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Gal Oppido e a polêmica com o Instagram

E nesta semana o fotógrafo e artista Gal Oppido teve sua conta no Instagram bloqueada por conta de imagens que vão contra a política de segurança do serviço. Censura ou decisão correta?

6 anos atrás

instagram_gal_oppido

Acho que todo mundo aqui conhece as rígidas leis que as redes sociais impõem a imagens e conteúdos considerados de cunho adulto. Milhões de imagens são deletadas do Facebook todo mês por infringir o código de conduta interno do serviço. Algumas imagens são limadas pela própria censura da rede social, outras são denunciadas por usuários que se sentiram ofendidos pela imagem ou vídeo. Eu mesmo tive um sério problema relacionado a isso com o Flickr alguns anos atrás. Tenho um vasto trabalho dentro da fotografia de nu e sempre postei no Flickr normalmente estas fotos até ter minha conta bloqueada. Um usuário denunciou minhas fotos como impróprias e tive que classificar todas as fotos que apresentassem problemas dentro da categoria “restritas”. O Flickr até ajudou e mandou a seguinte receitinha:

  • Seguro - Conteúdo adequado para um público geral e global
  • Moderado - Se você não tiver certeza se o conteúdo é adequado para um público geral e global, mas acredita que ele não precisa ser restrito, esta é a categoria adequada
  • Restrito - Você provavelmente não mostraria este conteúdo para sua mãe, e com certeza ele não deve ser visto por crianças
  • Uma boa regra é que seios e bumbuns nus são “moderados”. A nudez total frontal é “restrita”.

O Flickr ainda foi bacana. Outras redes sociais não perdoam. Um exemplo disso é o problema que o fotógrafo e artista Gal Oppido teve esta semana com o Instagram.

A sua conta foi simplesmente bloqueada, por violar os termos de uso, ou seja, imagens inadequadas para o convívio familiar (ou mais ou menos isso). Segundo o fotógrafo “Compartilho meus desenhos desde 1973, através de cadernos, e agora uso essas mídias eletrônicas como ferramenta de circulação dessa produção junto com a fotográfica” e ele mesmo admite que, provavelmente, o bloqueio se deu devido a uma foto de dois bailarinos que compõe um ensaio que vem realizando nos últimos 3 anos. Ele ressalta que “das mais de dez mil imagens já por mim postadas, boa parte são frutos de ensaios que lidam com leituras do corpo. É meu universo, minha crônica compartilhada, muitas dessas são resultantes de cursos que ministrei no MAM [Museu de Arte Moderna de São Paulo], onde sou professor desde 2001”.

Como a coisa tomou proporções gigantescas, usuários do Facebook se juntaram e começaram a postar mensagens com a hashtag [email protected] A movimentação deu certo e a conta do fotógrafo foi liberada novamente. Essa não é a primeira polêmica em  que se envolve o artista Gal Oppido. Em 2009, a empresa de impressão fotográfica Digipix se recusou a imprimir o portfólio do fotógrafo por conta da existência de imagens de conteúdo adulto, coisa que vai contra a política de prestação de serviços da empresa. Nos dois casos, a internet foi invadida por protestos contra a censura destes atos, mas eu me pergunto: como resolver a situação?

Bem, o que vem a seguir é minha opinião apenas, e se trata da opinião de quem faz trabalhos fotográficos com os tais conteúdos impróprios que o Facebook tanto ama deletar. Serviços como Facebook e Instagram são gratuitos e você pode usufruir de suas comodidades desde que cumpra as regras de boa convivência. Todo lugar de convívio social possui regras e, se não forem absurdas, geralmente cumprimos sem reclamar. Nas redes sociais é assim também. Existem outros locais na internet, como o Olhares.com, que não são tão movimentados quanto o Instagram ou o Facebook, mas que permitem divulgar qualquer material, até os mais ousados. Então, neste ponto, não vejo noção nas reclamações de censura. Regras devem ser cumpridas e valem para todos (esperando as pedradas dos socialistas de Shopping Center).

O outro ponto interessante é o argumento de que a nudez representada nestas imagens é artística, mas esse é um problema mais complicado ainda. Quem vai decidir o que é artístico e o que não é? Conceitos que envolvem arte são muito subjetivos. O que é arte para mim, pode não ser para outra pessoa. Então (em hipótese), se esse tipo de conteúdo fosse liberado nas redes sociais, quem seria o responsável por classificar uma nudez como arte ou não? E, mesmo que seja arte, ela pode ser vista por seu filho de 14 anos? Mesmo em Museus e Casas de Cultura é muito difícil conseguir emplacar uma exposição com Nu Artístico (experiência própria), pois existe a circulação de crianças no local. São tantas variáveis que o mais simples é proibir toda a nudez, por mais artística que seja. Em tempos em que até Sebastião Salgado é censurado pelo Facebook, isso pode parecer muito estranho e autoritário, mas também pode ser a saída mais viável para o problema.

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