Fotometria: Dominando sua Câmera (Parte 2)

Em março, escrevi aqui um texto sobre a questão da fotometria em fotografia. Só lembrando, toda câmera possui um fotômetro interno que nos permite medir a quantidade necessária de luz para que uma fotografia fique equilibrada. Junto a isso, também falei um pouco da regulagem do diafragma, do obturador e da velocidade ISO, elementos básicos para tentar equilibrar e controlar as situações em que necessitamos de mais ou menos luz. Porém, não é somente isso que podemos fazer. Existem algumas outras regulagens que podem deixar ainda mais precisa a medição da luz.

As vezes encontramos algumas situações em que o fotômetro da câmera vai se enganar em relação ao que é ideal. Cenas onde o assunto principal e o fundo possuem diferenças de luz muito grande ou metade da cena iluminada e a outra nas sombras. A câmera não entende direito o que está acontecendo e tende a errar a medição de luz. Uma situação clássica é fotografia de praia. A areia reflete muita luz e as pessoas ficam muito escuras nas fotografias. Mas, para essas situações existem as diferentes formas de fotometria e a compensação de exposição.

Tipos de fotometria

Esses são recursos que, geralmente, encontramos em câmeras mais avançadas, mas já encontrei algumas compactas com esse tipo de regulagem. Existem três formas de gerenciarmos a forma como nossas câmeras fazem a fotometria e alguns símbolos universais que indicam elas no equipamento.

matricial

Medição Média – é a forma de medição de luz que encontramos nos modos automáticos de todas as câmeras. O que é levado em consideração aqui é a quantidade de luz em toda a cena. A luz é medida e feita a calibração do obturador e do diafragma. Esse modo de medição é indicado para cenas bem iluminadas e com baixo contraste.

ponderado central

Medição Centralizada Média – Esse tipo de medição já é um pouco mais precisa do que a anterior. Embora ainda seja utilizada como fator de medição a luz de todo o quadro, existe uma prioridade para a área central. Esse modo é indicado quando o objeto central da foto difere um pouco da luz que está no fundo, mas não chega a ser um grande contraste entre eles. Esse modo é muito indicado para retratos.

medição central

Medição Central ou Spot – essa é indicada para cenas onde a diferença de iluminação do objeto central e do fundo são muito diferentes. Exemplos podem ser encontrados em Shows ou espetáculos teatrais onde os personagens principais são iluminados por holofotes. Aqui a fotometria vai ser realizada pela parte central do visor da câmera e descartando as informações do resto. É importante nesse modo que o fotógrafo mire bem o centro do visor no objeto a ser fotometrado.

Dependendo do equipamento, existem algumas variações desses três modos, como a Medição Parcial (parecida com a Central, mas um pouco mais abrangente em relação a área central) e a Matricial, utilizada em câmeras mais avançadas.

Compensação de Exposição

Porém, nem sempre os modos de fotometria resolvem o seu problema. Eles podem se enganar, por conta da deficiência do equipamento ou sua inabilidade em posicionar a câmera para a correta fotometria. Nesses casos, existe a possibilidade de trabalhar com a compensação de exposição. Todas as câmeras digitais, das mais modernas às mais simples, possuem esse recurso. A compensação de exposição é representada por uma caixa com os valores + e –.

Quando acionado, podemos regular o recurso colocando até 2 pontos positivos ou 2 pontos negativos (regulagem geral das câmeras compotas). Mas, o que isso implica? Ao fazer a foto e ainda notar que existem problemas de exposição (tanto a mais quanto a menos) você pode acionar a compensação de exposição. Ao colocar um valor positivo, mais luz vai ser colocada em sua foto. Ao colocar um valor negativo, menos luz vai ser colocada em sua foto.

O que acontece na realidade é que você está dizendo para sua câmera que ela está fazendo incorretamente a fotometria e que ela deve trabalhar com um ponto de luz a mais (no caso positivo) ou um ponto de luz a menos (em caso negativo). Esse pequeno truque resolve quase todos os problemas, mas é necessário conhecer bem essa regulagem e sempre se lembrar de voltar a compensação de exposição para o zero, senão a câmera vai continuar adicionando ou tirando luz de fotos que não necessitam dessa intervenção.

Histograma

Fechando esse pequeno texto, acho que devemos falar um pouco do histograma. Pode parecer uma coisa boba, mas existem pessoas que ainda não sabem para que ele serve. Eu não consigo fotografar sem o histograma ativado em minha câmera (vários equipamentos mostram o recurso no visor da câmera, em especial as câmeras da Sony que possuem um histograma ativo muito bacana). Geralmente, ver no LCD das câmeras se a foto está boa é uma tarefa árdua. Nem todos os visores LCD possuem boa qualidade e fica complicado concluir se uma foto esta bem iluminada ou não. Eu tenho esse problema com o visor da Rebel XSi.

