O futuro da Internet está nos nossos olhos

Por: em 17/08/10 na(s) categoria(s): Internet, Meio Bit, Miscelâneas


Ler o artigo The Future of the Internet, escrito por Dan Redding e publicado na Smashing Magazine, é o mesmo que fazer uma viagem para o futuro na tentativa de prever os caminhos que a Internet tomará daqui para frente. Algo impossível de se fazer com precisão, mas ainda assim um divertido e instigante exercício.

O artigo passeia por vários pontos importantes, uns mais, outros menos, alguns realmente futuristas, como a possível relação entre a Rede e viagens temporais (essas, de verdade, não como as do exercício mental que o próprio artigo é). Entre todos esses tópicos, dois me chamaram a atenção pela aplicabilidade que teriam, caso fossem reais — e, ao que tudo indica, em pouco tempo eles serão tecnicamente viáveis.

Olho.

Olho (mais em Photography Served).

O primeiro refere-se à “Web of Things”, ou, mantendo o padrão, “Web das Coisas”. Em termos simples, esse conceito leva à Internet informações sobre tudo via dispositivos de rastreamento, permitindo aos usuários saber o que acontece com essas coisas em tempo real e, inclusive, interagir entre elas. Adeus cachorrinhos sumidos, carros roubados e outras mazelas hoje tão comuns. Combinado com uma interface 3D a la SecondLife, seria mais ou menos uma recriação virtual extremamente realista do nosso mundo real, com tudo acontecendo igualzinho nos dois “universos”, em tempo real. Há muito a ser discutido em relação a isso, especialmente quando a palavra “privacidade” vem à tona, mas algumas empresas, como a AT&T, já pesquisam o tema.

O outro ponto abordado por Redding diz respeito a implantes mecânicos em nosso corpo, ou para resumir tudo numa palavra, à criação de ciborgues. Ele afirma que, no sentido frio da palavra, hoje já existem ciborgues entre nós, como, por exemplo, pessoas que têm marca-passo. Mas como estamos falando de futuro, a especulação vai além.

Imagine levar a Internet no seu corpo, através de um microchip implantado diretamente nos olhos. Pode parecer muita ficção até mesmo para um exercício mental futurista, mas se levarmos em conta que já há casos na medicina de recuperação parcial da visão via implante de “retina digital”, a situação hipotética em debate fica mais próxima da realidade. Barbara Campbell recebeu um chip no olho que recebe imagens externas e estimula células em sua retina com a finalidade de transmitir imagens para o cérebro. Funciona. Parece mágica.

HUD de Halo: em breve, nos seus olhos.

HUD de Halo: em breve, nos seus olhos.

Agora pense num microchip parecido, porém com o objetivo de estender as capacidades visuais do usuário. Uma HUD bem feita poderia transformar nossa visão nalgo próximo do que Master Chief vê em suas missões interplanetárias. Ou melhor: em algo tão legal quanto, mas mais útil. Conectado à Internet, esse microchip poderia identificar, em tempo real, elementos visualizados pelo usuário, mais ou menos com o Google Goggles, e fornecer informações precisas obtidas de bancos de dados online no campo de visão da pessoa. Com os avanços tecnológicos, esse mesmo microchip poderia ter toques de realidade aumentada, facilitando trabalhos diversos como, por exemplo, analisar a decoração de uma sala antes de colocar a mão na massa. Junto essa tecnologia com o conceito de Web of Things, e pessoas sumidas, crimes sem solução, pessoas cegas… tudo isso seria passado.

A única questão que implicaria em problemas de ordem política e filosófica diz respeito à (novamente) privacidade. Quem controlaria isso tudo? Como seria tratada a visão das pessoas enquanto conteúdo? Enfim, perguntas que ainda não têm respostas, relacionadas a conceitos que ainda não existem realmente. Mas que tudo isso é muito interessante, isso é.

  • predador00

    Seria interessante poder compartilhar e ver o mundo pela visão dos outros.
    Mas creio que seria melhor algo como o visor do Vegeta (DBZ) ou dos soldados do G.R.A.W.

    “Implante nos “zói” dos outro é refresco”

    ;-;

    • lennoleal

      @predador00, Putz… eu pensei nesses dois casos (visor do Vegeta e G.R.A.W) quando li a parte do HUD. Quanto a carregar a internet no corpo: Alguém já assistiu Ghost in the Shell? Medo muito medo!

