não eram contra tecnologia em si, somente contra os efeitos da tecnologia, e sejamos realistas: toda tecnologia nova em primeiro momento causa desemprego, mas é algo temporário e os efeitos na sociedade como um todo são positivos.

Nos primórdios da iluminação pública acendedores de lampião percorriam as ruas repondo óleo, acendendo e apagando as luzes pela cidade. Isso exigia um exército de homens que ficaram desempregados com a chegada da luz elétrica.

O automóvel desempregou um monte de cavalos, além de cocheiros, tratadores, ferreiros… a cobrinha vermelha do Word desempregou os revisores nas redassões, os computadores mais rápidos e com melhor interface desempregaram os digitadores e o zapzap desempregou o Nextel.

A automação na indústria automobilística foi muito mal-recebida no começo dos anos 80, se não me engano no Japão os trabalhadores só se acalmaram quando os robôs foram sindicalizados e passaram a trabalhar de acordo com as normas que regiam os outros funcionários.

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Uma velha anedota dizia que na fábrica do futuro só haveria dois funcionários, um homem e um cachorro. A função do homem era alimentar o cachorro e a do cachorro garantir que o homem não encostasse em nada.

Hoje as montadoras já atingiram o ponto ideal entre automação e trabalho manual, como Elon Musk descobriu não é tão simples botar robô pra fazer tudo, mas proporcionalmente um carro elétrico é bem mais simples de ser montado por máquinas, e mesmo com expectativas realistas uma linha elétrica tende a ter muito menos funcionários do que uma convencional.

Joe Hinrichs, Presidente de Operações Globais da Ford foi bem claro:

Veículos elétricos significam que as fábricas terão uma área de montagem final com metade do tamanho, exigirão metade do capital investido e precisarão de 30% menos  horas trabalhadas por carro.”

A parte importante, os 30% de redução na mão-de-obra, não escapou à atenção dos sindicatos.

Na Pior Coréia, Ha Bu-young, líder do sindicato dos trabalhadores automotivos da Hyundai, comentou sobre o tema:

Carros elétricos são um desastre. Eles são malignos. Nós estamos muito nervosos.”

Algumas das projeções do Sindicato colocam as demissões na casa dos 70% caso parem de produzir carros comuns e se foquem nos elétricos.

Na Alemanha o líder sindical Bernd Osterloh, do sindicato IG Metall (bruta nome!) prevê 75.000 demissões se as metas de 25% de carros elétricos nas ruas em 2030 for atingida. Como sempre querem que o governo faça alguma coisa, o que é uma péssima idéia, da última vez que um governo alemão bem-intencionado tentou fazer algo em benefício do povo relacionado com carros, criaram o Fusca.

Carros elétricos são melhores para o meio-ambiente, para nossos ouvidos e como a Tesla cansou de demonstrar, não precisam ser coisa de ecochato. com um pouco de boa vontade dá pra ser feliz até com um híbrido. Ao se alinhar com as indústrias sindicatos como o IG METALL (já falei que adorei esse nome?) se tornam a vanguarda do atraso, impedindo inovação em nome de uma visão de curto prazo.

A demanda por baterias de lítio já está criando milhares de empregos em lugares como Chile e Austrália. Até mesmo o tempo de recarga demasiado longo da maioria dos carros elétricos fomentará a indústria hoteleira, com pessoas planejando suas rotas levando em conta um pernoite para recarregar o carro, estações como a Supercharger da Tesla serão focos de comércio e diversão, que tal assistir a um filme enquanto seu carro recarrega?

Pense em todos os técnicos que consertavam máquinas de escrever e hoje só têm emprego atendendo a Agência Espacial Brasileira. Qual seria a solução, proibir computadores para que o mercado da Olivetti não desaparecesse? Quando a notícia do telefone chegou na Inglaterra, Sir William Preece, engenheiro-chefe do Correio Real disse “os americanos podem ter necessidade do telefone, nós temos mensageiros suficientes”.

Se a idéia de Sir Preece fosse levada a sério os ingleses teriam muito menos mensageiros desempregados, mas o país como um todo perderia milhões de libras. Sua indústria ficaria décadas defasada, seus custos permaneceriam nas alturas e no dia-a-dia todos sofreriam, pois a tendência nacional de toda tecnologia é baratear e se espalhar mesmo pras camadas mais humildes da população, justamente a que não podia arcar com o custo de mensageiros.

Existe toda uma conspiração de como a indústria matou o carro elétrico, quando na verdade ele foi morto pela ineficiência das baterias chumbo-ácido e o aumento do tamanho das cidades. Agora vemos uma conspiração real vinda dos sindicatos e da indústria periférica que irá morrer com o fim dos carros convencionais. Se esses atores usarem de seu poder de lobby junto aos políticos, a popularização dos carros elétricos será atrasada por décadas, e isso não pode acontecer.

Até porque eu eu quero meu Opalão elétrico.

 

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