Senado Federal lança App de iPhone com custo de desenvolvimento recorde (pra baixo)

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Blogueiros – EU, Gabriel Leite, Sam Shiraishi, Inagaki, Gregori Pavan, Paulo Lima e Rodrigo Tebaldi – imagem: Agência Senado

 

Existe uma realidade cruel: A classe política se distanciou tanto da realidade da população, criou tanta desconfiança que o povo se mantém afastado. “Não gosto de política” é algo raramente questionado. Mesmo que um Senador queira se aproximar e ouvir seus eleitores, será recebido por desconfiança e cinismo. 99% das vezes justificado, mas cruel para o 1% bem-intencionado. Isso a longo prazo será péssimo para a nação e a democracia.

Mas chega de falar da Roma Antiga.

O problema hoje se agravou. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação e hoje as redes sociais, esse distanciamento deixou de significar isolacionismo. A sociedade tem uma capacidade de organização e mobilização nunca antes vista. Isso funciona numa Líbia, num Egito ou pra colocar a tag #forabolsonaro” nos Trend Topics do Twitter e assim acabar com o racismo e a homofobia no Brasil até quinta, porque sexta tem chopp.

Adicione a isso o agravante da mídia não cobrir nenhuma atividade política não-polêmica. Os projetos parecem cair do céu, mesmo que levem anos tramitando no Congresso, só são “descobertos” pela mídia quando chegam na reta final. Os projetos de interesse público, se não forem polêmicos ninguém divulga. Exemplo? O Dep Federal Alessandro Molon tem um  Projeto de Lei que proíbe operadoras de celular de enviar SMS de propaganda sem autorização e outro que revoga a proibição de criação de Lan Houses perto de escolas. Você sabia disso? Nem eu, descobri agora.

A Sociedade NÃO pode se dar ao luxo de ignorar o que acontece nos meandros do Poder Legislativo. E o Poder Legislativo não pode se dar ao luxo de ignorar a sociedade, do contrário as reações acabam sendo extremadas, o que não é bom pra ninguém. Exceto para o Nicholas Cage

No começo da semana eu e outros blogueiros atendemos a um convite do Senado Federal para conhecer os trabalhos da área de comunicações e presenciar a cerimônia de lançamento da App de iPhone desenvolvida internamente. Eu me assustei com o que vi.

 

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A estrutura de comunicação é imensa, com tudo acontecendo ao mesmo tempo. Há o canal que todo mundo conhece, a TV Senado, mas na Internet são CINCO, todos transmitindo ao vivo. Nas redes sociais são várias contas de Twitter, Facebook, blogs, Flickr e canais do YouTube. A blogueira/Youtubeira entusiasta é a jornalista com mais tempo de casa, são 40 anos de serviço público e correndo de um lado pro outro com uma flipcam, dirigindo entrevistas e nem cobrando R$1250,00 por minuto, né Bethânia?

A idéia da App de iPhone é ampliar o alcance do site do Senado, facilitando a vida de quem quer se manter em dia com o que está acontecendo lá.

 

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É chato? É. Quem não foi mordido por um advogado radioativo (existe outro tipo?) não se diverte lendo Projetos de Lei. Só que é necessário. É preciso PELO MENOS estar ciente de que Leis que nos afetam diretamente estão sendo votadas. É preciso acompanhar os parlamentares, não no sentido de patrulha, com o histerismo “mimimimi o dinheiro do povo” que ouvi quando comentei que vi alguém no Senado com um iPad. Temos que acompanhar para exercer Cidadania, saber o quê está acontecendo.

É pedir demais cinco minutos por dia, no metrô, na via pública ou na privada você ler rapidamente a pauta do dia e descobrir o quê seus Senadores estão tramando articulando discutindo?

