Resenha: Liga da Justiça — maldito Zack Snyder me fez gostar do Aquaman

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ALERTA DE SPOILERS: ALGUNS. OK, MUITOS.

Digamos assim: Liga da Justiça não é um filme para qualquer um. Ou melhor, é. Ele funciona para aquelas 5 pessoas que moram em cavernas e não conhecem os personagens, mas não dá muita bola para elas. Não sei se o Zack Snyder aprendeu a lição, ou o Joss Whedon mudou tudo em um mês, mas o filme me surpreendeu positivamente como não acontecia fazia muito tempo.

Liga é o segundo filme da DC que pela primeira vez em décadas consegui gostar sem caçar detalhes. Eu gosto do Superman Returns por causa das homenagens ao Super-Homem do Richard Donner. Gosto do Man of Steel por causa da des-humanização do Clark, tornando-o uma Força da Natureza, e de expandirem Krypton com uma pegada mais Alan Moore.

Gosto do Batman versus Superman pois é o mais próximo que já cheguei de ver um Cavaleiro das Trevas do Miller na tela grande.

E do Mulher-Maravilha todo mundo gosta.

O filme da liga não. Eu gosto por ser divertido, estranhamente divertido, em um Universo Cinematográfico dark sombrio triste e chuvoso. Isso aliás está ofendendo muitos “fãs”, que reclamam do Universo Sombrio mas não querem que ele seja engraçado. Danem-se eles, o cinema cai na gargalhada quando o Sups olha na cara do morcegoso e faz a pergunta mais retórica do mundo, “você sangra?”

O enredo

Passado algum tempo depois do Batman vs Superman, o mundo ainda está de luto, quando começam a aparecer parademônios na Terra, atrás das Caixas-Maternas, supercomputadores desenvolvidos pelos Novos Deuses de Nova Gênese e usados para um monte de coisas, de abrir Boob Tubes de transporte a terraformização de planetas.

Uma dessas caixas está na Ilha Paraíso, e atrás dela aparece Steppenwolf, banda canadense e comandante das tropas de Darkseid. Imortal, ele havia tentado conquistar a Terra antes, mas uma união entre humanos, deuses, atlantes e amazonas expulsou as tropas de Apokolips e tomou posse das 3 caixas maternas. Agora o Lobo Mau está de volta e quer terminar o serviço.

Bruce percebe que algo ruim vai acontecer, e com base nas pesquisas de Lex Luthor, reúne uma legião de heróis. Alguns veteranos, como Diana, outros iniciantes, como o Flash, e outros relutantes como o Cyborg, que é quem ganha a maior parte do pouco espaço dedicado a origens no filme. Seu relacionamento com o pai é importante e isso é mostrado. Sim, o pai do Barry Allen também aparece.

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Juntos eles tomam uma surra federal de Steppenwolf e Bruce decide que assim como filmes bíblicos filmes de quadrinhos precisam de uma boa ressurreição, e para enfrentar um dos Novos Deuses e salvar a Terra, nada melhor do que outro Deus, já acostumado a mudar o curso da História.

Sim, o tema de John Williams toca.

Fanservice

Eu odeio, ODEIO o termo fanservice, é algo criado por nerds mimados acostumados a reclamar. Agora se tornou negativo quando fazem algo no filme que os fãs irão gostar. Eu estou pagando, cacete, o filme tem que love me long time. A primeira cena da Mulher-Maravilha mostra Diana detendo um ataque terrorista a um banco. Sem nenhuma ligação com a história principal, é apenas ela chutando bundas magistralmente. Serve para quem não assistiu Mulher-Maravilha ter idéia do que a Princesa é capaz, mas principalmente é um presente para os fãs. E agradeço.

Referências

O filme é lotado de citações ao resto do Universo DC, inclusive os filmes do Tim Burton. Há um flashback da primeira batalha contra Steppenwolf e aparece até um Lanterna fucking Verde! Há uma vibe Senhor dos Anéis no enredo, e uma cena das Amazonas é uma referência direta a um grande momento d’O Retorno do Rei.

A primeira cena do Batman é basicamente um trecho do game Arkham City, com direito até ao computador de pulso. O enredo da cena é tirado direto do quadrinho Justice League: Origin. Há referências até ao Batman #1, mais conhecido como Detective Comics #27.

O Flash

Eu entrei no cinema disposto a odiar o Flash. Injustiça da DC não colocar o Flash da TV, etc, etc. Resultado: a releitura que o Ezra Miller fez é excelente. Ele é mais Wally West do que Barry Allen, é um Barry mais novo, ainda lidando com o pai na cadeia, começando na carreira de herói.

Ele é a gente, ele é o cara de fora deslumbrado por estar no meio daqueles heróis, ele é o cara que faz a piada que todo mundo pensa quando Bruce tem a brilhante (not!) idéia de ressuscitar o azulão.

