Outro dia, outro filme ruim se torna realidade. Hoje: Balas teleguiadas de Runaway

Embora lembre bastante o rastro acima não é da railgun de Doom, que no caso é o jogo. O filme ruim que falo é outro.

Em 1984 Michael Crichton (sorry, Kid) escreveu e dirigiu um de seus trabalhos menos memoráveis, de fazer Prey parecer Enigma de Andrômeda: O filme de ficção Runaway. Estrelado por Tom Selleck, quando ainda achavam que ele conseguiria fazer outro papel além de Magnum, é uma espécie de Blade Runner misturado com assistência técnica autorizada da Brastemp.

A trama envolve robôs domésticos programados para matar, corporações malignas, bla bla bla e uma unidade da polícia especializada em crimes cibernéticos de máquinas que parecem saídas da seção de brinquedos da Deal Extreme, veja o trailer: (Bônus: Kirstie Alley durante os 2 anos da vida onde foi edificante e não um edifício)

O GRANDE ponto do filme, que todo mundo achou o máximo foi a arma do vilão, ninguém menos que Gene Simmons, que disparava uma bala enorme que seguia o alvo, não importava para onde ele corresse.

Claro, correr de balas convencionais também não é muito fácil se você não for o Neo, mas as balas do Gene eram especialmente malignas.

Agora, meros 28 anos depois tudo no filme já está obsoleto, incluindo os penteados, os robôs e o Tom Selleck. A única coisa realmente SciFI é a bala teleguiada.

Era. A foto que abre este texto é de um LED preso a um projétil desenvolvido por dois engenheiros do Sandia National Laboratories. Com 15cm de comprimento a bala é disparada de uma arma de pequeno porte, mas acaba aí a semelhança com armamento comum.

Um sensor trava num laser. Aletas de controle são ativadas e a trajetória é corrigida 30 vezes por segundo por um minúsculo processador de 8 bits. A velocidade inicial é de Mach 2.1, e o alcance é por volta de 2Km. Veja um teste:

O recorde mundial de tiro de precisão em combate é de 2009, de um cabo do Exército Britânico chamado Craig Harrison. Ele eliminou dois talibãs a 2475m de distância, mas isso exige anos de treino, toneladas de conhecimento para fatorar até a rotação da Terra no cálculo de tiro, e detalhes como puxar o gatilho entre duas batidas do coração.

Qualquer idiota posso apontar um laser e deixar a bala fazer o resto.

Se o protótipo se mostrar confiável e economicamente viável será uma péssima notícia para os snipers e pior ainda para os inimigos, mas a grande, enorme ironia será que os videogames, depois de anos lutando para simular o comportamento dos projéteis de forma mais realista, terá que simular um que é basicamente uma mistura de aimbot com a pistola do Duke Nukem.

Fonte: PO

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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