A App do iPhone do Senado cobre isso. É uma versão inicial, ainda há muito a aprimorar, mas o esqueleto está pronto, as funções principais estão lá e é até possível buscar Senadores por Estado e tentar lembrar em quem você votou. (não me culpem, em votei em Baltar)

Limitações

A App não é, ironicamente, voltada para redes sociais. O portal de notícias da Agência Senado já tem integração até com WordPress, mas a App ignora a existência delas. Isso faz com que a reverberação do conteúdo seja virtualmente eliminada. É uma tendência infelizmente comum, integração com redes sociais é sempre feature “desejável”, quando deveria ser obrigatória.

A parte multimídia também é limitada. Não há busca por conteúdo antigo. Minha percepção é que o foco foi em texto e em conteúdo instantâneo. Pelo que andei conversando a versão para iPads e tablets Androids irá contemplar essas áreas.

 

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Em sua versão 1.1 ela funciona em iPhone, iPod Touch e iPad.

Agora o melhor: O custo da aplicação foi de US$99,00, a taxa que a Apple cobra anualmente para desenvolvedores. Toda a programação foi interna, feita pela equipe do PRODASEN, com consultoria gratuita do pessoal do Banco do Brasil, que já tinha know-how programando para iPhone.

A versão específica para iPad também está a caminho.

Como? Não, meu amigo Livre, não esqueceram de você. A versão Android está sendo finalizada e chegará ao Android Market em breve. Também já há negociações em andamento para uma versão BlackBerry. Me perguntaram sobre Symbian. Triste com a incumbência, comuniquei do falecimento.

As plataformas não contempladas podem acessar com boa desenvoltura o site mobile da Agência Senado. Provavelmente pedindo com jeitinho até liberam os XMLs para você montar uma webapp não-oficial para Maemo ou Pfftt.. WebOS.

Onde Baixar: Daqui, direto do iTunes

 

O MeioBit agradece o convite da Secretaria Especial de Comunicação Social do Senado e parabeniza a equipe pela ralação, eficiência e esforço, foram excelentes anfitriões. Também entendemos essa oportunidade como um reconhecimento da qualidade e seriedade de nosso trabalho.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • bilpereira

    Poderíamos ter uma app para o Congresso Federal também, não só do Senado. Afinal as pautas nascem lá, e os Deputados deveriam ser mais fiscalizados que os Senadores.

    Talvez em um futuro o próprio PRODASEN possa abrir o código para a outra casa.

    Além de integração com redes sociais, seriam bacana mostrar e-mails dos parlamentares (se é que já não faz isso), e um “favorito” para os senadores. Assim, você leu uma pauta e não gostou, clica em um botão e já manda direto um e-mail para o Senador que votou dizendo: Qual sua posição nisso?

    Mas ai, divago…

    • @bilpereira, no perfil de cada Senador há a ficha completa, com endereço do gabinete, telefone e email. Futuramente acredito que incluam twitter e blog.

  • marcoscs

    Interessante esse aplicativo e ele parece que dá possibilidade para que o usuário vá direto ao que lhe interessa. Na TV Senado perde-se tanto tempo transmitindo discursos no plenário de agradecimento e embromations infinitos (né, Suplicy?) que o conteúdo do que se discute na Casa e principalmente nas Comissões internas fica sempre em terceiro plano.

    • @marcoscs, fato, filtrar as discussões é um trabalho do cão.

  • frtnbrasil

    Quando eu tiver dinheiro (alô salário mínimo) para comprar um iphone posso até dar uma olhada nisso.

    • marcosalex

      @frtnbrasil, não, você pode entrar no site do senado e acompanhar.

    • Max Power

      @frtnbrasil, agora pergunta se esses FDP vão zerar os impostos dos smartphones para o povo ter acesso aos aplicativos.

      Não vão e é por isso que sempre devemos guspir na cara dos nossos governantes.

      • @Max Power, do mesmo jeito que você “gospe” na cara de seus professores, né?

  • jotaandre

    Perae, Cardoso. Você acha realmente que o custo de desenvolvimento dessa aplicação foi de U$99,00?! Pfffffff….

