A Perdida Arte da Datilografia

O computador que me desculpe, mas a grande revolução nos escritórios do mundo todo foi a máquina de escrever. Até o final do Século XIX toda a papelada era manuscrita, consumia-se um tempo absurdo com canetas, mata-borrão, rasuras, etc.

A máquina de escreve mudou tudo isso. Com o advento das fitas corretoras até errar se tornou aceitável. A velocidade de escrita era incomparável. Um datilógrafo treinado conseguia a média de 100 palavras por minuto.

Embora ainda sejam usadas no mundo todo (inclusive nos EUA, a Prefeitura de NY comprou milhares em 2009, para as repartições) na absoluta maioria dos escritórios o computador substituiu a máquina de escrever, e por mais românticos que os saudosistas sejam, a única coisa que dá pra sentir falta é dos teclados da MARAVILHOSAS IBMs elétricas.

Na minha infância lembro que era comum o chamado “curso de datilografia”. Saber escrever à máquina era um diferencial. Na verdade datilógrafo era uma profissão para a qual estudavam milhares de jovens, em sua maioria mulheres. Era estranho passar por aquelas lojas, abertas para a rua com fileiras e fileiras de máquinas e o pessoal escrevendo maniacamente.

 

Nunca fiz um curso desses, mas escrevi muita coisa com minha fiel Remington portátil. Nem de longe chegou aos poderes das trevas dos grandes datilógrafos, mas me assustei quando algo que é natural para mim pareceu magia negra para uma amiga: Eu digito sem olhar para o teclado.

A PRIMEIRA coisa que a gente aprende em datilografia é a posição das teclas. Com o tempo é tão natural quando usar o polegar para apertar a barra de espaço. Mesmo assim algo tão simples foi visto como encanto de Mago Nível 60.

Percebi então que a datilografia não existia mais, havia morrido, como a sua filha mais nova, a “digitação”. Hoje escrever com teclado não é considerado mais do que obrigação. Mesmo quem chega sem “entender de computador” tem a lição inicial focando no mouse. Ninguém mais explica o funcionamento do teclado.

O chato disso é que ao ignorar as técnicas de digitação, cria-se toda uma geração regida pelo menor denominador comum. A regra é todo mundo catar milho, olhar pro teclado, ficar procurando onde está o acento da vez e –como já vi- sequer entender a função do CAPS LOCK.

A perda de produtividade deve ser imensa, na casa de bilhões de dólares, mas é um problema insolúvel. Digitar é apenas um detalhe primário na complexa tarefa “mexer com computador”, hoje ninguém “perderia” tempo fazendo um curso de informática que ensinasse a escrever. Pediriam é o dinheiro de volta.

Se há uma recomendação que posso fazer é que você escreva, bastante, aprenda com a Eliana a usar os dedinhos. Você tem 10 (ou 12, se for a Cicarelli) então não faz sentido deixar 8 ociosos podendo terminar seu trabalho muito mais cedo e voltar aqui pro MeioBit para negativar os posts do Dori 🙂

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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