YouTubers afiliados à Nintendo são proibidos de realizar transmissões ao vivo

Eu sei que estou me repetindo mas vou dizer mais uma vez: a Nintendo ODEIA YouTubers. A companhia japonesa por muito tempo não conseguia conceber um cenário onde outros que não ela lucravam com suas criações, o que a levou a tomar o dinheiro do AdSense de todo mundo em 2013. Medidas relacionadas como o combate a speedruns, a tentativa de sabotar a EVO e a distribuição de strikes em vídeos de Minecraft só serviram para aumentar a antipatia do público.

Em 2014 no entanto a Nintendo ofereceu uma opção a YouTubers através de seu próprio Programa de Afiliados, que estipula uma série de regras bastante rígidas para seus parceiros. Em primeiro lugar é obrigatório ser membro do Programa de Parcerias do YouTube (que já tem sua própria cota de controvérsia), que devido às regras mais recentes é restrito a quem possui um mínimo de 10 mil visualizações de modo que é imperativo monetizar as criações.

Há duas modalidades, registrar o canal inteiro ou vídeos individuais e diferenças na renda. A primeira reverte 70% do dinheiro dos anúncios mas submete todo o conteúdo para que o YouTube e a Nintendo retirem suas partes (mesmo de vídeos não relacionados ao estúdio); já a segunda permite o registro de forma individual, porém com retorno de apenas 60%. Independente disso o YouTuber é obrigado a reservar uma parte de seu conteúdo para lançamentos da Nintendo e só pode falar de games aprovados pela empresa japonesa.

Basicamente o Programa de Afiliados é uma MCN (multi-channel network), onde a Nintendo é quem detém a palavra final e os membros devem seguir suas diretivas à risca ou serem chutados para fora. Foi exatamente o que a Disney fez ao assumir o controle total da Maker Studios e se pararmos para pensar todas estão hoje nas mãos de grandes companhias, como a Machinima (Time Warner) e AwesomenessTV (Dreamworks/Verizon). Resumindo, ou segue as regras ou a porta da rua é serventia da casa.

Agora a Nintendo alterou o acordo (e reze para que ela não o altere novamente) mirando naqueles que inscreveram seus canais completos, proibindo os afiliados de fazerem transmissões ao vivo de qualquer espécie. A regra vale para qualquer tipo de conteúdo, não apenas para games da Nintendo e a casa do Mario deixa isso bem claro na página oficial, ao explicar que “transmissões ao vivo em streaming no YouTube se encontram fora do escopo do Nintendo Creators Program”. Ao usuário que deseja fazer streaming restam apenas duas opções: utilizar um canal alternativo que não tenha sido inscrito no Programa de Afiliados ou cancelar o registro e inscrever os vídeos individualmente, sabendo que ganhará menos dinheiro. Nada muda para vídeos de Let’s Play, no entanto.

Há dois motivos para que a Nintendo tenha tomado tal atitude. O primeiro, o mais óbvio é que transmissões ao vivo são um tipo de conteúdo que a empresa não tem como controlar, qualquer coisa pode acontecer e dadas as pataquadas recentes de Felix “PewDiePie” Kjellberg, tal atitude é até compreensível. O segundo é um pouco menos evidente, mas completamente previsível vindo da Nintendo: dinheiro. YouTubers podem monetizar a transmissão ao vivo através de links para sites de patronato ou mesmo utilizando ferramentas como o Super Chat ou o programa de inscrições, e desnecessário dizer que a Nintendo não fica com nenhum tostão vindo delas.

Em seu entendimento (e isso é correto do ponto de vista de direitos autorais) as marcas são sua propriedade, apenas a Nintendo detém o direito inalienável de lucrar com elas e cabe à empresa decidir se irá ou não compartilhar seus ganhos com os produtores de conteúdo. Dessa forma a companhia entende que é melhor proibir o uso da funcionalidade de streaming para evitar não só a transmissão de algo impróprio, mas também para não deixar que outros ganhem dinheiro com suas IPs em seu lugar.

Em todo caso, as regras já estão valendo e afetam todos os YouTubers afiliados à Nintendo. Logo, se você registrou seu canal não poderá mais fazer streamings, a menos que mude a modalidade para registrar vídeos individuais. E claro, perca dinheiro no processo.

Fonte: Nintendo Creators Program.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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