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Sony vai indenizar quem foi impedido de usar o Linux no PS3

É dono de um PS3 e chegou a utilizar uma distro do Linux no console? A Sony pode te indenizar por remover o feature se você cumprir algumas exigências.

4 anos atrás

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Quando a Sony anunciou que o PlayStation 3 passaria a rodar distribuições Linux graças ao OtherOS, um feature proprietário muita gente, principalmente desenvolvedores e pesquisadores adoraram a novidade, entretanto a turma do mal também: através do pinguim novas portas foram abertas, principalmente para piratear softwares alheios.

A Sony então voltou atrás e removeu completamente o feature em 2010, o que foi visto pelos donos do console como uma “violação” do contrato de compra e venda, já que retirou um recurso nativo do sistema. Agora, seis anos depois de uma briga extensa na justiça a Sony está finalmente aceitando que fez caca, e que irá indenizar todo mundo que foi prejudicado.

A possibilidade do PS3 rodar Linux foi muito bem recebida não só entre a comunidade do software livre, mas principalmente no meio acadêmico. Como o hardware era relativmente barato (ele custava US$ 299 na época) instituições e universidades viram no console a posibilidade de montar clusters para pesquisa com muito menos capital. A UNICAMP possuía um com 12 unidades, a Universidade de Massachussets montou um com 200 consoles. Entretanto, quem chutou o pau da barraca foi o Condor Cluster da US Air Force, um monstrengo de 1.760 PS3 com capacidade de 500 Tflop/s. Em sua época ele foi o 33º maior supercomputador do mundo e foi usado para detalhamento de imagens de satélite.

Embora é certo que todos esses projetos ainda possam estar em funcionamento pelo simples fato de que eles não são utilizados para jogar (logo não precisam de updates de firmware) novas iniciativas do tipo se tornaram impossíveis após a atualização 3.21, a que removeu o OtherOS completamente de todos os consoles conectados. A recepção por parte dos jogadores, principalmente da galera hacker não foi das melhores mas era esperado que a Sony fizesse de tudo para manter o console razoavelmente blindado, não dando nenhuma chance para a pirataria. Isso claro, até George Hotz puxar o seu tapete.

Só que alguns usuários mais organizados utilizaram os meio corretos para demonstrar sua insatisfação: um grupo de advogados representando 10 milhões de consumidores processou a gigante japonesa por quebra no contrato de compra e venda; no entendimento da defesa a Sony não poderia remover recursos de forma a prejudicar o usuário, não importando de que forma eles fossem usados. Muita gente comprou o console para rodar Linux e da noite para o dia se viram donos de um videogame comum.

Isso foi em 2010. Agora, seis anos depois a Sony está abaixando a cabeça e reconhece que deve compensações a todos aqueles que foram prejudicados com a decisão unilateral de remover o suporte ao Linux. Assim sendo ela irá pagar indenizações, entretanto os donos do console deverão cumprir algumas regras básicas: só vale pra quem comprou o PS3 entre 01/11/2006, dia do lançamento do console e 01/04/2010, data em que o firmware 3.21 foi liberado.

Primeiro, terão direito a uma compensação de 55 dólares todos aqueles que instalaram o Linux em seus consoles, entretanto estes deverão provar isso: a Sony exigirá comprovação através da conta da PSN, o número serial do console e uma prova (foto, vídeo) de que realmente rodou uma distro no console. Segundo, aqueles que adquiriram o console por causa do OtherOS mas não chegaram a instalá-lo (porém aleguem que perderam valores com a remoção) terão direito a US$ 9, mas deverão igualmente provar que adquiriram um sistema compatível, via serial e conta da PSN. Isso evitará que engraçadinhos donos de versões mais novas do PS3 tentam arrancar um dinheiro da Sony, ao qual não têm direito algum.

Ainda que não seja o ideal, é bom ver que ao menos aqueles usuários que realmente foram prejudicados com o fim do Linux no PS3 recebam uma grana, ainda que pouca por essa pataquada. No entanto quem se saiu bem nessa história foi o corpo de advogados, que receberão US$ 2,25 milhões em despesas.

Fonte: Ars Technica.

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