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Reino Unido estuda meios para controlar robôs e IAs

Governo britânico propõe a criação de uma comissão para estudar as implicações legais, éticas e sociais da futura adoção de robôs e IAs pela sociedade.

3 anos atrás

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É fato que nossos robôs estão evoluindo rapidamente. Hoje nós temos máquinas muito boas (algumas muito incômodas, vide Charlie Rose tentando entrevistar a IA Sophia para o 60 Minutes; é um convite ao Vale da Estranheza) e inteligências artificiais inteligentes o bastante para dominar o jogo mais complexo do mundo.

Robôs mais ou menos humanos já são uma realidade em muitos lugares e usamos redes neurais avançadas em uma cacetada de aplicações, mas tudo está razoavelmente controlado. Mas e o futuro? O que impede uma companhia de desenvolver daqui uns 30 anos uma linha de RealDolls autônomas? Da mesma forma, poderíamos criar uma IA próxima de nossa própria inteligência (não é certo de que isso é possível, nem sabemos como nosso cérebro funciona).

Embora seja uma corrente de pensamento simples dada a velocidade que a pesquisa em robótica e inteligência artificial avança, há uma série de questionamentos que vão se acumulando. Os ludistas de plantão (religiosos em sua maioria) acreditam que não deveríamos ir tão longe, mas há outros problemas de cunhos morais, éticos e legais. Já existe uma preocupação de que os robôs serão utilizados como utensílios sexuais, o que como já citado nem é novidade: a primeira máquina de uso para recreação adulta data de 29.000 AEC.

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Todo mundo lembra dela uma hora ou outra (créditos: MGM)

Fora da questão física há a filosófica: uma IA poderia evoluir o suficiente para se designar um indivíduo independente? As Leis da Robótica se aplicariam a uma espécie que se reconheceria igual à humana, com os mesmos direitos?

O governo britânico está pensando nessas questões e propõe medidas para evitar que as coisas saiam do controle: a criação de uma comissão para cuidar e monitorar todos os aspectos para a futura inclusão dos robôs e IAs na vida cotidiana dos súditos da rainha, ou melhor dizendo uma linha-guia para os pesquisadores não pisarem fora da faixa.

Tania Mathias, diretora do Comitê de Ciência e Tecnologia para a Câmara dos Comuns do Reino Unido (o equivalente, mas nem tanto à Câmara dos Deputados daqui) acredita que "no momento, as máquinas inteligentes desempenham papéis específicos (...) mas ao passo que a ficção científica está aos poucos se tornando realidade, com as máquinas e IAs caminhando para desempenhar um papel crescente em nossas vidas nas próximas décadas", a comissão seria responsável por analisar os impactos futuros das pesquisas com redes neurais e robótica na sociedade.

O Instituto Alan Turing será o responsável pela missão de não só fomentar uma discussão global sobre o assunto (britânicos sendo britânicos) e centralizar os esforços de P&D locais para não ficar atrás de outros países, como também da inglória tarefa de educar a população para o futuro, principalmente na forma de programas de capacitação nos casos em que as máquinas substituírem os humanos nas frentes de trabalho. Há a preocupação de que IAs evoluídas representem uma redução de postos de emprego ainda maior do que a adoção dos robôs nas últimas décadas.

Enfim, faz parte. Ninguém está falando em bancar o cientista maluco e criar um Ultron (ou uma Jocasta, a gosto do freguês), mas o governo britânico está se mexendo para puxar a orelha antecipadamente de quem tentar.

Fonte: Site do Parlamento Britânico.

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