    • The Pretender

      @jotaandre, horas, se foi desenvolvimento de equipe interna, podemos dizer que não houve gasto financeiro extra, apenas a folha de pagamento dos funcionários que já estavam empregados, trabalhando e recebendo para isto.
      .
      Lembre-se, eles poderiam ter contratado uma terceira empresa para fazer o trabalho, pagando alguns milhões de reais (superfaturando) para fazer um software que foi feito “em casa”, sem gastos adicionais.
      .
      Achei muito legal a iniciativa. Mas pelo visto, nada para Windows Mobile né ???? rsrsrsrs

    • @jotaandre, Acho que ele quis dizer que não foi preciso abrir um processo licitatório de R$ 1,4 mil para criar um aplicativo. A prata da casa fez o serviço pelo custo operacional vigente.

      • @Alequisandro, Exatamente. Se usou mão-de-obra interna, não gastaram dinheiro além dos US$ 99 da licença Apple e do salário dos funcionários do PRODASEN. Se houvesse uma licitação o @jotaandre poderia ter o benefício da dúvida, mas não é o caso.

    • kakaroto_BR

      @jotaandre, Primeiro de abril adiantado?

  • raxidex

    Louvável essa atitude do senado. Poderia se ramificar pra outras áreas da política.

  • vrodrigues

    Hmmm.. Você quer dizer que o custo de fazer o software foi apenas comprar a licença? O XCode fez sozinho o resto?

    Se teve equipe, interna ou não, desenvolvendo, houve um custo associado. Não é porque o cara é concursado que não teve que dedicar o salário dele (ou deleS, várioS) para pagar o projeto.

    O que poderia ser uma notícia boa, acaba tornando uma notícia ruim: o senado não divulga bem o custo de seus projetos.

    • @vrodrigues, o PRODASEN é um órgão da União; logo, não houve gastos adicionais além da licença e do salário dos funcionários. Não houve licitação, se é o que está tentando dizer.

    • Wallacy

      @vrodrigues,

      Custo dos funcionarios não fazendo nada: X.

      Custo do funcionário criando o app: X.

      X – X …. Calma ai, deixa eu pegar a calculadora… Ah tá: 0

      Custo da manutenção é outra estoria, porém vamos calcular:

      Custo dos funcionários não dando manutenção: Z.
      Custo dos funcionários dando manutenção: Z.

      …..

      Como o custo do software é condicionado a todo ou qualquer elemento que seja necessário do ponto zero (tomada de decisão para para o desenvolvimento) até o ponto final (produto entregue), se nada mais teve que ser adquirido além da licença da Apple podemos sim afirmar que o custo foi de $99.

      Se eles adquiriam alguma outra coisa, tiveram que pagar qualquer outra taxa, ou qualquer outra coisa, bem… Dai é especulação até qualquer evidencia contraria.

  • marcos2525

    Eu tenho certeza absoluta que o senado não vai colocar uma boa usabilidade e arquitetura da informação neste app: Por exemplo, colocar link direto com quanto irá se gastar em cada projeto, o que já foi gasto e os problemas que os politicos corruptos causam para superfaturar as coisas. Isso, senhores deputados corruptos ou não, é uma das informações que importam num app deste tipo. Iria fazer uma piada dizendo que este app poderia muito bem ser um BI Corporativo, onde a população seria a destinatária dos dados e a visão em cubo permitira ver quem é o mais corrupto, quem é o mais vagabundo e os erros que são cometidos. Senhores, para quem trabalha com TI, informações assim da “empresa” são essenciais. A base de sistemas de BI(Business Inteligence) é saber quem está fazendo merda e quem não está, onde estão os erros no processo e quem é o culpado. O app que realmente iria fazer todos os políticos corruptos cagarem de medo.

