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Resenha — Mad Max: Estrada da Fúria

Confira a nossa resenha do mais novo filme com a bela Chalize Theron, Mad Max: Estrada da Fúria. Será que o esforço de George Miller valeu a pena?

4 anos atrás

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Esse era o Mel Gibson no Mad Max 1 (crédito: The Playlist)

O primeiro Mad Max não era exatamente um primor de produção: com algumas poucas centenas de milhares de dólares à época, o diretor e roteirista australiano George Miller fez uma espécie de faroeste de vingança num mundo distópico, situado após a crise energética. Assistindo recentemente, o filme de 1979 é muito diferente do que aquele que o tio Laguna achou que viu nas tardes do SBT.

Tínhamos ali algum rastro de civilização, e o personagem principal era um policial com o Ford Falcon XB sedan 1974 amarelo, um belo carro para a época. Aquele defensor da lei e da ordem era Max Rockatansky (interpretado por um jovem Mel Gibson), alguém que fica compreensivelmente louco quando uma gangue de motoqueiros persegue e atropela sua esposa e filho. Tal gangue espalhava o medo por onde passava, em troca de alguns galões de combustível para saquear mais gente. Depois da merecida vingança o louco Max, esse Batman do futuro bem alternativo, vai caçar bandido no deserto australiano com seu Ford XB Falcon GT351 preto de 1973. 100 milhões de dólares arrecadados depois, surge uma continuação tão superior que é mais fácil ignorarmos o primeiro filme logo.

Sério, o Mad Max de 1979 cai na regra dos 20 anos: envelheceu mal, é tudo tão arrastado e tosco que é complicado levar a sério hoje. Nisso concordo com o povo da Casa Geek: só assista ao Mad Max 1 se estiver realmente disposto a encarar aquilo.

Um filme que envelheceu bem melhor foi o segundo Mad Max, esse todo mundo lembra.

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Mad Max 2: The Road Warrior

Com um orçamento maior, o George Miller colocou mais cenas de perseguição, um elaborado visual sadomasoquista nos vilões e um roteiro bem melhor desenvolvido. O cowboy Max Rockatansky aqui basicamente protegia os colonos, do que restava de uma refinaria de petróleo, de saqueadores bem armados e com veículos pra lá de feios, mas que aguentavam o rojão.

O tio Laguna nem precisa relembrar muito, todo mundo lembra do garoto-fera e do capitão Gyro. Isso do lado dos mocinhos. Os vilões metiam medo só de olhar. Ou vergonha alheia, sei lá.

“Omae wa mou shindeiru”

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“Você já está morto”

Aliás, devo abrir um parêntese: foi graças aos dois primeiros filmes do Mad Max que surgiu o animê Hokuto no Ken ou, traduzindo, Fist of the North Star. O protagonista é Kenshiro, um discípulo do clã e arte marcial lendária Hokuto Shinken, que teve a noiva Yuria raptada para compor o harém de Shin, representante do clã e arte marcial rival Nanto Seiken. Isso tudo num mundo pós-apocalíptico, onde as guerras nucleares conduziram o que restou da humanidade à barbárie.

Enquanto o mangá de Hokuto no Ken estreou na Shōnen Jump em 1983, portanto pouco depois do Mad Max 2 estrear nos cinemas lá, o animê concorreu contra pesos pesados como Dragon Ball e Saint Seiya. Todos os três foram produzidos pela Toei Animation, mas enquanto Dragon Ball era mais comédia e Os Cavaleiros do Zodíaco ainda estavam aprendendo a elevar o cosmo, em Hokuto no Ken a violência retratada era bem explícita.

♪♫ “We Don't Need Another Hero” ♬♩

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Mad Max Beyond Thunderdome (crédito: Multiglom)

Em Mad Max 3, lançado em 1985, Max Rockatansky vira pistoleiro de aluguel que se recusa a matar e acaba isolado no deserto, salvo por jovens que o consideram como o Messias. Um messias vingativo: por que não fazer duas coisas ao mesmo tempo?

