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GVT agora é quase Vivo (ou vice-versa)

CADE aprova a aquisição da GVT pela Telefónica. Nosso órgão antitruste impõe separação completa entre os negócios brasileiros e os não brasileiros da nova empresa, para evitar interferência da Vivo na TIM Brasil e vice-versa.

4 anos atrás

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Na presente quarta-feira (25/03) o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) julgou a compra da GVT pelo grupo Telefónica. Nosso órgão antitruste teve que intervir para evitar propriedades cruzadas entre a Vivendi e a Telefónica. Na prática, estavam em jogo os ativos das operadoras TIM Brasil e Vivo em nosso país.

A Anatel já havia autorizado a aquisição, impondo a saída da operadora espanhola do controle acionário da Telco, dona da Telecom Italia. Para aprovar a compra bilionária, o CADE deu prazo de quatro meses para que o grupo Telefónica venda as ações que possua na TIM Brasil. Não tão urgente seria o processo contrário, ou seja, a Vivendi vai precisar se desfazer gradualmente da participação que ainda manterá na Telefônica Brasil, participação acionária essa adquirida pela venda da GVT.

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Todos os serviços da Telefônica no Brasil estão sob a marca Vivo (crédito: Info)

Enquanto forem mantidas as participações acionárias cruzadas, Telefónica e Vivendi não poderão exercer quaisquer poderes políticos na Telecom Italia e na Telefônica Brasil, respectivamente. Tampouco poderão “acessar ou compartilhar, direta ou indiretamente, informações confidenciais, estratégicas e concorrencialmente sensíveis entre quaisquer empresas ou entre os responsáveis pela administração e representação das empresas do Grupo Telefónica, da Vivendi e da Telecom Italia”. Basicamente uma separação completa entre os negócios brasileiros e os não brasileiros.

Amos Genish, fundador da GVT, é o mais cotado para assumir assumiu o comando da Telefônica no Brasil. Paulo Cesar Teixeira, CEO da Vivo, deixa a companhia. Antonio Carlos Valente, que estava à frente do comando da Vivo, será o presidente do Conselho de Administração da nova empresa.

As empresas também se comprometeram a manter a média nacional mensal de velocidade de acesso à banda larga contratada pelos clientes atuais da GVT em pelo menos 15,1 Mb/s. No Estado de São Paulo, a média mensal deve atingir ao menos 18,25 Mb/s.” — Exame

Interessante notar que a média da GVT é bastante superior à nacional, que é de três megabits por segundo (3 Mb/s). A média mundial de velocidade de acesso à internet é de 4,5 Mb/s e o Brasil ocupa o 89º lugar do mundo nesse quesito. Isso considerando 142 países no último trimestre de 2014.

Concentração na TV paga?

Embora a aquisição da GVT pela Vivo pareça algo ruim ao mercado brasileiro, os negócios de ambas as empresas são em sua maioria complementares. Na telefonia fixa e banda larga, a GVT só concorreria com a Telefônica em São Paulo. Muito provável que a GVT agora vá utilizar a infraestrutura da Telefônica em tal mercado, deixando a marca Vivo para o setor de telefonia mobile mesmo.

O problema maior seria a Vivo TV, serviço de televisão por assinatura disponível em cidades como São Paulo, Curitiba e Florianópolis: em tais mercados a GVT TV incorporaria um concorrente. Sem a possibilidade de a Vivo TV se expandir nacionalmente, ficamos presos às mesmas quatro operadoras nacionais de televisão paga: SKY, Oi TV, Claro TV e GVT TV.

Enfim, particularmente fico aliviado por saber que a possibilidade de a TIM Brasil desaparecer do mercado é remota, pelo menos diante de tantas imposições do CADE. Só espero que a fusão entre GVT e Vivo não piore os serviços de ambas as companhias.

Fonte: Tele Síntese.

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