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O futuro do Linux está em nossas mãos, certo?

16 anos atrás

Errado. Quem irá determinar o futuro do Linux não são os advogados do open source e sim o mercado. Isso não é uma previsão, é uma verdade fundamental do sucesso de tecnologias. Um exemplo recente é a "briguinha" DVD+R x DVD-R. Sabe quem ganhou, se foi Philips ou Pioneer? Pois bem, foi a LG, que lançou um produto que lia e gravava todos os formatos, inclusive DVD-RAM. Os consumidores almejavam um aparelho que fizesse tudo, a indústria correspondeu.

Tenho lido as opiniões de leitores aqui no MeioBit e em outros fórums e sites de respeito e muitos são contra a inclusão de software proprietário junto com o Linux. Os argumentos nem sempre são convincentes, mas digo-lhes agora: o Linux, assim como o movimento de software livre em geral está em fase de experimentação e apenas alguns irão sobreviver.Como os códigos-fonte são abertos e cada distro faz, de certa forma, o que bem entender, existirão sempre algumas como o Debian, que não entra nada que não seja livre. Mas se a IBM, Novell e Oracle, líderes em distribuição e suporte decidirem que o mercado demanda software proprietário, DRM e tudo o mais que fazem os radicais ter calafrios, tenha certeza, que toda a filosofia irá por água abaixo em prol do pragmatismo e das regras de mercado. Se o usuário final quer ter a liberdade de plugar o iPod e comprar suas músicas e seus filmes, ele terá.

Forçar a indústria a adotar padrões livres multimídia não funciona da forma como muitos pensam. Convocar as massas de consumidores a exigir o padrão livre A ou B. Certo... e quem paga a conta, cara-pálida? Essa força vem do desejo do consumidor, incutido ou não. Exemplo de pragmatismo é o Ubuntu, colocando software proprietário à disposição para download: os usuários querem e precisam e foram correspondidos.

Se você acha que é válido o software livre esperar 30 anos por um ideal, esqueça. Os pesos-pesados por trás do Linux são empresas, capitalistas e querem ganhar dinheiro. Não, isso não é errado, e jogar as chances de um sistema operacional livre para 2036 é, desculpem, do coração, burrice, miopia e ingenuidade.

O garoto de 18 que diz isso será um senhor de 48 anos, irá olhar pra trás e ter vontade de dar um tapa na orelha dele por dizer uma besteira dessas. Enquanto essa discussão sem fim e sem propósito continua, as regras de mercado não. Imagine um aparelho de Media Center nos lares na Copa de 2014, com DRM, transmissão digital de alta resolução, aluguel de filmes e download de shows, com player de HD-DVD/Blu-Ray/ULTRA-HIPER-DVD rodando sobre um ambiente Windows ou alguma versão proprietária de fabricantes porque em 2006 decidiram lutar CONTRA e indústria porque DRM é ruim e o software livre não se mistura com gentalha.

Se isso for verdade, então todo o trabalho de gente séria nos últimos 10 anos será jogado fora. Quem irá assumir essa responsabilidade? E os custos de se ter investido milhões de dólares em algo que só irá ser popular em 3 décadas? Em informática, isso sinifica: 6 famílias de processadores, 20 gerações de GPUs, 5 ou 6 versões do Windows, PlayStation 9, XBox Cosθ (ou XBox 2kπ radiano), Nintendo Hee/Shee/Itt.

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