    • http://tambotraising.com.br/ Lepper

      IT’S OVER 9000!

  • Rickd

    Imagino um exploit pra ver as pessoas nuas..

    • http://www.meiobit.com Ricardo Bicalho

      @Rickd, Visão infravermelha que ignora roupas. hehehe

  • tiago_s

    Imagina todo esse futuro promissor sendo controlado por um hacker, h0h0h0.

  • http://www.saps.com.br Stormbringer

    o lance de imagens projetadas “no olho” seria bem bacana… mas a gente vive 65~80… 90 anos…

    nesse tempo a tecnologia avança pracaralho…

    imaginemos que hoje ja houvesse isso aplicado… e daqui 10 anos, esse “implante ocular” tenha recebido vaaaaaarias atualizações (resoluçao, cores, etc)… vc retira o antigo pra por o novo, ou fica com algo obsoleto até o fim da vida?

    kkkkkkkk… só um devaneio mesmo :P

  • http://www.flickr.com/photos/gaio Jhonatan

    Imagina tudo isso nas mãos de quem já está no poder hoje em dia (e já controla tudo que é tecnologia de comunicação)?

    • criscmaia

      @Jhonatan, Google? :P

  • http://samuelvfs.myopenid.com/ Samuel

    Essa ideia das web das coisas realmente vai mudar a web. Outro conceito também que pode ser real no futuro é o de web-semântica, que seria – a grosso modo – um google bem melhor.

    • lennoleal

      @Samuel, não é por nada não, mas acho que já foi lançado ha uns dois anos atrás um buscador que “entendia” a semântica da busca! Parece que o buscador não vingou!

  • marcosmalagris

    Essa questão da realidade aumentada proporcionando camadas de informação à realidade realmente me encanta. Sempre viajo nessas possibilidades. Imagina como isso poderia facilitar a vida de um cirurgião, por exemplo. Meus amigos provavelmente já não aguentam mais ouvir eu falar sobre esse tipo de coisa, por isso fiz meu blog =) http://waitforit.posterous.com/

    E quanto a questão dos “ciborgs”, McLuhan dizia que os instrumentos são o que temos de mais humano, são extensões nossas, eu concordo. Caso contrário, itens como relógios de pulso, óculos e até roupas já seriam suficientes para nos consideramos “ciborgs”.

    Abraço!

    • criscmaia

      @marcosmalagris, seu site está sendo acusado pelo google como perigoso:

      “Warning: Visiting this site may harm your computer!
      The website at waitforit.posterous.com contains elements from the site divageekdesigns.com, which appears to host malware – software that can hurt your computer or otherwise operate without your consent. Just visiting a site that contains malware can infect your computer.
      For detailed information about the problems with these elements, visit the Google Safe Browsing diagnostic page for divageekdesigns.com.
      Learn more about how to protect yourself from harmful software online.”

      • marcosmalagris

        @criscmaia, Valeu! Resolvi o problema! =)

  • http://www.meiobit.com Ricardo Bicalho

    Isso vai ser legal até começarem a fornecer chips de graça com banner e adsense.

    Imagine, você olha para uma mulher, ad sense de motel, vinho, flores e chocolate.

    Medo é o que vai aparecer quando você enxergar um esgoto a céu aberto… limpa fossa?

    • criscmaia

      @Ricardo Bicalho, adicione o chip + adsense + rede social e você tem boas dicas de como conquistar aquela mulher.

      Se for do sexo oposto, e você não for homossexual, pode mostrar assuntos em comuns, como futebol, últimos placares…

  • http://www.facebook.com/leandro.lesnik Leandro Lesnik

    Isso me lembrou de certa forma o anime Texhnolyze, alguém já viu ele?

  • marcoscs

    Ghedin tocou algumas vezes na questão da privacidade e como esse conceito e a web ainda não conseguiram conviver pacificamente e, para mim, não conseguirão nunca. A dimensão da web e sua força fazem com que nos aproximemos cada vez mais, é como se um dilúvio obrigasse todos os os homens da comunidade a viver sob o mesmo teto e como se exigir privacidade se todos foram confinados em um mesmo espaço?
    Já li uma vez não lembro onde que o ser humano é um animal essencialmente gregário (até aí nenhuma novidade) e por ter tal característicica, a privacidade e a individualidade estariam mais no terreno das anomalias do que uma regra normal de convivência para a grei.
    Individualmente é confortante imaginar que estamos protegidos dos demais olhares e podemos deixar intactos nossos segredinhos mas parece que na verdade isso é ilusão, o Grande Irmão já existe, só está começando seu trabalho e entende a privacidade como uma anomalia que instarou no rebanho e como tal deve ser tratada.

