Resenha: Os Últimos Jedi — A New New Hope (sem spoilers)

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Eu costumo dizer que sempre assisto um filme de Guerra nas Estrelas volto a ser aquele garoto de 8 anos no Cine Paz, em Duque de Caxias, que teve seu mundo virado de cabeça pra baixo quando os poderosos acordes de John Williams inundaram o cinema. A uma das melhores aberturas da História do cinema, seguiu-se uma história simples, velha como o tempo, mas com mitos e arquétipos que ressoam fundo na alma humana.

Em parte, eu menti. A expectativa dos outros filmes era boa, mas nenhum tinha conseguido me transportar de volta a 1977, nenhum conseguiu me passar todo o sentimento épico do original. Até agora. Os Últimos Jedi é um filme que consegui apreciar tanto quanto o meu eu de 1977 apreciaria, mas ironicamente não é um filme para os fãs antigos. É um filme que fala sobre renovação, sobre seguir adiante e é focado nas novas gerações, nos novos fãs, dos que foram cativados mesmo só tendo assistido Guerra nas Estrelas em seus telefones.

SW:OUJ foi feito para ser o primeiro filme de Star Wars de muita gente, e não será o último.

O Despertar da Força foi uma atualização do Guerra nas Estrelas original, já Os Últimos Jedi não é uma versão do Império Contra-Ataca. Império perto desse filme é vídeo no YouTube dos melhores momentos dos Ursinhos Carinhosos. Os rebeldes apanham, mas apanham MUITO! Em vários pontos me peguei murmurando o clássico meme dos Simpsons:

Stop! Stop! He's already dead!

Uma das coisas que me impressionou é como o filme não tem medo de deixar o passado para trás. Nada é sagrado, o filme reconhece o que os fãs perceberam: os Jedi caíram por sua própria arrogância. A grande lição é que não são só os Sith que só lidam com absolutos. O maniqueísmo dos Jedi foi sua ruína e a própria Aliança Rebelde, com seu discurso de mocinhos vs bandidos corre o risco de ir pelo mesmo caminho, vide Saw Guerrera, que era basicamente o ISIS, e Cassian Andor, um dos “mocinhos” de Rogue One que matou sem nenhuma hesitação um aliado ferido para que não fosse interrogado pela Primeira Ordem. Esse é o herói?

Os Últimos Jedi é um filme longo, bem longo, 2 h 33 min de duração, e várias vezes ele poderia ter acabado. É curioso, é um filme que você acha que chegou no cliffhanger para terminar e te deixar esperando o próximo, aí resolvem, a situação piora, você pensa “agora acaba”, e não acaba. Não é cena pós-crédito, é parte da história. O filme só termina em uma cena de pura esperança e renovação, que faz com que todos os garotos de oito anos da platéia, inclusive este que vos escreve fique com um nó na garganta pensando “nossa, esse sou eu!”

1 — Os Porgs são os novos Ewoks?

Não, eles são só uns bichinhos que fazem parte da fauna da Ilha do Luke, e você vai ficar com pena deles.

2 — Tem Estrela da Morte?

Não, mas é Guerra nas Estrelas então há coisas explodindo, a cena é linda e deixaria o Tenente Worf orgulhoso, é tudo que posso dizer.

3 — Poe Dameron salva o dia?

Poe Dameron aprende que há muito mais em liderança do que pegar uma nave e sair explodindo coisas, isso não é solução pra tudo, como ele descobre, mas quando a missão é explodir coisas, ele é competente.

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4 — Como assim o filme é engraçado?

Pois é. Não tem Jar Jar, mas tem humor, inclusive uma referência ao primeiro fanfilm da História, Hardware Wars, em um momento em que a platéia inteira cai na gargalhada, ao ser enganada pelo diretor. Só que não é sátira, o humor não é usado para diminuir a seriedade das situações. O humor não banaliza o filme, ele o humaniza. E mais impressionante ainda: não conflita com o clima dark do filme.

5 — Então é darkão Star Wars da Depressão?

É dark mas não é pra baixo, e isso é muito, muito difícil de ser feito. Você sabe que a Aliança está num merdelê só (segundo filme de trilogia, isso nem é spoiler) mas tem esperança de que vai dar tudo certo. Não por serem os heróis, mas por tudo que aprendemos com a saga.

6 — Poe e Finn são um casal?

Não. Volta pro Tumblr, oferenda.

7 — E o Luke?

Ah, o Luke… ele está velho e sábio, e rabugento, claro. E poderoso, extremamente poderoso, depois que percebeu que levantar pedras e fazer idiotas procurarem dróides em outro lugar são só truques de salão, e que a Força é muito mais do que uma ferramenta. Vader já dizia que explodir um planeta era insignificante diante da Força, o que Luke aprendeu é que os Jedi também são. Luke tem participação fundamental no filme, e ao contrário do último, nesse ele até fala.

8 — E as reviravoltas?

O conselho de Game of Thrones talvez chegue tarde em Star Wars, mas não se apegue a ninguém. E não se acomode achando que tudo está encaminhado. Conto fácil umas 4 ou 5 situações onde o caminho estava todo traçado e então o roteiro muda de direção. Não no estilo Lost, mas no estilo Murphy mesmo.

9 — E o Kylo Ren, continua um emo maldito?

Digamos assim: a gente começa a entender as motivações e, embora continue sendo um FDP (ele matou o Solo, pô!), ele não fez aquilo de graça. Ninguém acorda criança e decide que vai ser malvado. Às vezes somos levados a isso, e toda aquela revolta, sem entrar em detalhes, tem sua razão de ser e não era de hoje. Ren está se encaminhando para se tornar um dos grandes vilões da franquia. Até porque ele não perde tempo com tramas envolvendo delegações comerciais.

Conclusão

Os Últimos Jedi tem a ver com a perda da Inocência. Rey descobre que o mundo não é preto e branco, Poe descobre que ser o mocinho fodão megapower piloto não é garantia de salvar o dia, Finn vê sua fé na Aliança abalada pela realidade da guerra e nós, cínicos e sarcásticos espectadores modernos do século XXI descobrimos que é possível ter esperança, e mais: é fácil ter esperança com a Estrela da Morte explodida e todo mundo ganhando medalha (você não, Chewie). Complicado é ter esperança depois de tudo dar errado e um monte de gente ter morrido. Mesmo assim, é dessa forma que saímos do cinema, invejando as crianças da platéia brincando com seus sabres de luz de plástico.


Trailer final – Star Wars: Os Últimos Jedi – 14 de dezembro nos cinemas

Cotação:

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6/5 Porgs.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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