Resenha: Black Lightning — é como Luke Cage, mas é bom, e tem super-heróis

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ALERTA — SPOILERS A RODO

Outro dia li algo em uma resenha e é verdade: os heróis da Netflix, nenhum deles quer estar lá. Todos são… chatos. Nenhum deles quer ser um super-herói, isso é um recurso dramático válido e comum mas tem uma hora que enche o saco. A Netflix também parece que não quer que sejam heróis. Demolidor levou uma temporada inteira pra usar um uniforme no episódio final. Todos os outros, nem isso.

Black Lightning, que estreou semana passada no CW é um sujeito que não quer ser um super-herói, e isso deveria ser um saco, mas não é. Também não é uma série lacradora (Luke Cage também não é, isso eu reconheço) e se se aproveita do clima político atual onde séries lacradoras são mais facilmente produzidas, o faz por um excelente motivo: contar uma boa história.

O paralelo com Luke Cage não é aleatório. Black Lightning foi criado em 1977 para ser o primeiro personagem negro urbano da DC (John Stewart, o Lanterna Verde é de 1971). mas nunca teve grande sucesso. Seu grande destaque seria graças a cotas, mas seu criador, Tony Isabella, estava em disputa com a DC sobre os direitos do personagem, então Superamigos estreou com uma versão genérica, o Trovão Vulcão Negro, mostrando que o importante não era o personagem, mas a raça. Ok ao menos ele não era o Aquaman.

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Na série da CW Black Lightning é Jefferson Pierce, 9 anos aposentado depois de perder seu casamento por causa das aventuras heroísticas e provavelmente por ter sido perseguido pela polícia como vigilante. Agora ele é um respeitável membro da sociedade, diretor de uma escola e tem que lidar com os problemas do dia a dia, incluindo duas filhas adolescentes, e como é uma série de TV claro que uma é certinha, a outra é a clássica retardada que só se envolve com as piores companhias.

A série se passa em um universo isolado, então ao menos por enquanto não há conexão com o resto dos personagens das séries da CW/DC, mas duvido que não vá acontecer. É um mundo onde há super-heróis, mas não chega a ser um exagero de gente voando pra todo lado.

Durante uma cerimônia em homenagem ao pai uma das filhas do Jefferson foge pra uma boate reduto da gangue dos 100, onde conhece um Tucão da vida. Óbvio que o pivete é má-notícia, e ela acaba na salinha do chefe da gangue, que decide que ela irá pra um hotel “trabalhar” pra pagar o que o namoradinho deve aos bandidos, se é que você me entende.

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Jefferson descobre que a filha não está em casa, usa um aplicativo espião de celular (aprendi com o Fantástico) e vai atrás. Chega no clube e com seus poderes elétricos, senta a porrada em todo mundo, a filha foge the end todos estão felizes.

Só que não. A ex-mulher, de quem ele está tentando se reaproximar, fica feliz pela filha ter voltado pra casa mas desconfia que Jefferson voltou a ser o Black Lightning, o que ele nega, pois a mentira é a base de todo relacionamento bem-sucedido.

Na escola o pivete do mal vai atrás da filha de Jefferson, mas é impedido, sem que nem fosse preciso usar superpoderes. Só que mais tarde ele invade a escola e rapta a menina e a irmã. Na polícia ninguém está muito disposto a fazer nada. Jefferson levanta decidido, a ex pergunta aonde ele está indo.

“Trazer nossas meninas de volta”

A ex-esposa entende e concorda — “traga-as pra casa”, ou seja, todo aquele papo de que ele não pode mais ser super-herói, que é errado etc foi pra escanteio quando é o calo dela doendo.

Não doendo tanto quanto o dos sequestradores. Jefferson vai até Peter Gambi, seu antigo parceiro, mistura de Microchip com Alfred. Peter já tem pronto o novo uniforme e… crianças, como é bom ver uma história de super-heróis onde eles se vestem como super-heróis.

Em paralelo uma trama onde é apresentado Tobias Whale, um vilão misterioso que achava que tinha matado o Black Lightning e agora quer terminar o serviço.

A série tem uma pegada Ao Mestre Com Carinho com o diretor da escola tendo superpoderes, o que faz sentido, afinal na versão original Black Lightning foi desenhado com base em Sidney Poitier.

Como é uma série do CW, não espere violência e discussões sociais sérias como as séries da Netflix, mas em compensação temos algo raro naquelas séries: heróis fantasiados que não se sentem completamente miseráveis por ter que defender a Verdade, Justiça e sei lá mais o quê.

Conclusão

Black Lightining é uma série de super-heróis tradicional, com uma excelente trilha sonora, nos moldes da de Luke Cage, mas o ritmo é muito mais ágil. O protagonista é fácil de simpatizar, e mesmo a ex-esposa não é a antagonista malvadona.

As cotações estão boas. 7,1 no IMDb, 79% no Metacritic em incríveis 100% Fresh no Rotten Tomatoes, e mesmo dando o desconto do politicamente correto, a média está excelente.

A série passa toda quarta-feira na CW  e já está disponível na Netflix, gracias Fernando pela dica. Não há ainda informações sobre estréia no Brasil, mas já está disponível na locadora do Paulo Coelho.


9 Media — BLACK LIGHTNING Official Trailer #2 (2018) New Superhero Series HD

Cotação:

4/5 Super Choques

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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