Project CARS 2 — Review

Eu adoro jogos de corrida e durante muito tempo gostei de me iludir achando que aqueles mais voltados para a simulação eram os meu preferidos. A paixão por este subgênero nasceu lá por 1998, quando joguei pela primeira vez o Gran Turismo e desde então experimentei várias franquias neste estilo.

Ter que saber qual o momento ideal para frear, buscar o traçado perfeito da pista e até fazer alguns ajustes no veículo entre uma prova e outra. Tudo isso me parecia ser a receita ideal para um jogo conseguir me agradar, mas aí tive a oportunidade de jogar o Project CARS 2 e caramba! Como eu estava enganado ao achar que sabia jogar games de simulação.

Após encarar o anterior sem muita dificuldade, achei que o pessoal da Slightly Mad Studios não faria uma mudança muito significativa nesta nova versão, mas bastou uma ou duas corridas para perceber que subestimei a capacidade do estúdio de aproximar sua franquia de uma experiência mais realista.

Com todas as assistências desligadas e jogando com um gamepad, o Project CARS 2 sem dúvida alguma será uma das experiências mais desafiadores que você terá em um jogo de corrida, principalmente se estiver jogando no PlayStation 4 ou Xbox One. A simples tentativa de não rodar após uma curva será algo que demoraremos bastante para dominar, fazendo com que os primeiros minutos (ou seriam horas?!) sejam um tanto desanimadores.

Exigindo total atenção durante as provas, o título nos ensina que uma corrida poderá ser perdida a qualquer momento, bastando cometer o menor erro para perdermos aquela posição pela qual tanto lutamos. Mas verdade seja dita: está justamente aí a principal qualidade do PC2, que é a sua capacidade (e até mesmo exigência) de imergirmos plenamente nas corridas para termos o mínimo de chance de sucesso.

Há quem diga até que o máximo do jogo só pode ser tirado caso o encaremos com um bom volante, algo que infelizmente ainda não consegui fazer. Porém, a verdade é que ao jogarmos com um controle é bom nos prepararmos para passar um bom tempo apenas tentando os ajustes de sensibilidade que o game oferece e mesmo assim, quando você se acostumar com um carro, praticamente recomeçara do zero ao migrar para outra categoria.

Por falar em ajustes, algo que me deixou bastante impressionado no Project CARS 2 é a quantidade de coisas que podemos alterar no jogo. Desde os auxílios de pilotagem até as configurações da corrida, praticamente tudo pode ser adaptado ao nosso gosto e o simples fato de tentar entender tudo o que está disponível nos menus já nos obrigará a perder vários minutos.

Experimente por exemplo configurar uma corrida para passar por até quatro variações climáticas e prepare-se para sofrer mais um pouco com a maneira como o carro se comportará numa pista molhada. Vale dizer que a recriação dos traçados é algo tá preciso que as poças d’água se acumulam justamente nas partes mais baixas e para a alegria dos mais exigentes, aqui a chuva não será algo meramente cosmético.

Percebi isso numa das primeiras provas que disputei na carreira, que começou sob um céu carregado e então, conforme a corrida prosseguia a chuva enfim começou cair e se num primeiro momento tudo correu como antes, não demorou para que grandes poças se formassem. Para minha surpresa, percebi que controlar o carro era muito difícil mesmo nas retas, com o veículo aquaplanando e tornando-se praticamente incontrolável. Por sorte eu havia aberto uma boa distância para o segundo colocado e mesmo com tanta dificuldade, esta foi uma das poucas provas que consegui sair vencedor.

Eu não ousarei dizer que este é a implementação de mudança climática mais realista já utilizado num jogo de corrida, mas posso afirmar com segurança que nunca vi nada igual. O estúdio chegou até a incluir um sistema que verifica as condições do tempo para uma determinada data e assim, se você quiser disputar uma corrida no Japão em dezembro e no dia escolhido havia previsão de neve, ela provavelmente cairá. Até mesmo o vento registrado num trecho da pista será reproduzido e embora eu não saiba dizer o quão precisa é esta simulação, não deixa de ser uma impressionante atenção aos detalhes.

Esta sequência também melhorou bastante quando se trata de conteúdo, já que agora além de termos mais de 180 carros divididos por diversas categorias, serão 60 pistas totalizando 130 layouts. Só achei uma pena termos tão poucas provas disputadas fora do estilo circuito, onde temos que ir de um ponto a um ponto b, além das corridas de rally serem do estilo rallycross.

Conseguindo entregar um nível de imersão absurdo, a sensação que o Project CARS 2 nos passa de estarmos realmente dentro de um carro a centenas de quilômetros por hora é impressionante e não me refiro apenas aos belos gráficos ou a simulação de física apurada, mas sim ao prazer de vencer uma corrida após vários minutos sofrendo e ao cuidado que precisaremos ter.

Eu ainda preciso de muito treino (e provavelmente um volante de ponta) para poder dizer que consegui me sentir a vontade no Project CARS 2. No entanto, devido a maneira realista como o jogo tenta nos colocar no meio de competitivas corridas, acho que talvez isso nunca acontecerá, mesmo porque ninguém conseguiria relaxar estando a mais de 200 km/h. Mas quer saber? É justamente aí que se encontra a principal qualidade da criação da Slightly Mad Studios.

E mesmo correndo o risco de despertar a ira nos fãs, começo a achar que quando se trata de jogos de corrida voltados para a simulação, os consoles acabam de ver uma troca no topo do pódio. No fim das contas essa talvez seja uma escolha muito pessoal, mas a verdade é que a partir de agora passarei a olhar de outra maneira para títulos como o Gran Turimos e Forza Motorsport. Além disso, se antes eu não ligava muito para jogar apenas com um controle, o Project CARS 2 tem até me feito pensar em investir na compra de um bom volante.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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