Autodesk University 2017 — sai a cafeteira, entram IA e os óculos

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Com é tradição aconteceu a Autodesk University, evento anual onde profissionais, estudantes e empresas se reúnem para conhecer as novidades, aprender os pulos do gato e ouvir da boca de quem faz o que será tendência em tecnologia de design, simulação, processos, etc. Nós estivemos lá, e as mudanças são bem evidentes em relação aos anos anteriores.

Na abertura tivemos apresentações de Sylvio Mode, presidente da Autodesk do Brasil e da moça da foto acima, Amy Bunszel, vice-presidente, Engenharia Digital de Produtos, entre outros. Temas de outras anos nem foram mencionados. Sim, a Autodesk continua sendo o Gorila de 800 kg em computação gráfica, simulação e, bem, AutoCAD, mas impressão 3D saiu de moda. 

Aquela impressorinha Open Source anunciada em 2014 foi silenciosamente abandonada, e pra uma empresa líder em manufatura falou-se muito pouco de manufatura. A estrela do evento foi a Realidade, mas não essa mundana, que todo mundo tem. A Autodesk apontou as armas em direção às realidades aumentadas e virtuais.

Com a Microsoft incluindo suporte a RA/RV direto no Windows, óculos e controles se tornando cada vez mais baratos e mesmo um celular intermediário e um óculos de R$ 40,00 sendo capazes de prover uma experiência raaaaazoável (é assim mesmo, Laguna, não edite) a tendência é que todo mundo acabe consumindo conteúdo em RA/RV, e esse conteúdo precisa vir de algum lugar. E quem tem dois polegares e décadas de experiência com suites de criação de conteúdo 3D?

Outra ponta onde a Autodesk está apostando é a IA, com idéias muito além do simples design generativo. O conceito é utilizar a chamada Computação Abundante, onde você tem uma quantidade imensa de dados disponíveis e poder de processamento. Assim pode realizar milhares de simulações alterando apenas alguns parâmetros, Durante a demonstração a Amy gerou 10 mil variações de layout dos móveis de uma sala, calculando os efeitos disso na produtividade. Imagine uma espécie de algoritmo genético genérico.

Na parte dos projetos já finalizados, eles mostraram que Realidade Virtual não é só o futuro, é o presente. Depois da abertura fomos para um evento especial onde a Maria Eliza Flores, da produtora Vetor Zero apresentou um case sensacional. Criado para o Hermes Pardini, o produto é genial em sua simplicidade.

O problema: crianças ODEIAM tomar injeção. Eu entendo, eu odeio também. O ambiente hospitalar é estressante, ver aquelas agulhas provoca calafrio, desespero, choro, medo irracional, e isso é apenas minha experiência, imagine as crianças. Uma forma de distrair e acalmar os pimpolhos foi desenvolvida: uma historinha em Realidade Virtual, onde a criança é o herói e a vacina faz parte da história. Com os 3DMax da vida é tranquilo criar a simulação, e um app em um segundo celular mostra para  a enfermeira a hora certa de cada procedimento, para sincronizar com a criança. Assista:


Hermes Pardini — Realidade virtual transforma a experiência da vacinação infantil

Claro que a criança não chega e cai direto nessa cena, a sala de vacinação tem uma decoração meio medieval, e a história completa é bem maior, demora até chegar na parte da espetada. Esse case se não me engano chegou a ganhar um Leão de Ouro em Cannes. Merecido.

Na parte de portfólio a Autodesk apresentou um longa de animação, o que não é novidade, todo blockbuster de Hollywood usa toneladas de produtos deles. O que chamou a atenção foi a animação ser nacional e — calma, não volte pro XVideos ainda — eu sei, animação nacional você pensa em filme de favela cheio de denúncia social, como aquela aberração O Menino e o Mundo, feita com a mais moderna técnica soviética dos anos 40.

Lino não, Lino é animação de altíssima qualidade. Nível Pixar. No mínimo Dreamworks. Esqueça aquela aberração de Cassiopéia, e veja o trailer!


Fox Film do Brasil → Lino – O Filme | Trailer Oficial | HD

Também conversamos com Rodrigo Assaf, técnico especialista em mídia e entretenimento da Autodesk, falamos sobre o mercado de jogos no Brasil. E fizemos uma entrevista com Marcelo Cunha, que tem um título tão grande na Globo que deve ser até Mãe dos Dragões, mas resumindo é o cara que manja dos paranauês de computação gráfica e faz o mar virar sertão. Às vezes literalmente. Sobre eles você saberá nos próximos artigos.


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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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