Operadoras brasileiras: a busca incessante pelo pior serviço possível (dentro da legalidade)

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Se há um serviço ruim e que deixa qualquer brasileiro morto de desgosto é a telefonia celular, mais especificamente quando precisamos utilizar o smartphone para acessar a internet. As operadoras brasileiras se esforçam ao máximo para serem obstáculos na inclusão digital e na popularização da internet móvel.

O motivo é simples: são algumas poucas empresas no mercado e óbvio que precisam obter lucro para se sustentarem, não fazem caridade. Como não há no Brasil alguma agência que regule isso de forma a privilegiar os consumidores (Anatel who?), as operadoras fazem a festa com o Lucro Brasil mesmo: se não há alternativa menos pior e há aqui a cultura de que brasileiro paga caro numa boa sem reclamar pra não fazer confusão, por que não explorar o povo de jeito?

Você está achando ruim? Não se preocupe, provavelmente vai ficar ainda pior!

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Tudo começou ano passado quando a Telefónica espanhola, dona da Vivo, passou a controlar a Telco, holding que é a maior acionista da Telecom Italia. Com isso, no Brasil as operadoras Vivo e TIM possuem um mesmo dono. Para evitar cartel, a Telecom Italia teria que vender a TIM Brasil, certo?

É isso o que ela supostamente vem tentando fazer nos bastidores. Como uma operação assim envolve valores enormes e empresas de capital aberto, trata-se de informação sensível tratada a portas fechadas entre as grandes.

Infelizmente, as únicas empresas que teriam demonstrado algum interesse na compra da TIM Brasil foram as concorrentes no mercado brasileiro: Oi, Telefónica (Vivo) e América Móvil (Claro). E em conjunto.

O ideal para nós consumidores seria que entrasse mais um novo competidor no país, mas aparentemente nenhuma AT&T ou Vodafone da vida estaria interessada em pagar mais de uma dezena de bilhões de dólares para entrar com os dois pés no Brasil. O valor exato giraria em torno dos R$ 30 bilhões, isso é 8 bilhões a mais do que a Telefónica pagou pela GVT.

Das três, a que mais precisa adquirir os ativos da TIM Brasil para se manter competitiva no mercado é a super endividada Oi: no último leilão do 4G (freqüência 700 MHz), a operadora brasileira foi a única das quatro que não arrematou nenhum lote.

Voltando à TIM Brasil:

Uma oferta poderá ser apresentada em duas semanas, disseram as duas fontes. A primeira fonte disse que Oi, América Móvil e Telefónica estão confiantes que sua oferta não encontrará muita resistência dos reguladores brasileiros.”

Segundo o G1, o presidente-executivo da Telecom Italia, Marco Patuano, teria dito que “a TIM não estaria à venda mas a empresa não deixaria de avaliar eventuais ofertas que gerassem valor aos acionistas”.

Que os acionistas se danem: caso a TIM Brasil desapareça do mercado, teríamos que conviver com serviços ainda piores. Quer um bom exemplo?

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Panorama do mercado de telefonia celular no país após uma possível dissolução da TIM Brasil entre as 3 outras operadoras (Crédito: Folha de S. Paulo)

A maior parte das linhas ativas no Brasil são pré-pagas. Sem uma das maiores concorrentes, as outras operadoras vão querer seguir o péssimo exemplo da Vivo, que inventou um jeito de acabar com o plano “ilimitado” de dados: após a franquia de internet acabar, a conexão também acaba e você será obrigado a contratar outro pacote em vez de ter somente a velocidade reduzida para 32 kb/s.

Detalhe: a Vivo quer cobrar R$ 2,99 pelo pacote adicional de 50 MB, válido por sete dias.

Enquanto isso, a TIM Brasil, que praticamente popularizou o conceito de plano “ilimitado” cobra R$ 1,99 por um pacote diário de 100 MB, no plano pré-pago Web100: se você quiser mais 100 MB naquele dia, pague mais R$ 1,99. Se você não tomar cuidado, vai acabar com seus créditos mensais.

O tio Laguna é usuário de ambas as operadoras (mais a Oi) e não estou sendo pago por nenhuma. Em minha opinião, as operadoras de telefonia celular deveriam parar de nos empurrar plano de voz goela abaixo: eu basicamente uso uns 10 minutos mensais de ligações usando a voz, quero mais é internet no meu smartphone com a opção de receber e fazer ligações muito de vez em quando. A Claro, por exemplo, oferece 4G no pré-pago mas sua franquia diária é de ridículos 10 MB para qualquer coisa que não seja Facebook e Twitter. Nem preciso citar a Oi, que não entende de internet móvel mesmo tendo inovado com o SIM card tri-formato.

Posso considerar que para a minha região e para meu uso pessoal, a TIM parece ser a menos pior operadora e o único grande defeito dela é a instabilidade do sinal 3G, mas quando ele está estável em determinados lugares que mais freqüento, funciona a ponto de eu poder contratar uns 200 ou 300 MB/dia. Enquanto isso, no meu Vivo pós-pago me cobram R$ 9,90 para contratar mais 300 MB mensais.

A TIM Brasil fará falta, principalmente se não vier outra no lugar.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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