Ian Treherne — um fotógrafo quase cego

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Em 2009 eu tive uma experiência única na fotografia. A Oficina Cultural de Presidente Prudente estava oferecendo um workshop de fotografia com Marici Mesquita Bonassa. Ela é fotógrafa amadora, já chegou a publicar um livro com suas imagens, mas não é famosa. Porém, Marici possui uma característica que não é muito associada à fotógrafos: ela é cega. Incrível pensar como uma pessoa que não consegue ver pode se tornar alguém que registra imagens. Parte do workshop foi fotografar da maneira que ela vê o mundo. Todos foram vendados e orientados a sentir o mundo pelo cheiro, tato, sons e fotografar essas sensações. Uma grande agonia no começo, mas depois passamos a entender essas pessoas especiais.

Assim como Marici, existe uma quantidade gigantesca de fotógrafos cegos ao redor do mundo. Pessoas que fotografam com os outros sentidos, mas que não ficam devendo nada aos fotógrafos com a vantagem da visão. Se você ficou curioso sobre esses artistas, então é só procurar por blind photographers no Google para conhecer um pouco desse mundo. A experiência foi tão marcante que até hoje eu faço essa brincadeira com meus alunos. Uma forma de abrir as fronteiras do olhar para outras possibilidades.

Essa pequena introdução foi para poder falar de uma iniciativa do canal Wex Photo Video que está colocando no ar uma série intitulada More Than an Image 2017. A série é composta por 5 curta metragens que terão como destaque fotógrafos extraordinários que tiveram que superar grandes dificuldades para poder colocar em prática a sua fotografia.

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Ian Treherne é um fotógrafo de retratos. Ele não é cego, mas aos 15 anos foi diagnosticado com retinite pigmentosa, uma doença hereditária que vai aos poucos destruindo a visão da pessoa afetada. Embora ainda veja alguma coisa, Ian está condenado a perder toda sua visão em algum momento de sua vida. Mas, não é só isso. Como portador da síndrome de Usher, além da retinite ele também nasceu com um quadro de surdez quase total.

Segundo ele ser surdo e cego vem com muito isolamento. Isso causa muita ansiedade e estresse. A fotografia me permite participar do mundo e me conectar com as pessoas.

O vídeo de Ian Treherne já está disponível. Você também pode dar uma olhada em seu siteFacebookTwitter e Instagram. Vale a pena.


Wex Photo Video — The Blind Photographer | More Than An Image

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams “Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio”.

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  • Eis um cara que não tá nem vendo e não escuta os outros…

    hue

    …mas não consigo me imaginar capturando imagens, sem ver! E se eu ficar surdo, claro que mandaria uma azeitona pra cachola…. pois algo que prezo mais do que minha visão, é minha audição…. e como não sou Beethoven, seria improvável que quisesse viver…

    • Maximus_Gambiarra

      A tal azeitona é sempre uma opção, mas eu fico um pouco envergonhado de ver Ian Treherne e pensar que eu não seria nada se estivesse no lugar dele. Alias, acho que a azeitona resolve vergonha também…

  • Alice Woodstock

    Uma das coisas que me deixa fascinada na fotografia é poder ver detalhes do mundo que não sou capaz de ver com meus próprios olhos, pois não enxergo muito bem. Além do fato de poder ver um pouco do que o fotógrafo quer transmitir o que acaba sendo diferente da imagem fria.

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