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NASA vai comprovar o paradoxo dos gêmeos

Como descobrir os efeitos do espaço no corpo humano? A NASA tem dois astronautas gêmeos idênticos. Um deles ficará em terra, outro passará um ano no espaço. Depois disso os dois serão dissecados e — ok, talvez não chegue a tanto…

5 anos atrás

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Um dos fenômenos mais curiosos da Teoria da Relatividade é a dilatação do tempo. Einstein descobriu que quanto mais rápido você se move, mais devagar o tempo passa, até chegar na velocidade da luz, onde o tempo cessa de existir. Um fóton criado no núcleo do Sol pode viajar por bilhões de anos-luz até atingir outra partícula, e do ponto de vista dele tudo ocorrerá instantaneamente.

Aquela idéia de ficção científica, de usar uma nave estelar e chegar em outro sistema solar em alguns dias é real: do ponto de vista externo, uma nave pode levar 50 anos para viajar 50 anos-luz, mas se ela viajar bem próximo da velocidade da luz, perceberá o tempo passando bem mais rápido.

Se você viajar uma distância de 10 anos-luz a 90% da velocidade da luz do seu ponto de vista terão se passado 4,35 anos. Se os cristais de dilítio estiverem calibrados e você conseguir 99% da velocidade da luz, percorrerá a mesma distância em 1,4 anos. 99,99% da velocidade da luz e você percorre 10 anos-luz em 51 dias (fonte: WA).

Claro, há o pequeno detalhe que sua massa aumenta com a velocidade, e há o problema de frear mas aí os engenheiros que se virem.

Einstein definiu isso em um Gedankenexperiment, onde um gêmeo fica na Terra, outro embarca em uma nave espacial e viaja próximo da velocidade da luz. Quando volta o gêmeo viajante está muito mais novo.

Isso será efetivamente demonstrado com a ajuda desses dois caras aqui:

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Eles são Mark e Scott Kelly, e o motivo da sua mãe olhar para você com ar de cobrança: a Dona Kelly teve não um mas DOIS filhos astronautas. Mark voou em 4 missões do Ônibus Espacial, totalizando 54 dias no espaço. Seu irmão voou em duas missões do Shuttle, uma Soyuz e foi membro de suas expedições à Estação Espacial Internacional. Acumula 180 dias no espaço.

Agora em março Scott e um russo decolarão para a ISS e passarão um ano em órbita, mas o paradoxo dos gêmeos não é o foco da missão. Dilatação do tempo já é um fato mais que comprovado, se não for levado em conta nem o GPS do seu celular funciona, e de qualquer jeito um ano viajando a 27 mil km/h deixará Scott 3 milissegundos mais jovem que Mark.

O objetivo real é estudar os efeitos da ausência de gravidade, da radiação e do confinamento, comparando Scott com Mark, durante a missão e depois. Eles farão todo tipo de exames, serão espetados e amostras serão coletadas até eles ficarem sem amostras, e no final teremos um entendimento muito maior sobre o comportamento do corpo humano nessas condições.

Isso é essencial se quisermos sair da órbita baixa: se vamos nos aventurar em missões que durarão anos, melhor ir com calma e saber se o corpo aguenta, audaciosamente ir aonde nenhum homem jamais esteve e descobrir que seus ossos viraram palha tira um pouco da glória da coisa.

A missão fará um estudo completo e será a primeira vez em que cientistas examinarão amostras frescas enviadas de órbita. Scott sincronizará a coleta de material com a partida das cápsulas de retorno, como a Dragon e a Soyuz. Algumas horas antes ele coletará sangue, separará via centrífuga e enviará, usando um astronauta como garoto de entregas. Phillip J. Fry aprova.

Em terra as amostras embarcarão em um jato direto para Houston, onde fica o laboratório principal da missão. Todo astronauta é uma cobaia, mas esses dois estão se oferecendo para um ano de desconforto, em prol da Ciência. Isso é louvável, especialmente para Mark Kelly, que se aposentou para cuidar de sua esposa, a Congressista Gabrielle Giffords. Ela foi baleada na cabeça por um imbecil em 2013, ficou entre a vida e a morte, foi declarada morta por quase todo mundo menos o Will McAvoy, mas se recuperou, mesmo com sequelas.

Em nome de todo mundo que pretende se aposentar em Marte, obrigado.

Fonte: TG.

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