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Há 20 anos, SEGA começava a cavar sua própria cova

Relembre o conturbado lançamento do Saturn nos Estados Unidos, evento que recém completou 20 anos e que pode ser considerado o início da queda da nossa tão adorada SEGA.

4 anos atrás

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No início da década de 90 eu tive a felicidade de ganhar um Mega Drive e com ele nasceu uma enorme paixão pela SEGA. Vários anos depois eu recebi com incredulidade e extrema decepção a notícia de que a empresa estava deixando o mercado de hardware, decisão tomada após uma série de equívocos cujo início podemos dizer que está completando duas décadas.

A lembrança foi feita por um excelente artigo publicado pelo The Guardian que nos faz voltar a 1995, ano em que a SEGA planejava trazer o Saturn para os Estados Unidos e embora tenha cumprido a missão, fez da pior maneira possível.

Tendo chegado ao Japão em novembro do ano anterior, o videogame era a esperança da companhia de apagar a imagem ruim deixada tanto pelo Sega CD quanto pelo 32X, mas quando a Sony anunciou que se arriscaria pela indústria de games, os executivos da casa do Sonic entraram em pânico, fazendo uma mudança de planos que depois se mostraria bastante equivocada.

Percebendo que a concorrente mirava nos adultos e entregaria um aparelho que tinha como foco sua capacidade de exibir gráficos em três dimensões, os executivos da SEGA decidiram antecipar o lançamento do Saturn, para assim ter alguns meses de vantagens em relação ao promissor PlayStation. Assim, o então presidente da SEGA of America subiu ao palco da E3 de 1994 e fez um anúncio inesperado: a partir daquele momento os americanos poderiam ir a uma loja e, por US$ 399 adquirir um Sega Saturn!

Sega-Saturn-ConsoleNum primeiro momento a revelação de Tom Kalinske parecia sensacional. Até então alguns jogadores estavam pagando até US$ 800 por uma versão japonesa do console, o que indicava que existia demanda e por isso parecia uma ótima notícia ter acesso antecipado ao aparelho. Contudo, uma série de problemas não demorariam a aparecer.

Unidades disponíveis em poucas lojas, uma campanha de marketing fraca e principalmente, uma linha de jogos que deixava muito a desejar. Para piorar a situação, durante o mesmo evento a Sony revelou que o seu primeiro videogame chegaria às lojas custando US$ 100 a menos que o principal concorrente. Estava selado ali o destino do Saturn.

É verdade que no Japão o console de 32 bits da SEGA ia relativamente bem, mas aquela semana praticamente sepultou qualquer chance da empresa nos Estados Unidos e na Europa, regiões onde as desenvolvedoras não pareciam muito dispostas a lidar com toda a complexidade da arquitetura do belo Saturn e como a história nos mostrou diversas vezes, sem jogos não há videogame que resista.

Jogar no Saturn toda a culpa pelo fracasso da SEGA é sem dúvida alguma uma injustiça, mas se tivéssemos que apontar uma data para simbolizar o início da queda da outrora gigante japonesa, acho que poderia ser 11 de maio de 1994, o dia em que a SEGA fez, a fórceps, o nascimento do Saturn.

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