Barry tem um amadurecimento rápido, ao perceber que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, e que não está mais lidando com ladrões de galinha. Ele também é responsável por uma das duas cenas pós-crédito e um dos momentos clássicos dos quadrinhos.

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Aquaman

“Você fala com peixes?”

Só o Batman teria coragem de perguntar isso pro Jason Momoa.

Zoeiras à parte, o Aquaman dos Superamigos morreu, temos aqui o Aquaman radical, casca-grossa e caladão dos quadrinhos mais recentes. Ele é quase um Batman molhado, se bem que o aumento da umidade no cinema cada vez que ele aparecia talvez tenha outra origem que não o sistema 4D Interativo.

Cyborg

Victor Stone é um dos personagens mais trágicos da DC, um atleta promissor desfigurado em um acidente e mantido vivo por uma armadura cibernética que o transformou em algo nem homem, nem máquina. Claro que no delicioso Teen Titans Go esse lado não é muito explorado, mas nos quadrinhos ele já lidou muito com depressão por causa disso.

Em um filme de equipe não há muito espaço para explorar a psique do personagem, mas nas poucas cenas em que interage com o pai isso é bem mostrado. Ele não se vê como herói, só aos poucos, a contra-gosto assume esse lado, e isso é bem legal. Foi um meio-termo em heróis que chegam prontos e não cultivam nenhuma empatia do público, e heróis que se arrastam em 120 minutos de história de origem.

O Humor

Meninos, eu ri. Não vou recontar piadas pois isso estraga, mas há muito humor no filme. Não é um Deadpool ou Thor: Ragnarok, mas é um filme de gente que anda com a cueca por cima da calça, e há um limite da suspensão de incredulidade para adultos fantasiados. Você está vendo um episódio em carne e osso de um bom arco de Liga da Justiça Unlimited, não é Shakespeare. Relaxe, eles relaxaram e se divertiram fazendo o filme. Faça o mesmo.

As Amazonas

Quando li que haveria Amazonas no filme achei que era só pra aproveitar o hype do filme da Maravilhosa. Tecnicamente era, mas quer saber? Talvez a melhor sequência do filme tenha sido a briga entre elas e Steppenwolf, as danadas chutam bundas, funcionaram perfeitamente e não precisam da Diana para se impor.

As Lutas

Hollywood adotou um estilo irritante de edição onde toda cena de luta tem 56.732 cortes, câmera tremida e é impossível ver qualquer coisa. Zack Snyder gosta de câmera lenta e Joss Whedon gosta de planos longos sem cortes, como resultado temos um estranho filme onde conseguimos ver as lutas e entender quem está batendo em quem.

O Super

É óbvio que o Super-Homem vai aparecer em algum momento, e o filme todo é montado como uma forma de consertar os erros de Batman vs Superman, ele está mais… humano. Assim como Batman ele fica mais manso trabalhando em equipe, mas não sem antes dar um susto em todo mundo em uma cena onde somos relembrados que ele é uma Força da Natureza.

Tem Martha?

Tem Martha, get over it.

Cenas Pós-Créditos

Há duas. Uma logo no começo, recriando um momento ótimo dos quadrinhos, e outra no final do final, que é bem importante para os futuros filmes da DC, na minha sessão o cinema vibrou quando percebeu quem estava na tela.

Tem Darkseid?

Não, não tem. O nome é mencionado mas nada mais é dito. Steppenwolf é um vilão que funciona sozinho, não está como pau mandado. Isso ajuda muito, não fica aquela sensação de que o filme é a parte 1 de alguma coisa. É uma história fechada.

Conclusão

Liga da Justiça é um filme extremamente divertido, os fãs da velha guarda nunca imaginaram ver algo assim. Haters vão odiar, claro, mas haters odeiam tudo. Em alguns casos o desespero de falar mal é tão grande que colocam qualquer descompensado pra escrever, sem nenhum conhecimento de causa, e o resultado é este:

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Como todo filme da DC ele está sendo recebido e resenhado com extrema má-vontade, o Izzynobre está preparando um vídeo que vai fazer o cara do Cinema Sins pedir pra ele baixar a bola, o Rotten Tomatoes jogou a nota lá embaixo. Se você liga pra isso, guarde seu dinheiro e bem-vindo ao grupo do não vi e não gostei. Se não liga, assista, mas vá desarmado. Eu gostei bastante, mas gostaria mais ainda se não tivesse assistido querendo não gostar de coisas como o Flash e o Aquaman.

Warner Bros. Pictures Brasi — Liga da Justiça – Trailer Oficial “Heróis” (leg) [HD]

Cotação:

4/5 Homens de Ferro, em homenagem ao jornaleiro acima.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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