O histograma é um gráfico que mostra se as áreas de altas luzes, baixas luzes e luz média estão bem equilibradas. A parte esquerda do gráfico representa as sombras da imagem (baixas luzes), o lado direito representa a área com iluminação mais forte (altas luzes) e o centro representa a luz média. De modo geral, a base do gráfico vai de 0 a 256, representando o preto puro (0) ao branco puro (256). Uma foto bem fotometrada vai apresentar um gráfico bem equilibrado. Fotos superexpostas vão apresentar a maior parte do gráfico na parte direita e, fotos subexpostas vão apresentar maior incidência do gráfico na parte esquerda. Vejam os exemplos abaixo.

histograma normal

Histograma Equilibrado

superexposição

Superexposição

subexposição

Subexposição

O histograma deve ser considerado como um guia e não como norma. Eu gosto muito de fazer fotos com sombras, silhuetas e situações de baixa iluminação. Nesses casos o histograma não vai ser equilibrado, mas o objetivo das fotos é esse mesmo.

Tenho certeza que, para quem nunca viu, essas coisas podem parecer complicadas. As informações acima estão colocadas de forma simplificada e direta. Cabe a cada um se aprofundar nesse tema. Hoje mesmo estava conversando com um dos meus alunos sobre a questão do uso criativo da luz do flash. Mostrar uma boa fotografia implica principalmente no conhecimento e controle da luz. Sem isso não somos nada. Não importa ter um equipamento top de linha quando o seu conhecimento sobre a luz e como medi-la são inferiores. Nesse caso, até quem faz foto com pin-hole pode ganhar de você.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams “Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio”.

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  • Bem legal, ótimo pro pessoal aprender umas coisas (que pelo menos eu acho) importantes. Quando você aprende a “ler” o histograma, você por tabela aprende um monte de coisas legais. Posso dar uma sugestão de uma função interessante, mas bem negligenciada? O botão pra Depth-of-Field Preview. 🙂

  • Parabéns pelo artigo. Nem desconfiava p/ que infernos era essa barra na câmera e sempre retirava ela do display.

  • Gilson, na minha cybershot (já falecida) 1ª geração eu costumava usar a medição central para criar efeitos de luz interessantes: apontava para uma área mais clara ou escura, travava o disparador e voltava para o tema central. Isto é aconselhável?

    • @vincentvega, isso é igual o balanço de branco. depois que você sabe como funciona é possível realizar várias brincadeiras. Regras existem para serem quebradas 🙂

      • @Gilson Lorenti, Seria isso o que os fotógrafos de casamento fazem? Sempre vejo eles apontando para algum ponto fora do tema para, só depois, enquadrar a foto.

      • tiagodami

        @Gilson Lorenti,
        Exatamente.
        Se você não dispõe de uma camera com Acertos manuais, vocêe vai enganando ela aos poucos….

  • hideki

    Ótimo tutorial Gilson, gostei da sugestão do Akzel sobre um artigo sobre o Depth-of-Field também.

  • Rodrigo8

    quando comecei tive q ler muito manual em ingles para entender isso, acho q vai ajudar muita gente

  • tiagodami

    Só pra constar, meio off-topic:

    FUJAM DAS DIGITAIS SMASUNG, PANASONIC, ETC…

    Claro que são boas cameras, melhores que a tecpix(camera/filmadora/mp3player/webcam),

    MAS em comparação com as point-and-shoot da Sony,
    Elas falaham miseravelmente.

    E nem é o harware, a Samsung usa boas lentes,

    A DIFERENÇA È O SOFTWARE, E A SONY é acostumada a fazer PRODUTOS ROBUSTOS.

    Uma Samsung chega a ser metade do preço de uma Sony,
    e no mercado high end, acho que, que se todos tivessem grana pra pagar as lentes Carl Zeiss da Sony, usariam Sony a Canon/Nikon.

    Cameras Sony são muito mais “usavéis” ( e neste ponto parec até mesmo que eu estou sendo pago pra escrever este comentário) -user friendly,

    e ADOREI TEU POST,
    porquê talvez a maioria dos que leem o meio bit não sejam fotografos profissionais,
    mas gostam de explorar seus equipamentos,
    e este post me lembra do tempo que eu tirava muita foto com a minha DSC-W30
    pra descobrir o que ela podia fazer.

    Eu ainda uso essa DSC-W30, mas ela estava fazendo o metering muito errado,
    e eu n tenho saco com assitência técnica,
    então abri ela com:
    Uma Faca, e só.
    e Fiz uma limpeza,
    com:
    Cotonete,e Liquido Pra limpeza de lentes carbografite, que eu uso no meu óculo de prescrição, mas achoq ue alcool isopropilico deve funcionar.

    Bom eras isso.

  • Muito obrigado!!Vc me ajudou muito…tirou essa dúvida da minha vida..!!!Valeu!!!!!!!!!

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