  • arsbnl

    Isso lembra um episódio de Stargate SG1 que estava assistindo estes dias: foram a um planeta em que a população vivia em um domo, pois a atmosfera tinha sido destruída pela poluição e todos estavam conectados em um super-computador que compartilhava informações e conhecimento. Só tinha um probleminha: o domo estava encolhendo e o programa tinha sido mal-feito, em vez de avisar as pessoas da situação ele as controlava para que saíssem para o ambiente poluído e morressem, aos poucos, e então apagava a existência dessa pessoa da memória das outras. Horripilante. Voltando à nossa atual realidade – por enquanto – isso poderia ter muitos usos, a maioria deles assustadora. Além dos problemas e dos óbvios hackeamentos que fariam ao sistema, ainda temos o impacto biológico a considerar, quais os efeitos a médio e longo prazo de termos chips implantados no corpo enviando e recebendo ondas de rádio e por aí afora? Hmm, será que o futuro da humanidade seria algo estilo Borgs?

  • adrianodl

    Implantes? Fujam para os montes!!! É o sinal da besta!!!!!!!!
    Agora no meu caso que tenho uma cicatriz no fundo da retina de um dos meus olhos, isso poderia ajudar muito, mas não poderia de forma alguma agregar o recurso de gravação, senão terei sérios problemas quanto a privacidade.

    • adrianodl

      @adrianodl, Gozado, eu tinha posto umas “tags” que não apareceram, mas mesmo assim, acredito que o pessoal vá entender o que eu disse.

      • criscmaia

        @adrianodl, eu acho que não vão, você foi negativado 2x :P

  • Rodrigo8

    alguma referencia ao filme Exterminador do Futuro e Predador ?

  • Spock_Bauru

    É, eu também li Ghost in the Shell e estou pra ler Neuromancer, ambos da década de 80 e até agora nada de realidade.

  • criscmaia

    Curioso ler isso agora. Alguns poucos dias atrás vi o 1o episódio da série Visions of the Future(http://beta.bbc.co.uk/iplayer/episode/b0088yjf/Visions_of_the_Future_The_Biotech_Revolution/) apresentado pelo Michio Kaku, também faz uma previsão das futuras inovações que estão por vir. Recomendo.

    Sobre o microchip nos olhos, este programa fala que seria uma boa aplicação se adicionar redes sociais e reconhecimento de face. Todos os dados da pessoa que você está olhando bem ali, no cantinho do seu campo de visão.

    A única coisa que me dá medo é de deixar o cérebro preguiçoso. Pequenos detalhes já podem ser percebidos nos últimos anos. A 10 anos atrás quantos telefones você sabia de cor? E hoje?

    • http://www.flickr.com/photos/gaio Jhonatan

      @criscmaia, mas em contrapartida, quantas URLs, e-mails e coisas do gênero passamos a decorar?
      Mesmo com gerenciadores de favoritos, senhas e a agenda do Google…
      E olha que não é mole decorar várias senhas com vários caracteres que não sejam palavras/frases…

      Mas, sim… Concordo que algo está mudando na forma como pensamos… E a preguiça é tanta que ainda não tive coragem de ler os artigos que falam sobre isso…

  • andersonperoty

    Não consigo deixar de pensar no episodio que Futurama satiriza o Iphone!
    O eyePhone! o dorzinha que era pra implantar!

  • Laura Moraes

    Isso de poder pegar o que as informações do que a pessoa ve foi mostrado no filme The Final Cut. No filme, chips eram implantados no cérebro da pessoa logo quando ela nascia e serviam para gravar tudo o que a pessoa via durante a vida. E quando ela morria, um especialista (Robin Williams é um deles) extrairia esse dispositivo e editaria as memórias, reunindo-as em um filme – que passaria no seu funeral – para prestar uma homenagem ao falecido.
    É um filme bem interessante com um final inesperado (pelo menos por mim foi) e bem intenso.