Para Rovio, pirataria nem sempre é algo ruim

dori_ang_31.01.12

A pirataria de games é algo tão controverso que nem mesmo dentro da indústria há um consenso, com algumas pessoas defendendo a ideia de que ela está diminuindo o lucro e matando empresas, enquanto que outras se não a defende, ao menos não tem medo de dizer que a distribuição ilegal pode ajudar a fortalecer a marca, consecutivamente trazendo novos consumidores.

Quem está nesse segundo grupo é Mikael Hed, CEO da Rovio e que declarou também que além de tomar atitudes legais contra as pessoas que baixam jogos ilegalmente é algo inútil e que só serve para afastar potenciais consumidores, as empresas de games precisam mudar a maneira como olham para os jogadores.

Pegamos algo da indústria fonográfica, que foi parar de tratar nossos consumidores como usuários e começar a tratá-los como fãs. Fazemos isso hoje: falamos sobre a quantidade de fãs que temos. Se perdemos esse fãs, nosso negócio se foi, mas se conseguimos aumentar a quantidade de fãs, nosso negócio crescerá.

A pirataria pode não ser uma coisa ruim: ela pode nos trazer mais negócios no fim das pontas.

Eu gostaria de saber se o Sr. Hed teria a mesma opinião caso a sua empresa fosse responsável pela criação de três ou quatro títulos por ano que custassem aos seus cofres 40, 50 milhões de dólares cada um para ser desenvolvidos e que antes mesmo de chegar oficialmente às lojas já estivessem sendo vendidos (ilegalmente, claro) em por R$ 5 banquinhas ou fossem disponibilizados gratuitamente em sites de compartilhamento.

No fundo nunca consegui concordar muito com essa ideia de que um jogo, software, música ou filme precisa ser pirateado para se tornar popular e que as cópias ilegais se tornam aceitáveis sob o pretexto da disseminação cultural, mas infelizmente esta desculpa tem sido uma das que mais tenho ouvido ultimamente e agora a publicidade também parece ser uma maneira distorcida de justificar a pirataria.

[via VG247]

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • http://twitter.com/douglaszporto Douglas Zanotta

    Se não me engano, Bill Gates disse, uma vez, o seguinte:
    “Se quiserem piratear, pirateiem de nós, pois um dia vamos descobrir como cobrar.”

  • Anônimo

    Bom, se a indústria gosta ou não gosta não interessa, o que interessa são os resultados. Só é interessante que apesar de tudo, da pirataria monstro que existe hoje, a indústria de jogos digitais é hoje a maior no setor de entretenimento. Fato no mínimo curioso.

  • http://www.vidadegamer.com.br/ Dori Prata

    Depois de ter se tornado um milionário vendendo livros, é fácil pedir que as pessoas pirateiem seus livros. Porque ele não pede também para alguém entrar na sua conta e pegar um pouco do dinheiro que ganhou ao longos dos anos?
    Veja bem, eu não duvido que algo pirateado facilite a sua disseminação, isso é óbvio, porém, não gosto de pensar que chegamos ao ponto em que o trabalho de uma pessoa não mereça ser valorizado por causa disso, sendo que deveríamos sim estar discutindo formas de podermos pagar por esses produtos.
    Qualquer pessoa que trabalhe com criação (exceto o Paulo Coelho XD) sabe o quão revoltante, desanimador e humilhante é ver algo seu sendo usado seu o seu consentimento, mas ainda assim os que pirateiam preferem tentar encontrar desculpas para ter sua consciência tranquila e como disse no texto, uma das mais comuns atualmente é dizer que só assim teria acesso a tal material, sendo que fazer alguns “sacrifícios” ela não está disposta.
    Eu gostaria de saber como essas pessoas se sentem quando percebem que não tem acesso a um cruzeiro pela Europa, uma carro importado de luxo ou um apartamento de alto padrão na beira da praia e que “infelizmente” não podem ser baixados da internet.

    • Anônimo

      Dori não dá para comparar pirataria de algo intelectual com roubar dinheiro, não é a mesma coisa. Deixar de ganhar e perder são coisas diferentes.

      Concordo que a pirataria é errado, mas o ponto principal não é isso. A indústria tem que reformular seus conceitos, porque essa briga eles já perderam, mas eles ainda insistem na fórmula antiga.

      • http://www.vidadegamer.com.br/ Dori Prata

        Não dá para comprar porque temos o hábito de não valorizar a propriedade intelectual. Os brasileiros, principalmente, só costumam dar valor a bens materiais e se eu vejo um trabalho meu sendo distribuído sem que eu receba por isso (já aconteceu), considero como se eu tivesse perdido dinheiro. Pra mim não há diferença.

        • Anônimo

          Para você pode até ser Dori, mas não são, tanto que as punições no mundo todo não sou a mesma para roubo e pirataria digital.

          E falar que brasileiro não tem hábito não é válido, porque o país que mais pirateia no mundo é a China, o país que teve mais protestos contra lei de anti pirataria foi os EUA, o maior site pirata fica na Europa e o maior site de downloads ilegais foi fechado na Nova Zelândia. Eu diria que é um hábito mundial mesmo.