QR Code e o impossível conceito de utilidade relativa

qrcodedomalEm ciência é comum dois grupos pesquisarem soluções radicalmente diferentes para um mesmo problema. Há cientistas desenvolvendo órgãos artificiais mecânicos, outros pesquisam crescimento em laboratório. Como Plutônio não vende em farmácia (talvez em 1985) não dá para viajar no tempo e saber qual tecnologia será a mais bem-sucedida, e investir todos os esforços nela.

Também há uma tendência geek muito ruim em adotar soluções complicadas, achando que são necessariamente melhores. Boa parte dos casos de House se resolveriam antes do primeiro comercial, se os pacientes passassem por um Raio-X, mas em nome da dramaturgia, só fazem exames de US$10 mil.

Os códigos QR são um exemplo interessante dessas duas tendências. Um lado meu detesta. Acho que são feios na página, não entendo a dificuldade de digitar uma URL ou acessar o site diretamente do celular, mas essa é uma visão limitada e cronologicamente restrita.

 

O que é

Criado em 1994 o QR Code é um código de barras bidimensional, usado para guardar muito mais informação do que o modelo tradicional, restrito a pequenas sequências numéricas. Hoje um QR pode conter até 3KB de informação binária ou até 7KB de texto puro, mas seu principal uso online é para codificação de URLs.

Felizmente não é preciso ser caixa de padaria para ler códigos QR, qualquer celular decente e a maioria dos indecentes traz um leitor, e mesmo que não esteja pré-instalado, isso se resolve em 30 segundos.

A minha implicância com os códigos QR HOJE vem do mato que não faz sentido você poluir um site desktop com um código de barras, quando é muito mais fácil acessar a versão mobile e buscar o link de lá, pelo celular.

HOJE não faz sentido, mas os códigos QR foram mão na roda em uma época onde a velocidade das conexões ½G eram pífias, éramos cobrados por cada byte (ainda somos mas não tanto) e digitar URLs era um suplício, graças ao T9 dos Nokias.

Só que essa visão geek, quase hipster é limitada. Desprezar uma ferramenta apenas por ela ser velha é burrice, como é achar que uma tecnologia só pode ter uma aplicação.

Uma tecnologia vencedora é aquela que facilita nossa vida, que queima etapas e traz o resultado mais rápido. O QR era assim, mas a Internet móvel evoluiu. Só que há outra mídia onde ele ainda pode ser muito útil: Papel.

Uma revista pode disponibilizar códigos QR com downloads diretos, em resenhas de aplicações. Isso é muito mais ágil do que acessar versão mobile, catar a matéria, achar link, etc. Em muitos casos isso sequer é possível, teríamos que comprar de novo a revista eletrônica, para acessar os tais links.

Um display publicitário com códigos QR é algo MUITO mais simpático do que Marketing Bluetooth, aquela tecnologia que tornou INVIÁVEL andar com celular em aeroportos, pois toda hora um totem tenta empurrar um link maldito goela abaixo. Exceto dos iPhones, que não suportam o protocolo completo (nesse caso, ainda bem) e ficam alienados da propaganda.

O Brasil ainda usa muito pouco QR, e é uma pena. É uma tecnologia que tem uma vantagem IMENSA sobre encurtadores de URL: Não é online. Ninguém garante que amanhã o Bit.ly não sofrerá o mesmo destino que o pqp.vc e tantos outros. Quanto mais pudermos manter nossa informação viva, melhor.

No Japão usam os códigos QR para tudo, e já aprenderam que dá para fazer versões fofinhas, que funcionam, como este aqui:

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Dá para viver sem o QR? Claro, ferramentas como o Bing Mobile fazem OCR em tempo real de textos e URLs, identificam objetos em imagens e muito mais, mas não são ferramentas simples de utilizar, não pela grande massa. Um QR ainda é mais intuitivo como indicador de algo linkado do que uma foto normal e a IDÉIA de que você pode capturar aquele produto pro Bing ou Google e usar como argumento de busca.

Quando essa noção se popularizar dois destinos possíveis aguardam o QR. Ou ele morre finalmente, ficando restrito a uso industrial como seus irmãos códigos de barra, ou migrará para alguma outra área onde será útil e eficiente. Talvez os dois.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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