    Tudo isso e mais as razões para a burocracia das licitações e negociações de obras públicas que resolvem problemas urgentes e demoram meses e as vezes anos para serem concluídas. Aquele tipo de brasileiro que entra em site de notícias e só vê a parte que fala de futebol vai achar esse app muito bom. #ironic

  • fernando.scarpin

    Muito bom o aplicativo, vale a pena baixar. Só achei a agenda de hoje muito curta, mas enfim…

  • Agora poderemos ver em cima do lance quando os senadores aumentarão o próprio salário ou alguma cena antológica como Lindberg Farias abraçando o Collor, só faltando dar beijinhos.

    • Camargos

      @Pryderi, O ex-cara pintada abraçou o Collor? Esta eu perdi, vou ter que procurar no youtube.

    • @Pryderi, eu fotografei o Aécio do lado do Serra na tribuna do Plenário. CLIMÃO!

  • Saint-Clair Stockler

    O Sarney, assim de costas, parece o Sr. Burns. Me assustei O_o’

  • anedox

    App interessante, vou baixar pra ver.
    Como todo político, em qualquer parte do mundo, é venal (exceções à parte) é fundamental saber o preço de cada um.
    Nos países do 3º mundo uma galinha compra até o presidente; nos países “estamos chegando lá” você tem que desembolsar o valor mínimo de um apartamento e nos países de 1º mundo uma xibaba para apoiar qualquer coisa, p.ex. o Gaddafi, um ditador africano etc…

    NOTA – E nós onde ficamos nisso? Basicamente no segundo caso.

  • Pelo jeito o senado melhorou muito nos ultimos anos … considerando que em 2008 pagavam R$ 48.000 por mês em um mini-banner em um site desconhecido (coincidentemente ligado à um Senador): http://www.contraditorium.com/2008/07/13/no-vou-falar-mal-do-projeto-do-azeredo-para-o-senado-anunciar-aqui/

  • Parabéns pela iniciativa do Senado, é bom ver que perceberam que, hoje em dia, informação é tudo.

    E no meio do texto eu pensava “esqueceram do Android again” (sim, agora sou usuário do robozinho), mas estou satisfeito em saber que a versão “livre” está a caminho.

  • E não creio que tenham esquecido do Windows Mobile. Ele apenas não tem tanta relevância ainda pra justificar o desenvolvimento. Deixa sair o Nokia WP7 pra ver se não vai ter… E de qualquer modo, o site mobile é bom também.

  • Boa! Tomara que coisas assim virem tendência e se espalhe pelo legislativo e o executivo pelo país.

    Sabe o que podia ter também? Lista de presença dos parlamentares, com justificativa: Fulaninho faltou a seção hoje, disse que tava visitando a mãe no hospital no interior do Maranhão.

  • solar1919

    O Cardoso de frente com o político mais emblemático do Brasil e não está dando a mínima, Twitta enquanto isso! rs

  • ricardokurt

    Excelente app.
    Às vezes temos que elogiar as iniciativas inovadoras e reconhecer que existem funcionários competentes em alguns setores e esta é uma delas.

    ;D

  • Max Power

    “99% das vezes justificado, mas cruel para o 1% bem-intencionado”

    Como você é otimista.

    Não existe político bem intencionado, apenas aparentemente bem intencionado.

    Seria o mesmo que dizer que o Linux tem usuários no desktop ou que alguém usa o Opera. E em conseqüência não existe democracia no Brasil, só eleições diretas.

  • adrianoats

    Bacana demais a iniciativa, o convite, e a chance que vocês tiveram de conhecer pessoalmente essas figuras que nos chefiam. A jornalista que produz o conteúdo deve ralar bastante para produzir e disponibilizar o conteúdo. Bom saber que alguém com 40 anos de serviço, ou seja, com pelo menos 56 anos de idade, é bem espertinho em tecnologia. Serve de inspiração para um bocado de gente, né mãe?

    Vou esperar sair para Android para das uma conferida.

    Parabéns pelo artigo. Muito bom.

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