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SAP Forum 2016 — Passando o Trator

Internet das Coisas, no caso coisas enormes. Um trator. Pois é, no SAP Forum 2016 nós vimos um trator conectado.

4 anos atrás

missurss1976

O mundo corporativo tem uma estranha necessidade de sair batizando as coisas, isso confunde muito quem já é macaco velho e não se deixa seduzir por buzzwords. Nuvem por exemplo é ótimo pra Amazon vender serviço mas nós sabemos que nada mais é do que o velho cliente-servidor, coisa que a Oracle tentou com seu thin client alguns anos atrás e foi o feijão-com-arroz da IBM por décadas.

Já a tal transformação digital, uma enorme tendência em todos os cantos do SAP Forum, faz bem mais sentido, apesar de ser um conceito igualmente simples. Envolve a percepção de que no futuro (ou seja, agora) tudo envolverá software, e software customizado: foi-se o tempo em que você comprava um RM Folha no jornaleiro e isso bastava.

Um bom exemplo é a indústria automobilística. Antigamente se você quisesse reduzir as emissões de um motor passaria meses batendo cabeça em uma oficina, hoje você consegue isso alterando parâmetros de configuração na central digital, a VW que o diga (ok, péssimo exemplo).

A grande mudança é que não há mais arquivo morto: para ter uma visão global dos negócios você precisa de todos os seus dados, o que não é simples. A minha operadora burra de telefonia sempre me manda SPAM sábado de manhã, quando estou dormindo. Se fossem inteligentes analisariam meus dados de uso e mandariam no horário em que estou usando 3G mas em casa.

farmvile2

Isso tudo tem a ver com mentalidade, empresas com posturas arcaicas nem consideram que seu produtos são coisas com internet, enquanto outras tentam colocar internet em suas coisas, como a Stara, uma empresa de implementos agrícolas fundada em 1960 por um imigrante holandês e que hoje exporta de Não-Me-Toque, RS para 35 países.

No evento eles estão expondo sua tecnologia de automação e controle de máquinas agrícolas, e crianças, o negócio é bonito: esqueça aquela fantasia comunista de um sujeito com uma horta no quintal, 85% da comida do mundo é produzida por clientes da SAP e nenhum é o Zé Carneiro. Perguntado, Gilson Trennepohl — diretor-presidente da Stara — explicou que nem faz sentido para um fazendeiro com apenas um hectare ter um equipamento desses, estamos falando de plantações imensas.

Quando você tem dezenas (ou centenas) de hectares pra arar, cada litro de diesel faz diferença, cada kg de semente precisa ser otimizado. Algo que eu aprendi é que o sistema da Stara triangula 10 satélites GPS pra conseguir uma precisão de 2 cm,  o que parece sem propósito até você se tocar que as covas de plantio ficam coladas uma às outras, e quando o trator faz a volta pra escavar/semear a próxima fileira de covas, as pontas às vezes se sobrepõe, isso gera desperdício de sementes/fertilizante. No modelo tradicional, 11%. Na Stara, 2%.

O sistema também monitora desempenho, características do equipamento, peças e permite que você dê esporro caso o sujeito ultrapasse o limite de velocidade. Há até recursos de geofencing, alertando se o equipamento saiu de uma região específica, e existe — embora não implementada — a possibilidade de desligar remotamente o equipamento, mas o próprio GPS já ajuda bastante em caso de roubo, algo que eu nem sabia que existia para tratores.

painel

Outra coisa que aprendi: com sistemas de piloto automático, e com o tratorista somente monitorando o equipamento, é possível fazer trabalho noturno. Se corporações são pessoas, fazendas são máquinas, meu amigo. Quanto tempo você leva pra arar preparar e plantar 200 hectares? Exatamente, também não faço idéia, mas se você puder fazer isso na metade do tempo, aumenta seu rendimento.

O painel de controle cuida da conectividade, o sistema envia dados (odeio esse cacófato) a cada 15 segundos, via rede de celular.

Ah mas mimimi Cardoso não tem celular direito nem nas capitais vai ter numa fazenda no fiofó do Mato Grosso do Leste?

Acredite, ser de pouca fé: nem a Stara, nem ninguém nesse mercado é bobo. Eles sabem das dificuldades de conectividade, e sabem que é proibitivo estabelecer links via satélite 2-way. A solução é bem simples e óbvia: caso não ache rede celular o sistema faz um fallback para Wi-Fi e, se a plantação não possuir Wi-Fi, ainda assim tudo bem. Os dados são armazenados e quando a máquina passar perto da sede da fazenda, ela acha conexão e então envia os dados em lote.

Sim, pode não ter 3G, pode não ter TIM Fibra, mas uma fazenda de trocentos hectares PRECISA de um link internet permanente nem que seja via satélite, e esse link estará disponível via Wi-Fi, pro Bruno Mezenga xingar o maledetto Berdinazzi direto da varanda, com seu iPad.

Outra coisa legal é que a Stara está forçando a inovação: as máquinas saem de fábrica já configuradas para o sistema de telemetria / controle / navegação, e não há diferença de preço. Mesmo que você não queira, a funcionalidade está ali, e o módulo de controle já foi reduzido de 10 kg para 3 kg. Durante o primeiro ano o serviço é grátis, depois se o fazendeiro quiser, aí a gente negocia.

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