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Star Wars: O Despertar da Força — resenha sem spoilers (juro!)

Star Wars: O Despertar da Força. É uma rara oportunidade de ver Star Wars no cinema, coisa que não acontecia desde 1983.
Leia nossa resenha, veja se JJ Abrams conseguiu o impossível, atualizar Guerra nas Estrelas para uma nova geração, sem alienar os fãs antigos. Spoilers: conseguiu. E muito (resenha — espero — sem spoilers).

3 anos atrás

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Chewie, estamos em casa. Todos nós.

Eu sempre começo a ver filmes de Star Wars me sentindo com 8 anos de idade. Desta vez foi diferente. Eu terminei o filme me sentindo com 8 anos de idade. Sim, JJ Abrams, aquele magnífico bastardo, fez de novo. Ele nos deu o filme que a gente queria, não o filme que a gente pedia, e esse foi o erro de George Lucas na segunda trilogia.

Lucas deu ouvido aos críticos que exigiam mais explicações científicas, temática adulta, conflitos menos maniqueístas. Como resultado Episódio I tem todo um contexto político que não é Star Wars. Guerra nas Estrelas não tem que se explicar. Senão vira Jornada nas Estrelas.

O Despertar da Força não se desculpa, não se explica e não tem medo de repetir os mesmos acertos da Obra-Prima de 1977. Há quem reclame dizendo que é muito Star Wars. Pombas, essa é a idéia. Depois de um longo e tenebroso inverno, voltamos pra casa. É uma declaração de amor a Star Wars, feita por alguém que ama profundamente a saga e quer que outros compartilhem do sentimento. É um filme que abre os braços para os novos fãs, sem esquecer os antigos. É uma galáxia grande, cabe todo mundo.

JJ triunfou onde Bryan Singer falhou, no Superman Returns. O Despertar da Força não é um remake, é uma nova história com ecos profundos na original. É como fazer a mesma viagem com duas companhias queridas diferentes. É familiar, mas é novo. No Superman não havia brilhantismo, não havia magia. No Guerra nas Estrelas temos os dois Universos, o novo e o antigo, se encontrando, se complementando.

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Não é uma passada de tocha. Não é o Han Solo entregando a chave da Aluminum Falcon pra Rey, dizendo “se vira aí”. Não é o Luke aposentado, a Leia Vovó, todos no começo do filme contando histórias e em seguida os jovens assumem.

O Despertar da Força voltou à raiz do Bem Contra O Mal, mas estranhamente o mal está mais humanizado. Na trilogia antiga nunca víamos os stormtroopers sem capacete. Por anos achei que fossem robôs. Lucas os reconectou em clones na segunda trilogia, mas JJ os transformou em pessoas, para matá-los e fazer com que isso tivesse significado real.

Vemos pela primeira vez o outro lado, acompanhando os preparativos para uma incursão de stormtroopers. Vemos uma Aliança Rebelde que se tornou a Resistência, um império em frangalhos que se restabeleceu como a Primeira Ordem. Aconteceu antes e acontecerá de novo, como em Battlestar Galactica.

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Alguns personagens antigos são tratados como lendas, todas aquelas histórias aconteceram muito tempo atrás, naquela galáxia mesmo. Lembre-se, no Episódio IV Jedis já eram uma religião antiga e descartada. A Força ainda existe, mas as pessoas não se dão conta disso. Só os vilões.

O vilão aliás é um ponto forte n’O Despertar da Força. Kylo Ren é algo muito perigoso: um jovem com treinamento incompleto, muita raiva, nenhum Facebook pra fazer textão e um domínio incrível do Lado Negro da Força. Maior que o Vader. Ele só não tem o refinamento e o controle emocional para canalizar sua raiva em ações pensadas.

Com ele vemos feito direito o que Lucas tentou mostrar com o Anakin e não conseguiu. Ou melhor, na verdade é o oposto. Ele é tentado pela luz, mas faz de tudo, mesmo o impensável para seguir no Lado Negro. Com o passar dos filmes ele ganhará maturidade, experiência e será o mais implacável tipo de vilão cruel: o com método, usando a maldade como meio de alcançar seu objetivo.

Na primeira trilogia vimos a evolução de Luke, agora veremos alguém do Lado Negro, sem bobagens como “detesto areia” e “oh Padmé meu amor morreu de desgosto”.

Visualmente o filme é lindo, não há a artificialidade da tela verde da trilogia prequel, os atores interagem em locais reais com pessoas reais. veja bem, não é um manifesto contra computação gráfica, muito pelo contrário (aliás recomendo este vídeo sobre o tema). O que JJ faz é usar CGI como uma ferramenta para contar a história, não como vitrine.

O Despertar da Força tem toneladas, toneladas de CGI, mas ela só é protagonista nos momentos certos. Ela dá liberdade para o Millenium Falcon voar mais alto, não é usada para fazer um robobola rodar pelo chão. Este vídeo, lançado da Comic-Con de San Diego mostra bem isso:

Star Wars: The Force Awakens – Comic-Con 2015 Reel

Há uma quebra de continuidade na história, mas ela é difusa, não há um momento onde o velho Guerra nas Estrelas se despede, não percebemos exatamente aonde a nova geração assume o comando. Apenas acontece, é natural, é bom. Alguns personagens queridos vão nos deixar, outros vão ficar, e estamos aprendendo a amar os novos. Rey chuta bundas, Finn e Pomeron têm uma química maravilhosa e proporcionam momentos de risadas altas. Tudo funciona.

Esse Guerra nas Estrelas não é o fim de uma era, é a continuação de uma saga. Acho que o que melhor define é a fala do Capitão Kirk, no final do Star Trek VI:

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Diário do Capitão, data estelar 9529.1 Esta é a última viagem da nava estelar Enterprise sob meu comando. Logo esta nave e sua história ficarão a cargo de outra tripulação. Para eles e sua posteridade encomendamos nosso futuro. Eles irão continuar as viagens que começamos, e viajar para todas as terras desconhecidas, audaciosamente indo onde nenhum homem… onde ninguém jamais esteve.”

A franquia está em boas mãos. Terá uma vida longa e próspera. JJ me deu o raro privilégio de ter a sensação de pela segunda vez, assistir Guerra nas Estrelas pela primeira vez.

Star Wars: O Despertar da Força está passando… em todo lugar.

Trailer Oficial – Star Wars: O Despertar da Força

Cotação: 5/5 Darth Jar-Jars

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