Melhor Coréia anuncia “ataque” a Guam, Trump responde à altura

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Essa semana a geopolítica anda agitada. EUA e Melhor Coréia estão se estranhando, mais do que o normal. Pra começar, uma estimativa meio chata concluiu que o Grande Líder tem material físsil (plutônio e urânio) para construir 60 ogivas nucleares, com capacidade de construir mais 12 por ano.

Para piorar várias fontes diferentes concordaram que eles já dominam a tecnologia para miniaturizar uma ogiva a ponto de caber em um míssil. Isso foi reportado de forma independente por jornalistas dos mais variados pontos do espectro político.

Para piorar mais ainda, a água começou a bater na bunda e aconteceu o impensável: o Conselho de Segurança da ONU fez algo além de mandar uma carta ríspida para PyongYang. Fecharam o maior pacote de sanções econômicas até hoje contra a Melhor Coréia, votaram e Rússia e China, que tradicionalmente vetam essas iniciativas, votaram junto e foi aprovado com unanimidade.

De cara a Melhor Coréia tomou uma lambada de US$ 1 bilhão, o que significa dizer bye-bye a 1/3 dos US$ 3 bilhões que compõe a ridícula balança de exportação daquele país.

O Grande Líder não gostou e começou a fazer ameaças. Disse que irão retaliar mil vezes mais, e que é bom que os EUA não se sintam seguros do outro lado do oceano. Donald Trump ficou de saco cheio, e declarou que se eles continuarem com esse papo de vou fazer, vou acontecer, irão se arrepender.

É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos Estados Unidos. Eles conhecerão fogo e fúria como um mundo nunca viu antes. (…) Eles conhecerão fogo e fúria e sinceramente, poder como o mundo nunca viu antes”.

Em resposta a Melhor Coréia soltou um comunicado aos “yankees” dizendo que não vão mais tolerar os testes de mísseis deles, ou os vôos de bombardeiros na região. E mais: estão se preparando para lançar quatro mísseis balísticos de alcance intermediário Hwasong-12 em direção a Guam, no Pacífico.

Os mísseis sobrevoarão as regiões de Shimane, Hiroshima, e Koichi no Japão. Voarão por 3.356,7 km, durante 1.065 segundos. Atingirão as águas a 30 ou 40 km de Guam. (…) A execução do plano oferecerá aos Ianques uma chance de serem os primeiros a experimentar de perto o poder das armas estratégicas da Coréia do Norte”.

O documento todo é escrito nesse estilo histriônico de vilão de quadrinhos, e como você deve ter reparado, eles avisaram exatamente como e por onde os mísseis passarão. A data, também no documento é definida como depois da metade de agosto, a critério do Grande Líder.

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O Grande Líder inspeciona um Hwasong-12.

Isso não é uma ameaça de ataque nuclear, e dada a distância é evidente que não estão planejando um lançamento de teste com ogivas reais, é apenas uma forma de demonstrar que “se quiserem” podem destruir as instalações americanas em Guam.

A ilha de Guam fica a 3.400 km da Melhor Coréia (e 6.139 de Dutch Harbor) e é minúscula. 45 km de comprimento, 13 km na parte mais larga, mas é estrategicamente essencial para os EUA: todos os vôos dos bombardeiros B1-B saem de lá, e é porto de parada da Marinha.

São sete instalações militares, mas Guam tem uma enorme população civil. São 162 mil habitantes, com status de cidadãos americanos (Guam é um território incorporado). A renda per capita é de US$ 30.500,00; e o PIB, vindo essencialmente do turismo é de US$ 4,88 bilhões. Maior que o da Melhor Coréia.

A população local ainda lembra como sofreu na mão dos japoneses quando a ilha foi invadida na 2ª Guerra Mundial, e embora não liguem muito pras ameaças do Grande Líder, há um certe receio que sejam abandonados pelos EUA. De novo.

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Guam. É isso.

A grande questão é: o Grande Líder é um vilão de quadrinhos, ele disse quando vai fazer o ataque simulado, ele quer que os mísseis sejam derrubados?

Sim, ele é um vilão de quadrinhos, a Melhor Coréia é um adversário do nível do COBRA, eles são basicamente retardados, mas retardados com uma faca afiada na mão.

Telegrafar todos os detalhes do ataque foi uma jogada muito inteligente, e eu explico.

Se os americanos detectam quatro IRBMs indo em direção a Guam, a expectativa razoável é de um ataque. Fica então a questão: reagir imediatamente ou esperar a confirmação? Claro, o bom-senso diz para esperar, mas vai que há um sujeito inexperiente e desequilibrado na Casa Branca.

