Na próxima guerra ninguém terá um ás na manga e isso é um problema

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O nome desse sujeito na foto é Erich Hartmann. Ele era um Jedi, ou mais precisamente (sim, eu sei que seus olhos de águia perceberam a suástica) um Sith. Erich era piloto de planadores na Alemanha dos anos 30, mas como lá como cá um filho seu não foge à luta, em 1940 ele se voluntariou para a Luftwaffe. Depois de 2 anos de treinamento foi aprovado como piloto, ganhou o apelido “Menino” e partiu para a frente russa. Lá os pilotos inimigos logo arrumaram um outro nome para ele: o Demônio Negro.

Erich abateu seu último inimigo em 8 de maio de 1945, poucas horas antes do fim da guerra. Era sua 352ª vitória. No total ele voou 1.404 missões de combate, enfrentou inimigos em 825 delas e derrubou 352.

Ele é o maior ás de toda a História. O mais próximo dele é Gerhard Barkhorn, também alemão, com 301 vitórias.

A rotação de pilotos mandava os jovens pra casa depois de um certo número de missões e, por causa disso, o maior ás americano, Thomas McGuire, teve 38 vitórias. A lista de ases da 2ª Guerra é impressionante, fica difícil acreditar como a Alemanha perdeu a guerra aérea.

Nos EUA você era considerado um ás se atingisse 5 vitórias. Do ponto de vista alemão isso era ridiculamente pouco. Mais ou menos como os pilotos americanos que eram mandados pra casa com 10 missões, e os brasileiros do 1º GAC continuavam e vários terminaram a guerra com mais de 100 missões.

Quanto mais você voa (e sobrevive) mais ganha experiência. Nada substitui o combate real, e esse é o grande problema hoje em dia. Ninguém mais tem experiência.

Entre 1990 e 2015 os pilotos americanos derrubaram um total de 59 aviões inimigos, a maior parte durante a Primeira Guerra do Golfo. HOJE não existe NENHUM piloto com categoria de ás nas forças armadas americanas. E em nenhum outro lugar.

Os conflitos desde a segunda metade do século XX têm sido assimétricos. Russos no Afeganistão ou na Chechênia, americanos no Afeganistão ou Iraque, é sempre um lado com aviões modernos e barulhentos, e o outro, assim como o Eduardo, de camelo.

Temos excelentes pilotos para missões de ataque a solo, mas quase nenhum tem experiência de enfrentar outro caça, de igual pra igual. Isso complicará bastante os futuros e inevitáveis conflitos. E também afeta o desenvolvimento tecnológico, pois armas funcionam de forma diferente em demonstrações e simulação, comparado com o uso em condições reais de pega-pra-capar.

Ou seja: os filmes de ficção estão corretos, quando os alienígenas invadirem seremos abatidos como moscas, pois nossos pilotos não têm experiência em combate aéreo.

Quanto a Erich Hartmann, ele se entregou aos americanos, que o entregaram aos russos. Lá ele se recusou a trabalhar para a Força Aérea da Alemanha Oriental. Como punição inventaram acusações de crimes de guerra, ele foi condenado a 25 anos de trabalhos forçados. Libertado depois de dez anos, em 1955, voltou para a Alemanha, se alistou na Força Aérea e se tornou o primeiro Comodoro do Ar do Esquadrão Richthofen, mas acabou pedindo baixa em 1970, depois de tentar inutilmente evitar que a Alemanha adotasse o F-104, o caça conhecido como “fazedor de viúvas”.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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