Comitê das Olimpíadas de Tóquio estuda fazer uso de reconhecimento facial em larga escala

Reconhecimento facial é uma realidade, cada vez mais encontramos soluções para identificação de pessoas nos lugares e situações mais simples possíveis, como por exemplo para autenticar o uso de bilhetes especiais nos ônibus em várias cidades do Brasil. Ainda assim um processo de identificação massivo, para reconhecer e autenticar grandes quantidades de pessoas simultaneamente não é algo que qualquer empresa é capaz de fazer; isso é coisa do nível de grandes companhias e governos (China inclusa).

Ainda assim o comitê organizador das Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio em 2020 se preparam para utilizar o reconhecimento facial em larga escala durante os jogos, de modo a escanear e rastrear as faces de milhares de pessoas entre atletas, organizadores (apenas oficiais e seguranças, a novidade não deve ser estendida a voluntários) e jornalistas. O público não fará parte da brincadeira por limitações da tecnologia, mas nada impede que no futuro grandes eventos possam contar com credenciais do tipo para todos.

A intenção do comitê, segundo fontes é agilizar o reconhecimento de pessoas autorizadas a entrarem em locais restritos de acordo com o nível de suas credenciais, o que até a Rio-2016 foi feito manualmente. Já na Tóquio-2020 o sistema chamado NeoFace, fornecido pela NEC se encarregará de checar os rostos e compara-los com as fotos armazenadas no banco de dados; este contará com cadastros de 300 mil a 400 mil pessoas entre atletas, oficiais, seguranças e jornalistas. Um sistema similar foi testado pelos japoneses durante os jogos do ano passado, mas em pequena escala para autenticar a entrada no centro de visitantes reservado ao Japão, situado durante o evento na Cidade das Artes.

Pode parecer complicado, mas ninguém duvida que a NEC é mais do que capaz de dar conta do recado; o NeoFace é fornecido para diversos empreendimentos desde a rede de fast-food CaliBurger ao Departamento de Segurança Interna dos EUA, ao implantar o sistema nos aeroportos JFK e no de Atlanta, bem como também fornece seus serviços ao departamento de polícia de Chicago.

A notícia entretanto levantou preocupações. Especialistas em segurança questionam há tempos o destino dos dados coletados pela NEC, que pode muito bem estar criando um grande banco de dados relacional com informações de todos os seus clientes e implanta-lo durante a Tóquio-2020 só colocou mais lenha na fogueira, mas esse é um caminho sem volta. Se a tecnologia facilitará o credenciamento dos presentes nos Jogos Olímpicos e for minimamente seguro (o comitê organizador precisa garantir isso), mesmo que o pessoal reclame ele será colocado em funcionamento. E não é como se o Google já não tivesse nossos dados faz tempo, certo?

Fonte: Japan Times.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Uber

    Vim aqui só pelas piadas.
    xD

    • Vicente Neto

      Pelo visto o movimento está fraco… Vamos ver se mais tarde as piadas resolvem aparecer.

  • “Que estranho Toshiro. Só hoje o Tanaka já entrou no estádio 268 vezes!?!”

    • Christiano Nascimento Amorim

      toshiro e tanaka? tocando vaca? achei um que conhece???

  • Il Padrino

    Reconhecimento facial no Japão exige treinamento de algoritmo no estilo CrossFit.

    • Olha pelo lado bom: funcionando no Japão, funciona FÁCIL no resto do mundo não oriental.

      • Se funcionar no Japão, não precisa mais refinar em nada a tecnologia, podem passar para a próxima.

      • Il Padrino

        Não duvido que eventos assim são boas oportunidades (desculpas) para testar algo que seria difícil implementar em situações normais. Alguns bons papers sairão disso aí

  • Douglas

    na verdade eles já fazem isso e já iriam fazer, acharam melhor deixar público porque assim justifica o gasto

  • Lui Spin

    “o destino dos dados coletados pela NEC, que pode muito bem estar criando um grande banco de dados relacional com informações de todos os seus clientes”

    Mas isso é óbvio.

  • PugOfWar

    Querem fazer algo que nem o algoritmo mágico da Apple conseguiu

  • Ainda assim um processo de identificação massivo, para reconhecer e autenticar grandes quantidades de pessoas simultaneamente não é algo que qualquer empresa é capaz de fazer; isso é coisa do nível de grandes companhias e governos

    Não é tão difícil quanto parece não. Eu já desenvolvi um sistema desses de identificação pessoal por face (que é diferente de reconhecimento facial). Eu utilizei primeiro o Amazon Rekognition https://aws.amazon.com/pt/rekognition, que é extremamente rápido e eficiente, depois eu utilizei o YOLO (darknet) https://pjreddie.com/darknet/yolo/ que é absurdamente rápido, porém não tão preciso quanto o Rekognition.

    No meu caso eu utilizei para pesquisar o rosto de uma pessoa na base de procurados da Polícia Civil, a partir de uma selfie tirada pelo próprio usuário de um determinado aplicativo de mobilidade urbana.

    • Urso Azul

      Ótimo comentário, parece interessante e vou dar uma olhada nas ferramentas que você citou, mas vou ter que desviar o assunto um pouco.
      Puta que pariu, olha o currículo do criador do YOLO. Está no site dele em Resume.
      Eu sinceramente não esperava por essa.

      • Hahahaha…. que figura! Muita criatividade, mas também, o cara tá fazendo PhD na universidade de Washington! Com certeza se garante….

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