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Sabendo do teste os EUA tem duas possibilidades: derrubar ou não derrubar. Se derrubarem, a Melhor Coréia pode chilicar acusando de interferência em um teste legítimo.

Se os EUA não fizerem nada, a Melhor Coréia dirá que os americanos estão indefesos e se o teste fosse real eles estariam em chamas.

Por outro lado, os EUA nunca tentaram interceptar quatro mísseis de uma vez. Todos os testes de interceptação foram em condições favoráveis e controladas, e os resultados não são grande coisa. Se os EUA tentarem interceptar os mísseis e errarem, deixando passar um que seja, terão mostrado ao mundo que estão quase indefesos.

Há também a remota possibilidade de o lançamento anunciado ser um ataque e a Melhor Coréia espere que os EUA não façam nada, afinal o teste foi avisado e não é hora de mostrar as reais capacidades dos interceptadores deles.

Caso o Japão ou a Pior Coréia tentem interceptar os mísseis na fase de ascensão, a Melhor Coréia vai considerar isso um ato de guerra.

A Melhor Coréia tem o hábito de ser BEM agressiva. EM 2010 fizeram um ataque de artilharia contra a ilha de Yeonpyeong, atingindo casas e prédios da população civil.


CBS — North Korea Attacks South Korea Island

No mesmo ano eles torpedearam uma corveta sul-coreana, a ROKS Cheonan, matando 47 marinheiros e ficando tudo por isso mesmo. Só que existe uma diferença entre ser agressivo e ser suicida. O Grande Líder, como todo gordo gosta de boa vida, e sabe que em seu país precisa da medida certa de agressividade.

Se ele for muito manso, deixa de ameaçar os outros países, perde a mesada que recebe para ficar quieto, e isso causará instabilidade interna. Os generais não vão gostar e ele será destronado. Se for agressivo demais, pode provocar uma guerra e isso não é bom para eles, sabem que não vão durar mais que alguns dias.

A grande dificuldade é que o país que falava que tinha um exército invencível e iria transformar os EUA em um mar de fogo está batendo de frente com um sujeito que A-DO-RA esse discurso hiperbólico troglodita.

Antes funcionava. Outros presidentes entravam no ritmo de não, calma, vamos conversar, a Melhor Coréia ganhava um trocado, fingia que tinha parado com o programa nuclear, retomava em seguida e o ciclo se repetia.

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Agora a Melhor Coréia fala que vai matar 100, o Trump responde que se pudesse matava mil.

É insano, eu sei, mas há uma possibilidade de que o Grande Líder recue, ao perceber que está lidando com um sujeito que não conhece nem se importa com as regras do jogo. Esse é o melhor cenário, mas nem de longe o mais provável.

A esperança é que a Inteligência sul-coreana e o NRO tenham determinado todos os locais de lançamento, e os SEALs estejam de prontidão para sabotar os mísseis antes que o conflito se inicie e o Grande Líder perceba que está encurralado, e se vai morrer, vai levar Tóquio junto.

Qual a razão disso? Nenhuma. É pura mesquinharia, maldade, algo digno de um vilão de quadrinhos, mas já foi determinado que é com esse tipo de gente que estamos lidando.

Quanto ao Trump, ele não é vilão, não tem competência pra isso. Ele é aquele presidente idiota que precisa do Jack Ryan pra salvar o dia. A má-notícia é que ninguém se qualificou para o cargo de Jack.

Conclusão

Há possibilidade de guerra? Sim, há. Muito pequena, e se rolar vai ser na base do climão, nenhum dos dois lados quer realmente chegar às vias de fato.

Há possibilidade de guerra nuclear? Ínfima, mas não-zero e isso é ruim. Claro não será uma Guerra Total Termonuclear, fim da civilização, etc. Será um arranca-rabo local, e a Melhor Coréia não tem capacidade de fazer grande estrago (relativamente falando). Será uma tragédia como nunca antes vista, mas não será o caso dos sobreviventes invejarem os mortos.

Há possibilidade de a guerra escalar? Não, essa guerra, assim como Ruby, não escala. Rússia e China já deixaram claro que estão de saco cheio com o Grande Líder. Os EUA avisaram que não estão interessados em mudança de regime, o que é código para se vocês se resolverem internamente e detonarem o gordinho pela gente tudo bem.

Rússia e China não querem fronteira direta com um aliado dos EUA, isso foi meio que garantido então o Grande Líder está sozinho nessa. Ou melhor, sozinho não. A UERJ e o PC do B estão com ele.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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