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Muramasa Rebirth - Análise

Acompanhe a análise de Muramasa Rebirth, um dos mais belos games a aparecer no PS Vita

6 anos atrás

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Há alguns anos atrás, mais precisamente em 2009, eu não estava jogando tanto quanto gostaria, e estava recuperando o costume abandonado há tempos adquirindo dois portáteis, o DS Lite e o PSP. Entretanto um game lançado para Wii naquele mesmo ano me deixou com uma enorme vontade de adquirir o console, mesmo sabendo que não havia quase nenhum outro game que me interessava. Era Muramasa: The Demon Blade, um side-scrolling 2D com uma direção de arte fantástica, como tudo que a Vanillaware trouxe à vida, vide a referência até então, Odin Sphere.

O tempo passou, eu não comprei o Wii e fiquei sem jogar, isso até a Sony anunciar que o game seria portado para o PS Vita, com tudo que o original tinha. E devo dizer que Muramasa Rebirth é lindo, um dos games mais exuberantes que já apareceram no portátil.

Para quem jogou o game no Wii, não há muitas novidades aqui. É essencialmente o mesmo game com gráficos HD melhorados e uma tradução dos textos mais apuradas. De resto é tudo igual, e eu sinto que a Vanillaware dormiu no ponto em adaptar o game às telas de toque do portátil. Porém não é nada que prejudique o gameplay, de qualquer forma.

No game somos apresentados a dois personagens: Momohime e Kisuke, cada um com sua história trágica envolvendo as espadas amaldiçoadas, forjadas pelo ferreiro Sengou Muramasa (que existiu mesmo; a lenda de que suas lâminas possuem sede de sangue e induzem seus donos ao suicídio ou a se tornarem genocidas é contada há séculos no Japão). Enquanto Momohime é possuída pelo espírito de um ronin (samurai renegando, que neste caso matou o próprio mestre) que deseja se tornar imortal, Kisuke é um garoto sem memória que busca respostas sobre seu passado. Ambas histórias se entrelaçam no decorrer do game, mas na essência os personagens são idênticos; a única diferença entre eles é a aparência e a história.

Arte fantástica, como é de praxe da Vanillaware

O game não é linear; você possui certa liberdade para explorar o mapa e ir de uma cidade para outra, mas há barreiras místicas que impedem seu progresso. Para vencê-las você precisa derrotar os chefes, que lhe dão espadas capazes de romper barreiras correspondentes à sua cor. A partir daí cada espada adquirida permite que você forje outras mais poderosas, e cada espada nova libera mais outras numa enorme árvore. Para ver todos os finais com ambos personagens (cada um tem três) é preciso adquirir todas as 108 espadas do game, seja matando os chefes, as forjando ou as conseguindo em Evil Caverns (desafios que dão itens como recompensa) específicas; há duas que são liberadas vendo o primeiro final de cada personagem, outras duas conseguidas vendo o segundo final (precisando equipar as duas anteriores num mesmo personagem) e quatro em Evil Caverns. Para ver o final verdadeiro é preciso equipar a Oboro Muramasa, a espada mais poderosa do jogo e a última a ser conseguida.

Vcoê poderá equipar três espadas por vez, e cada uma delas possui um ataque especial acionado pelo botão círculo. Só que as espadas tem vida útil: cada uma delas possui uma barra espiritual, que é gasta conforme você a utiliza para rebater projéteis ou para se defender; ao se esvaziar a espada quebra, derrubando seu poder de ataque e o impossibilitando de se defender. A opção é trocar de espada (botão triângulo), enquanto a espada quebrada se regenera, ou outra espada com pouca energia se recupera. Há dois tipos de espadas: curtas, mais rápidas e longas, lentas mas poderosas. Escolha as que melhor se encaixam em seu estilo de jogo.

São bonitinhas, mas essas Ice Maidens vão te dar muita dor de cabeça

E aí entra uma parte um tanto chata do game: backtracking. Até finalizar o game pela primeira vez você terá que andar, e MUITO. Os mapas não são muito grandes, mas para se cumprir um determinado desafio você será obrigado a ir e voltar pelas cidades diversas vezes. Após finalizar o jogo com um personagem, será habilitada a opção de ir para qualquer cidade através dos save points. Mas até lá, prepare-se pois você nunca andará tanto.

O combate é um show à parte. Ainda que o game seja intercalado por momentos de luta com longos períodos de calmaria, são nas batalhas contra os chefes que o game brilha, em que ele força o jogador a observar o padrão de ataque do inimigo e não sair batendo como um louco, como nas lutas com inimigos comuns. Além disso cada chefe é um mais incrível que o outro, e após terminar o game um personagem poderá enfrentar os chefes de outro para ganhar acessórios. Mas após derrotar um chefe, o game fica mais devagar. Você se verá em determinado momento implorando por uma batalha aleatória, devido o enorme tempo que você perderá indo de um lugar a outro do game.

Tamanho não é documento

Sobre o acabamento do jogo em si, os gráficos que já eram bonitos no Wii ficaram maravilhosos em HD no PS Vita. Não é muito difícil você se pegar admirando a paisagem do game e esquecer de jogar. A identidade gráfica de George Kamitani exala por todos os poros do game, então não espere para ver personagens com corpos perfeitamente proporcionais, como alguns andaram reclamando de Dragon's Crown (o caso dos atributos peitorais exagerados da feiticeira) sem entender o estilo do estúdio.

Já a trilha sonora é maravilhosa, mesclando bem temas e instrumentos tradicionais japoneses com estilos mais modernos, e não há nenhuma desarmonia entre o áudio e o visual. Já as vozes em japonês foram mantidas, não há opção de áudio em inglês, o que para alguns pode ser um problema, mas para esse tipo de jogo, com uma pegada tão Japão-like, eu julgo perfeito.

Diga "AAAA", dragãozinho!

Outro problema é o fato da Vanillaware ter cortado quatro novos personagens exclusivos da versão final para vendê-los como DLCs, sem previsão de quando ou quanto. Se a intenção era incentivar mais pessoas a comprarem o game, por quê diabos retiraram o conteúdo novo para vendê-lo a parte, sabe-se lá quando?

Ainda assim, Muramasa Rebirth é um grande game para o PS Vita. Ainda que ele não seja atraente para quem o apreciou no Wii, novos jogadores terão horas de diversão e combates frenéticos, com um visual esplêndido e música cativante.

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