Dê uma lição na amazona de Bartertown e leve os jovens selvagens para longe do inferno sadomasoquista do deserto australiano pós-apocalíptico. Infelizmente nem todo herói tem final feliz.

E é prolongando o sofrimento do louco Max que trinta anos depois temos Mad Max: Fury Road.


Warner Bros. Pictures Brasil — Mad Max: Estrada da Fúria - Trailer Oficial 2 (leg)

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Mad Max: Estrada da Fúria (aviso: leves spoilers abaixo)

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Tom Hardy substitui Mel Gibson como Max Rockatansky (crédito: Warner Bros)

O novo filme pega o melhor dos dois filmes anteriores: temos as perseguições do segundo e o ataque à tirania de um supremo líder do terceiro filme da franquia. Só temos um porém: o louco Max não é mais protagonista, no máximo o coadjuvante mais marcante. Ele mal fala.

Quem rouba a cena?

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Essa sim é Veloz e muito Furiosa! ♥

No futuro pós-apocalíptico, exceto a poeira, tudo é escasso. Água, comida, combustível e mulheres são considerados recursos naturais não renováveis. Se você possui os quatro em abundância, você é rei.

No caso temos o rei Immortan Joe, literalmente pai do exército de War Boys que protege sua água, sua comida, seu combustível e suas mulheres na Citadel. O que acontece quando as jovens rainhas de seu harém particular decidem que são seres humanos livres para irem onde quiserem?

Guerra.

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O Psycho de Borderlands seria um War Boy de Mad Max 4? (crédito: Reddit)

Guerra contra a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), que decidiu fugir em diligência com as belas mulheres parideiras do tirânico Joe para um lugar mais verde. Ela decide voltar para sua terra natal com as modelos da Victoria Secret e acaba encontrando a ajuda de um relutante Max Rockatansky Homem Sem Nome, disposto a ajudar a causa feminista apenas para ficar longe de Citadel. E mais perto da poeira.

Não, infelizmente não há cenas pós-créditos com o Samuel L. Jackson convocando Max para a iniciativa Vingadores. O filme é da Warner Bros, não da Disney. E, agora sério: o final abre espaço para uma continuação, mas…

Fim dos spoilers.

Nem imagino o quão terrível foi para George Miller esperar quase dez anos para que seu filme ficasse pronto. Trocas de distribuidora, elenco, locações, contribuíram para que o seu Mad Max: Estrada da Fúria quase virasse um The Last Guardian. Só que ao contrário de Duke Nukem Forever, a grande demora colaborou com o filme.

No lugar de Mel Gibson, poderia ter sido qualquer ator. Colocaram Tom Hardy e a atuação dele não é grande coisa mas também não prejudica o resultado final: ele não é bem o protagonista de Estrada da Fúria, então não dá nem pra sentir falta da atuação dele como em Inception. E tá melhor que o Bane de TDKR.

A fotografia é espetacular, os efeitos visuais, na maioria práticos, são convincentes e o enredo de faroeste, embora pareça fraco em relação aos clássicos western, é muito bem conduzido. Quase não há pausa para descanso: tudo dá errado para fazer com que a caravana continue seguindo seu destino. Seja ele qual for.

Veredito

O tio Laguna não acha que Estrada da Fúria seja melhor que o segundo filme da franquia Mad Max, mas é superior a todos os outros. Você consegue se importar com determinado personagem que parecia vilão mas era vítima.

No mar de filmes pós-apocalípticos recentes com protagonistas mulheres, como as sagas Jogos Vorazes e Divergente (nesta a continuação é muito superior), o aparentemente machista Estrada da Fúria consegue levar melhor nota no teste de Bechdel. Se bem que neste Mad Max 4 todos os vilões são homens… OH WAIT.

Então, levante esse seu traseiro gordo e vá ao cinema IMAX mais próximo. Vale o ingresso.

P.S.: em vários lugares, meu nick é Max Laguna. Nem preciso mais explicar o motivo.

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